Um estudo de psicólogos portugueses revela que “o sofrimento psicológico e a dificuldade em gerir emoções são preditores muito mais fortes da transição para comportamentos problemáticos do que o número de horas diárias de jogo.”
A equipa de investigadores do Ispa – Instituto Universitário de Lisboa avaliou “a fronteira entre o envolvimento intensivo em videojogos e a perturbação de jogo (‘Gaming Disorder’)”, concluindo que “o tempo passado a jogar, por si só, não é um indicador fidedigno de patologia.”
Os psicólogos consideram que o videoejogo funciona como “uma estratégia compensatória para lidar com afetos negativos, o que pode consolidar quadros de dependência ao longo do tempo.”
Os autores sugerem que “o rastreio e o apoio clínico devem priorizar a identificação de mecanismos de desregulação emocional e motivações de jogo, em vez de se basearem apenas em controlos de tempo ou limites horários.”
O trabalho foi coordenado por Cátia Martins Castro e David Dias Neto, investigadores do Ispa, em colaboração com o APPsyCI – Applied Psychology Research Center Capabilities & Inclusion e o WHO Collaborating Centre for Training and Research in Mental Health da Universidade de Genebra, na Suíça.
A investigação acompanhou 5.255 jogadores de diversos países ao longo de um ano, analisando a estabilidade de diferentes perfis psicológicos. As conclusões deste estudo, agora publicado na revista científica Computers in Human Behavior, podem “trazer implicações para a formulação de novas políticas de saúde pública e estratégias de prevenção relacionadas com o uso de videojogos.”









