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Benfica empata em Famalicão com penálti por marcar, expulsão e mais 15 minutos

O Estádio Municipal de Famalicão foi palco, neste sábado, de um dos jogos mais rocambolescos e emocionantes da temporada. Na luta pelo segundo lugar e consequente acesso à Liga dos Campeões, o Benfica esteve a vencer por 2-0 até perto do final da primeira metade da segunda parte, mas acabou por consentir o empate a dois golos diante de um corajoso Famalicão que, em abono da verdade, nunca baixou os braços. Contudo, mais do que o futebol jogado, o que ficará na memória deste final de tarde de 2 de maio em Famalicão são os erros graves de arbitragem, uma expulsão que mudou o curso do jogo e uma tempestade de críticas que, à saída do relvado, promete incendiar o final do campeonato.

O jogo começou mal para os minhotos e bem para as águias. A equipa de José Mourinho entrou em campo com uma intensidade que raras vezes se viu ao longo da época fora de portas. Aos 12 minutos, após um início prometedor, Andreas Schjelderup converteu uma grande penalidade assinalada pelo árbitro Gustavo Correia. O norueguês, em grande forma, não tremeu e colocou o Benfica em vantagem. Sete minutos depois, foi a vez de Richard Ríos, numa jogada construída pelo próprio Schjelderup, ampliar o marcador para 0-2. O Famalicão dava a ideia de estar num dia não, atordoado pela pressão alta encarnada, e o estádio parecia prestes a render-se à evidência da superioridade visitante.

O penálti que o árbitro
não marcou e o VAR (não) viu

Com o Benfica a vencer por 2-0, o jogo abeirou-se da meia hora quando o caos se instalou — não dentro das quatro linhas, mas na cabine do VAR. Uma jogada a partir da esquerda, com Schjelderup uma vez mais a enfeitiçar a defesa, resultou num cruzamento que foi claramente travado pela mão de Rodrigo Pinheiro, dentro da área. Braço aberto, ampliando a mancha de defesa, uma infração que, pelo critério habitual da arbitragem moderna, seria considerada uma grande penalidade gritante, ou como é agora hábito dizer-se: “clara e óbvia”.

O Benfica, que já vencia por 2-0, reclamou. O árbitro Gustavo Correia mandou seguir. E o VAR, numa decisão que mais tarde seria amplamente criticada, não chamou o árbitro ao ecrã para revisão do lance. Caso a penalidade fosse assinalada e convertida, o 3-0 mataria o jogo ainda antes do intervalo e o lance passou em branco, com o Benfica a seguir para o balneário com a sensação de que o árbitro, naquela noite, voltava a incorrer num erro grosseiro contra os encarnados.

“Um penálti claríssimo e poucas palavras bastam para explicar o penálti que não é dado ao Benfica que pode dar o 3-0”, resumiria o presidente dos encarnados, Rui Costa, em declarações aos jornalistas no final do jogo.

A expulsão de Otamendi
e o timing fatal

Se a primeira parte foi um exercício de eficácia ofensiva encarnada, a segunda parte mudou de figura num ápice. Aos 53 minutos, Nico Otamendi, sempre ele, tentou recuperar uma bola em zona subida e entrou de forma duríssima sobre Mathias de Amorim. O pisão na canela do médio foi feio e violento.

O árbitro Gustavo Correia mostrou, num primeiro momento, o cartão amarelo, mas perante a avaliação do VAR, que o chamou a atenção para a gravidade da entrada, o mesmo árbitro foi ao monitor e a cor do cartão mudou: de amarelo passou a vermelho. O Benfica ficou reduzido a dez unidades, e isto quando havia ainda mais de meia hora de jogo pela frente.

A expulsão do capitão dos encarnados revelou-se verdadeiramente o ponto de viragem. A partir dali, a estrela de José Mourinho brilhou, mas porventura de forma demasiado conservadora. Sem centrais de raiz no banco, o técnico lançou Enzo Barrenechea para o centro da defesa e sacrificou Prestianni, ficando claro que a prioridade passava a ser segurar o 2-0. Só que sem Prestianni a equipa da Luz recuou de forma ostensiva, entregando o seu meio-campo defensivo ao Famalicão que passou a ter um corredor preferencial para chegar com perigo à baliza de Trubin.

Mourinho, o recuo
e o descalabro

Com menos um, o Benfica baixou linhas. José Mourinho, conhecido pela sua mestria tática, optou por um ferrolho. Dedic e Barreiro fecharam os corredores, e a equipa encarnada praticamente abdicou de atacar, passando a lançar-se em transições raras e cansadas. Foi uma aposta no sofrimento, procurando segurar o resultado e impedir males maiores.

O problema é que o Famalicão, diante da sua massa adepta, sentiu o cheiro a sangue. Aos 67 minutos, numa jogada onde a bola ainda ressaltou em Dedic, Mathias de Amorim reduziu para 1-2, reacendendo a esperança minhota. O estádio, que estava amortecido, explodiu. E o Benfica tremeu.

O canto que não existiu
e o golo do empate

Contudo, o pior estava para vir, e aí a arbitragem voltou a entrar em cena de forma decisiva. Aos 78 minutos, num lance que daria origem ao empate, Gustavo Correia assinalou um pontapé de canto a favor do Famalicão. As imagens, no entanto, mostravam de forma clara que o último toque da bola antes de sair pela linha de fundo foi num jogador da casa: devia ter sido assinalado um pontapé de baliza para o Benfica.

Entre o que deveria ter sido e o que foi realmente foi a distância de um erro grave, que o mesmo é dizer a distância de mais um golo e da perda de pontos para que foi diretamente prejudicado pelo erro. Dessa bola parada mal assinalada, eis senão quando a bola sobra para Abubakar que, dentro de área, desviou para o fundo das redes da baliza de Trubin: estava feito o 2-2. A falta de concentração defensiva do Benfica foi evidente, mas o erro de base da equipa de arbitragem ficou uma vez mais bem patente, inaceitável a este nível num jogo em que tudo está em causa.

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O golo que não entrou
e os eternos 15 minutos

Já nos descontos, o Famalicão esteve perto da reviravolta histórica. Numa das muitas incursões finais, a bola foi enviada com violência contra o ferro da baliza de Trubin. No ressalto, a bola bateu nas pernas do guarda-redes ucraniano e deixou a ideia de que iria ressaltar para dentro da baliza. A verdade é que o esférico acabou por sair de forma caprichosa pela linha de fundo, acabando por não dar lugar ao golo que colocaria ainda mais o campeonato e a arbitragem completamente sobre brasas, isto porque o Famalicão teria ficado na frente do marcador e o Benfica voltava a ficar mais longe da tão desejada Liga dos Campeões.

Para fechar a noite de loucos, o quarto árbitro levantou a placa eletrónica a sinalizar 15 minutos de tempo de compensação (!!). É verdade que ao longo do jogo houve uma mudança na equipa de arbitragem, com a lesão de um dos auxiliares que passou a quarto árbitro, e houve a expulsão de Otamendi, mas as duas situações juntas não justificaram de forma nenhuma um tempo de compensação tão alargado, sem paralelo em outros jogos do presente campeonato.

O desconto exagerado dado pelo árbitro Gustavo Correia foi assim, mais um motivo para as críticas cerradas por parte de Rui Costa, o presidente dos encarnados, relativamente à prestação da equipa de arbitragem desta partida. “Não há justificação absolutamente nenhuma”, atirou Rui Costa, que apontou ainda para o facto de, mesmo com a paragem para substituição de um fiscal de linha, o tempo extra ser absolutamente desproporcional.

O protesto de Rui Costa
e a garantia de luta

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No final do jogo, o presidente do Benfica, Rui Costa, não poupou nas críticas, indo mais longe do que o habitual. Ele, que raramente comenta arbitragens, surgiu visivelmente indignado nos corredores do estádio famalicense em declarações aos jornalistas. “Tenho que manifestar a minha indignação e de todos os benfiquistas pelo que se passou. O Benfica já não tinha a capacidade de ser campeão, mas está a lutar pela Liga dos Campeões. Aquilo que o árbitro fez aqui foi impedir que o Benfica vá à Liga dos Campeões”, afirmou.

Rui Costa foi taxativo ao afirmar que Gustavo Correia “tentou decidir quem vai ou não à Champions” e lembrou que o mesmo árbitro já tinha estado “seis meses sem apitar um jogo do Benfica” após erros anteriores, surgindo agora “numa fase decisiva”.

Do lado de dentro do balneário, José Mourinho, visivelmente frustrado, limitou-se a declarações curtas à Sport TV, afirmando que “este jogo diz muita coisa daquilo que foi este campeonato” e elogiando a “bravura” dos seus jogadores.

O Benfica acaba assim por escorregar em Famalicão, onde empata mas não cai, ainda que tenha perdido dois pontos preciosos. Continua a depender de si para assegurar o segundo lugar, mas deu um valioso empurrão moral ao Sporting. Já o Famalicão, demonstra uma fibra moral incrível, continuando na luta pela Europa, mas com a certeza de que, no jogo deste sábado, o árbitro foi, sem dúvida, o maior protagonista.


Ficha de Jogo

CompetiçãoI Liga – 32.ª Jornada
Data2 de maio de 2026 (Sábado)
LocalEstádio Municipal de Famalicão
ResultadoFamalicão 2 – 2 Benfica
ÁrbitroGustavo Correia
Famalicão (Hugo Oliveira)Carevic, Leo Realpe, Rafa Soares, Van de Looi, Sorriso, Simon Elisor (Beney, 73′), Mathias Amorim (Pedro Santos, 90’+03′), Justin de Haas, Rodrigo Pinheiro, Gustavo Sá e Gil Dias (Abubakar, 72′).
Benfica (José Mourinho)Trubin; Dedic, António Silva, Otamendi e Dahl; Rios, Aursnes e Barreiro; Prestianni (Barrenechea, 57′), Ivanovic (Rafa, 85′) e Schjelderup (Bah, 71′).
Golos do BenficaAndreas Schjelderup (12′, g.p.), Richard Ríos (19′)
Golos do FamalicãoMathias de Amorim (67′), Abubakar (78′)
ExpulsãoNicolás Otamendi (53′, Benfica)
DestaquesPenálti não assinalado a favor do Benfica (32′); Canto inexistente que origina o golo do empate (78′); 15 minutos de tempo de compensação; Bola ao ferro do Famalicão nos descontos.
texto: Jorge Reis
fotos: © X (Twitter)

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