SCP 2-1 Maritimo TL 1405

Sporting segue na Taça da Liga equipa de jovens e vitória sobre o Marítimo

Uma equipa quase toda nova, com Pedro Lima em destaque e Rui Silva a segurar o resultado, garantiu o apuramento para a Final Four da Taça da Liga numa noite de futebol em Alvalade com pouca gente e muitos nervos. O Sporting venceu o Marítimo por 2-1, esta terça-feira, no Estádio José Alvalade, e carimbou o passaporte para a Final Four da Taça da Liga. E se é certo que o resultado foi importante, o que ficou claro ao longo dos noventa minutos foi outra coisa: Rui Borges estava disposto a arriscar tudo.

Quarenta e oito horas depois da derrota frente ao Académico de Viseu, um resultado que lhe valeu uma enorme vaia e centenas de lenços brancos acenados pelos adeptos leoninos, o treinador do Sporting lançou um onze praticamente irreconhecível, com estreias absolutas e jovens que raramente tinham pisado o relvado de Alvalade pela equipa principal. A aposta saiu cara no nível de nervosismo que impôs nas bancadas e na própria equipa, mas acabou por valer o apuramento que era afinal o pretendido pelo ainda técnico principal do futebol leonino.

Primeiro grito de golo
anulado por fora de jogo

A noite começou com um sinal claro do que estava para vir. Jesse Derry chegou a marcar logo aos cinco minutos, mas o golo foi anulado por fora de jogo. O Sporting tinha posse de bola, mas faltava-lhe aquela fluidez que só o hábito de jogar junto dá. Os passes falhavam, os movimentos não se encaixavam e o Marítimo, organizado e compacto, ia fechando os espaços.

Aos 22 minutos, Pedro Lima acertou na trave e, três minutos depois, Rui Silva teve de se aplicar a sério para travar um remate de Igor Julião. O ambiente nas bancadas não ajudava: apenas 24.289 espectadores em Alvalade, o pior registo da temporada em casa, num jogo em que os assobios ao nome de Rui Borges ouviram-se antes do apito para o intervalo, sinal de que a paciência estava curta.

O golo que quebrou o gelo, porém, chegou mesmo antes do descanso. Canto de Jesse Derry, cabeceamento de Pedro Lima ao primeiro poste e bola no fundo da baliza. Era o primeiro golo do brasileiro pela equipa principal e valeu mais do que um simples 1-0: valeu ar limpo em Alvalade.

Segunda parte do Sporting
com mais futebol e menos nervos

Com o Sporting na frente do marcador, a segunda parte trouxe um Sporting mais solto, perante um Marítimo que, há que o dizer, nunca desapareceu e muito menos se escondeu do jogo. Ioannidis teve o 2-0 nos pés aos 67 minutos, mas Rafael Fernandes cortou em cima da linha, e dois minutos depois foi uma vez mais Igor Julião quem voltou a testar Rui Silva, que respondeu com uma defesa decisiva. O guarda-redes, de regresso à titularidade, aparentemente num esquema de rotação que não deverá tirar Kaíque da baliza nos jogos do campeonato, foi segurando o resultado enquanto a equipa tentava matar o jogo.

Quem acabou por resolver o jogo acabou mesmo por ser Pedro Lima, aos 71 minutos. Na sequência de um remate de Vagiannidis, uma defesa incompleta de Tabuaço e o médio apareceu na recarga para bisar, num jogo a meias com um defesa do Marítimo que ainda empurrou a bola para dentro das redes da baliza dos insulares.

O 2-0 parecia confortável, mas o Sporting conseguiu transformar os últimos minutos num pequeno drama. Aos 90+2, Butzke cabeceou para o 2-1 depois de um cruzamento de Igor Julião, e de repente o Marítimo voltou a acreditar. Houve ainda um canto e um remate de Ayuma, mas Rui Silva segurou o resultado, e o apito final do árbitro trouxe alívio, mas também a consciência de que a equipa tinha sofrido mais do que precisava.


Ficha do jogo

Sporting 2-1 Marítimo
Competição: Taça da Liga
Estádio de Alvalade
Ao intervalo: 1-0
Assistência: 24.289 espectadores

Árbitro: Iancu Vasilica
VAR: Cláudia Ribeiro

Sporting: Rui Silva, Vagiannidis, Eduardo Quaresma, Eduardo Felicíssimo, Moncef Zekri (Paulo Cardoso, 73′); João Simões (Rafael Nel, 86′), Pedro Lima (Mauro Couto, 78′), Silas Andersen; Catamo, Ioannidis (Samuel Justo, 86′) e Jesse Derry (Rodrigo Dias, 73′).
Técnico: Rui Borges

Marítimo: Gonçalo Tabuaço, Igor Julião, Gabor Szalai, Roman Correia, Rafael Fernandes, Paulo Henrique, Rodrigo Andrade (Alani, 73′), Raphael Guzzo (Ayuma, 85′), Mons Bassouamina (Adrian Butzke, 59′), Maurice Boakye (Martin Tejón, 59′) e Simo Bouzaidi (Bamba, 85′).
Técnico: Mitchell van der Gaag

Golos:

  • 1-0 Pedro Lima, 44′
  • 2-0 Pedro Lima, 71′
  • 2-1 Adrian Butzke, 90′

Ação disciplinar:
Cartão amarelo:
 Rafael Fernandes (40′), Eduardo Quaresma (57’).


Não havia necessidade
da tremideira final

No final, Rui Borges não escondeu a satisfação pelo que os jovens tinham feito, mas também não disfarçou o incómodo com o final do jogo. “Acabámos aqueles últimos dois minutos com algum sentimento de incerteza escusado”, admitiu, sublinhando que a equipa foi “competente” apesar de nunca ter jogado junta. Sobre Pedro Lima, foi direto: “Se estão no Sporting é porque têm qualidade”.

Para o Sporting, o que fica é o apuramento e a confirmação de que há soluções no plantel para além dos habituais titulares. Pedro Lima bisou, Rui Silva voltou a mostrar que a rotação na baliza não lhe retira qualidade e jovens como Zekri ou Felicíssimo cumpriram sem tremer. A pressão sobre Rui Borges não desapareceu por completo, mas esta vitória, pelo menos, deu-lhe espaço para respirar. E numa temporada em que os tropeções em casa já tinham deixado marcas, ganhar com uma equipa de segundas linhas tem um sabor particular, prosseguindo Rui Borges a caminhar sobre o fio da navalha até ao próximo desaire.

texto: Jorge Reis
fotos: Luís Moreira Duarte

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