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Benfica coloca um pé na Liga Europa com triunfo sobre o Aahrus

O Benfica venceu esta quinta-feira a turma campeã dinamarquesa do Aahrus por 3-1, em jogo da primeira mão do playoff de apuramento para a fase de liga da Liga Europa. A vitória encarnada poderia ter sido ainda mais expressiva, pelo menos a julgar pela quantidade de oportunidades que a equipa às ordens de Marco Silva esbanjou, mas coloca a turma da Luz, ainda assim em posição favorável para seguir em frente nesta que é a segunda competição de clubes da UEFA.

Com os golos do Benfica a serem apontados por Rafa, Prestianni e Pavlidis, este último na transformação de uma grande penalidade, e um golo da turma nórdica apontado por Jorgensen, todos na primeira metade da partida, o jogo ficou resolvido ao intervalo.

Já no segundo tempo a formação dinamarquesa conseguiu acertar melhor as marcações, o seu guarda-redes manteve um elevado nível de assertividade na forma como tapou os caminhos para a sua baliza, e o Benfica acabou por não conseguir dilatar a vantagem, num jogo em que ficou para os adeptos o sabor a pouco, tal foi a forma como a equipa da casa entrou a dominar acabando por perder o “gás” conforma o jogo foi chegando ao seu final.

O que se viu nos primeiros minutos foi um Benfica impetuoso, a querer resolver a eliminatória ainda antes do café da primeira parte arrefecer. Aos 82 segundos, Rafa Silva, numa recarga após um primeiro remate de Pavlidis, inaugurou o marcador, dando o mote para aquilo que se adivinhava como uma noite de goleada. Pouco depois, a equipa de Marco Silva viria a chegar ao 2-0 por intermédio de Leandro Barreiro, que apareceu solto no segundo poste após um canto, parecendo que o resultado se iria tornar pesado para os dinamarqueses.

Como tem sido hábito neste arranque de temporada dos encarnados, a defesa voltou a dar ares da sua graça, e um erro posicional do meio-campo benfiquista permitiu que Sebastian Jorgensen reduzisse a vantagem, depois de os dinamarqueses terem aproveitado uma segunda bola na zona central. Ainda assim, à beira do intervalo, o VAR detetou uma mão na bola de Tobias Bech na pequena área do Aahrus, o árbitro foi rever o lance e confirmou o castigo máximo, e Pavlidis, na transformação do penálti, não tremeu, repondo os dois golos de vantagem e assinando o resultado final da partida.

O regresso de Aursnes e as dificuldades de Sudakov

Um dos momentos mais aplaudidos da noite aconteceu já na segunda parte, com a entrada de Fredrik Aursnes. O norueguês, que assumiu a braçadeira de capitão que até ali fora carregada por Tomás Araújo, regressou aos relvados após lesão e recebeu uma ovação da Luz, num gesto que sublinha o carinho que os adeptos têm pelo seu estilo de jogo consistente e inteligente. Foi um regresso que trouxe alguma estabilidade à equipa, num momento em que o jogo já tinha perdido a intensidade do primeiro tempo.

Se Aursnes foi a boa notícia, o mesmo não se pode dizer de Georgiy Sudakov. O médio ucraniano, em quem Marco Silva tem apostado, voltou a passar ao lado do jogo, tendo dificuldade em impor-se no meio-campo e em ligar o ataque à defesa. A sua prestação menos conseguida contrastou com a de Rafa Silva, que foi uma verdadeira dor de cabeça para a defesa do Aahrus.

A propósito de Rafa, o avançado português não só marcou o primeiro golo como foi sempre o elemento mais esclarecido no ataque encarnado, criando desequilíbrios constantes e merecendo, com justiça, o prémio de Homem do Jogo. A sua movimentação, velocidade e capacidade de definir foram um trunfo que o Benfica soube explorar, mas que, infelizmente para os adeptos, não foi suficiente para traduzir em mais golos a avalanche ofensiva que se viu nos primeiros 45 minutos.


Ficha do Jogo

Competição: Playoff de apuramento para a Liga Europa (1.ª mão)
Data: 20 de agosto de 2026
Resultado: Benfica 3-1 Aahrus

Estádio: Estádio da Luz, Lisboa
Assistência: 59.147 espectadores

Benfica: Samuel Soares; Alexander Bah, Clément Lenglet, Tomás Araújo (cap.), Samuel Dahl; Enzo Barrenechea, Georgiy Sudakov, Leandro Barreiro (Fredrik Aursnes, 71′); Rafa Silva (Andreas Schjelderup, 79′), Gianluca Prestianni (Benjamin Ríos, 65′), Vangelis Pavlidis (Julián Durán, 79′).
Treinador: Marco Silva

Aahrus: Christiansen, Colin Rösler (Carstensen, 57′), Mouhammade Camara, Eric Kahl, Jacob Andersen, Sebastian Jorgensen (Tchamche, 57′), Arnstad, Knudsen (Links, 73′), Emmery (Jonsson, 73′), Julius Beck e Bogere (Anderson, 81′).
Treinador: Jakob Poulsen

Marcador:

  • Rafa Silva 1-0 (2′)
  • Leandro Barreiro 2-0 (31′)
  • Sebastian Jorgensen 2-1 (40′)
  • Vangelis Pavlidis 3-1 (45+2′, gp)

Árbitro: Marco Guida (ITA)
Cartões amarelos: Leandro Barreiro (42′), Tomás Araújo (64′), Tchamche (84′)


Sem golos no segundo tempo, este período da partida resumiu-se a um exercício de gestão, com o Benfica a controlar a posse de bola mas sem a mesma intensidade no último terço. O guarda-redes do Aahrus, Mads Hedenstad, ele que já no primeiro tempo havia negado golos cantados na Luz, cresceu no jogo e voltou a negar golos a Andreas Schjelderup e a Samuel Dahl, com a equipa de Marco Silva a revelar-se incapaz de manter a pressão alta que caracterizou a primeira parte.

A quebra de ritmo dos encarnados, que gerou alguma apreensão nos momentos em que os dinamarqueses subiram as linhas, numa altura em que o Benfica parecia uma vez mais colocar-se “a jeito” para um resultado menos favorável, deixou naturalmente um aviso para a segunda mão: o Benfica até pode ter um pé na Liga Europa, mas na Dinamarca terá de jogar com a mesma intensidade e concentração que mostrou nos primeiros 30 minutos, isto se não quiser complicar uma eliminatória que parece controlada.

texto: Jorge Reis
fotos: Diogo Faria Reis

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