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Benfica de Marco Silva goleia Hearts e fica a um passo do playoff

Com uma entrada assertiva marcada por uma pressão em todo o terreno, o Benfica venceu esta quinta-feira a formação escocesa do Heart of Midlothian (Hearts), o clube de Edimburgo, vice-campeão do futebol do seu país, por 6-1, no jogo da primeira mão da terceira pré-eliminatória para o apuramento à fase de liga da Liga Europa. Logo ao segundo minuto da partida aconteceu o primeiro golo dos encarnados, com Rafa Silva a abrir a contagem, deixando claro que era da equipa da Luz a maior determinação em conseguir resolver desde já a eliminatória, em busca de um resultado que permita a viagem tranquila até à capital da Escócia.

E a verdade é que este Benfica orientado por Marco Silva não deixou margem para dúvidas sobre o seu querer nem tão pouco sobre a capacidade para o concretizar, permitindo aos adeptos regressarem no tempo às grandes noites europeias em que os encarnados eram donos e senhores dos jogos no inferno da Luz.

O golo de Rafa Silva deixou claro ao que vinha a turma encarnada: resolver a eliminatória ainda no Estádio da Luz e conseguir convencer os 60.776 adeptos que lotaram as bancadas que estavam perante uma equipa determinada, pressionante e com ideias claras, deixando para trás o Benfica pouco ambicioso e incaracterístico das últimas épocas, quando a ambição encarnada durava pouco mais do que os primeiros minutos de cada partida, isto quando sequer aparecia em campo.

Marco Silva manteve a aposta num onze muito semelhante ao que atuou frente ao St. Gallen, com algumas exceções. Samuel Soares estreou-se como titular na baliza, relegando Trubin para o banco, naquela que foi porventura a maior surpresa da equipa, Tomás Araújo assumiu o lugar do já negociado António Silva – e a braçadeira de capitão –, e Prestianni, de regresso após castigo, compôs o trio ofensivo com Rafa Silva e Sudakov, atrás de Pavlidis. No meio-campo, Barrenechea e Barreiro formaram a dupla de médios, com o luxemburguês a surgir constantemente como falso avançado.

Com uma exeibição colectiva particularmente positiva, o segundo golo do Benfica chegou aos 20 minutos. Sudakov, na transformação de um pontapé de canto, encontrou Tomás Araújo a saltar mais alto que todos dentro da área, com o central a cabecear para o 2-0, num lance em que também Lenglet apareceu a saltar na pequena área dos escoceses. A defesa encarnada mostrava-se não só segura, mas também perigosa no ataque.

Pavlidis, de penálti aos 43 minutos, fez o terceiro e selou uma primeira parte de sentido único. O castigo máximo surgiu depois de Prestianni ser derrubado na área por Mendy, num lance em que o árbitro não hesitou em assinalar (e bem) o castigo máximo. O Benfica saiu assim para o intervalo a vencer por 3-0, deixando ao intervalo a expectativa sobre se iria manter o ritmo alto do primeiro tempo ou se estaria já contence com o resultado.

A noite de Prestianni
e as mexidas de Marco Silva

O segundo tempo começou de facto com o mesmo ritmo, e se as mexidas que Marco Silva viria a impor na turma benfiquista viriam a obrigar a algum ajuste, levando a uma quebra pontual da equipa, foi possível ao Benfica reencontrar-se e manter o claro domínio até ao apito final sem baixar os braços do colectivo.

Prestianni, cada vez mais confiante, ele que viria a ser nomeado no final como o ‘Homem do Jogo’, fez o quarto golo aos 59 minutos com um remate de pé direito em arco, depois de recuperar a bola no meio-campo ofensivo. O argentino aproveitou a titularidade para mostrar serviço, numa exibição que ficará na memória dos adeptos. Estava feito o 4-0.

Aos 65 minutos, Marco Silva fez três alterações de uma só vez: saíram Barrenechea, Sudakov e Pavlidis, entraram Richard Rios, Schjelderup e Jhon Durán. A ideia era refrescar a equipa sem perder o fio de jogo, e as mudanças posicionais foram evidentes, mantendo a estrutura.

O problema é que as mexidas não mudaram a estrutura mas o Benfica teve que se ajustar, não apenas porque os novos elementos em campo tinham outras características individuais, mas também porque o Hearts também mudou a sua estrutura, passando a defender com três centrais mas procurando projectar mais os laterais e com isso estender mais a sua formação.

Acabou assim por surgir o único senão da noite, aos 72 minutos. O Benfica desconcentrou-se, Lenglet foi batido por Renaud, e o Hearts reduziu para 4-1, com um golo claramente desnecessário e consentido pelos encarnados, fruto de uma quebra de atenção defensiva que Marco Silva procurou corrigir rapidamente, injectando sangue novo no eixo da defesa apostando na entrada de Manú para o lugar de Lenglet.

Os escoceses ainda assustaram num livre direto, com o capitão Harry Milne a rematar sobre a barreira quando Samuel Soares já estava batido, mas a bola saiu desenquadrada com a baliza pelo que o lance do Hearts não teve sucesso. O português Cláudio Braga, sempre interventivo, tentou organizar a resposta do Hearts, mas a superioridade encarnada regressou de forma evidente, com os comandados de Marco Silva a assumirem de novo o comando da partida em todo o terreno.

Final de jogo na Luz
com selo de goleada

Já perto do fim, o Benfica pôde assim voltar a carburar. Aos 87 minutos, o avançado colombiano Jhon Durán, depois de uma assistência de Schjelderup, fez o 5-1, estreando-se a marcar com a camisola encarnada, mostrando que pode ser uma alternativa válida para o ataque face ao grego Vangelis Pavlidis. Fica ainda assim por saber se os dois elementos do ataque encarnado serão ou não compatíveis na frente da equipa das águias.

Nos descontos, o sexto golo surgiu de penálti. Schjelderupm ainda fora da área, rematou à baliza, a bola bateu no braço de um defesa do Hearts que cortou a bola já dentro da área, e o VAR corrigiu a decisão inicial do árbitro, que havia marcado livre direto, determinando novo castigo máximo nesta partida. Já sem Pavlidis em campo, acabou por ser o próprio extremo norueguês a converter a grande penalidade que havia conquistado, fechando o marcador em 6-1.


FICHA DO JOGO

BENFICA 6-1 HEARTS
Data: 6 de agosto de 2026
Local: Estádio da Luz, Lisboa

Árbitro: Mariah Barbu (ROM)

BENFICA: Samuel Soares; Bah, Tomás Araújo (cap.), Lenglet (Manú, 72′), Carreras; Barrenechea (Richard Rios, 65′), Barreiro; Rafa Silva, Sudakov (Schjelderup, 65′), Prestianni (Kaminski, 80′); Pavlidis (Jhon Durán, 65′).
Treinador: Marco Silva.

HEARTS: Reus; Milne (McCart, 46′), Findlay, McEntee, Altena; Kzyridis, Spittal, Mendy (Renaud, 46′) e Miller (NcPake, 75′); Cláudio Braga (cap.) Kaboré (Guendouz, 65′).
Treinador: Wouter Vrancken.

Golos: Rafa Silva (2′), Tomás Araújo (22′), Pavlidis (42′ gp), Prestianni (59′), Renaud (72′), Jhon Durán (87′), Schjelderup (90+4′ gp).

Disciplina: Cartão amarelo Prestianni (33′) e Bah (79′) no Benfica. Amarelos ainda, no Hearts, para Mendy (41′), Milne (70′), McEntee (86′) e Cláudio Braga (89′).


A exibição do Benfica deixava assim indicadores muito positivos, com destaque para as prestações de Prestianni, Barrenechea, Rafa Silva e Barreiro. As águias mostraram uma equipa com ideias claras, algo que não se via com tanta nitidez desde os tempos de Roger Schmidt, renascendo a esperança dos adeptos perante um grupo de trabalho às ordens de Marco Silva no qual são ainda evidentes algumas falhas posicionais.

Ficam na equipa do Benfica as dúvidas quanto ao guarda-redes que irá assumir a titularidade entre os postes, a dupla de centrais que ficará encarregue de fechar os caminhos para os avançados das equipas adversárias e, eventual, a possibilidade de serem reforçados sectores como o meio-campo ou o ataque. Depois, em cima de tudo isso, terá ainda o Benfica a necessidade de segurar alguns dos seus melhores jogadores ao longo deste mês de Agosto, altura em que o mercado de transferências irá certamente dar muitas dores de cabeça aos adeptos e treinadores.

Transferências e contratações à parte, fica deste jogo frente ao Hearts um resultado robusto, uma vitória que permitirá que a viagem até Edimburgo na próxima semana, possa ser tranquila, ainda que naturalmente sem facilitismos. O jogo da segunda mão está marcado para a próxima quinta-feira, e a vantagem de cinco golos deixa os encarnados praticamente no playoff da Liga Europa.

texto: Jorge Reis
fotos: Diogo Faria Reis

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