Num dos duelos mais aguardados da 33.ª jornada da I Liga, o Benfica não conseguiu mais, esta segunda-feira, 11 de maio, do que um sofrível empate (2-2) frente ao SC Braga, resultado que soube a muito pouco, ou quase nada, perante um adversário que deu uma lição de eficácia perante um conjunto encarnado em que houve um jovem norueguês a ter que fazer tudo… ou quase. Perante um Estádio da Luz cheio, a equipa da casa não foi além de uma exibição paupérrima, pautada pela ausência de eficácia e por uma dependência quase doentia dos rasgos de Andreas Schjelderup.
Do outro lado, os guerreiros do Minho deram um verdadeiro masterclass de eficiência, facturando dois golos de grande qualidade e saindo da capital com um ponto, roubando pontos aos encarnados que poderão ser cruciais na luta europeia. No final, o resultado não só deixou os adeptos encarnados de rastos como também atirou o Benfica para o terceiro lugar, isto depois de o Sporting, também nesta noite de segunda-feira, ter goleado o Rio Ave em Vila do Conde.






“Schjelderup +10”: a mesma velha história no Estádio da Luz
O aviso estava dado ao minuto quatro. Andreas Schjelderup recebeu, remeteu de primeira e, após um desvio, Ivanovic encostou para o fundo das redes. A euforia durou pouco: o VAR assinalou um fora de jogo do avançado encarnado por meros centímetros, o primeiro de vários momentos de frustração numa noite que se adivinhava longa. A partir daí, assistiu-se ao mesmo figurino que tem assombrado a reta final da época benfiquista.
A primeira parte foi um exercício de futebol sonolento, amarrado no meio-campo e com raras manifestações de qualidade. A única faísca de criatividade voltou a ter o nome do jovem norueguês. Aos 16 minutos, Schjelderup protagonizou uma jogada genial, serpenteando entre três adversários antes de tentar servir um companheiro, provando que, neste momento, joga num patamar acima dos restantes.








A equipa de José Mourinho, técnico que ainda não se sabe se continuará na próxima época, peca pela falta de profundidade e pela incapacidade de sustentar a posse de bola. Enquanto Schjelderup procura desequilibrar, os colegas parecem estar numa sintonia diferente, denotando uma falta de automatismos que é gritante, ainda mais se pensarmos que esta equipa está a ser orientada por um técnico que já foi considerado o melhor treinador do Mundo.
O carrossel de emoções e o tiro fatal de Gorby
A segunda parte começou da melhor forma possível para os da casa. Logo aos 46 minutos, Prestianni recuperou uma bola perdida por João Moutinho, avançou velozmente pela direita e cruzou rasteiro para o segundo poste, onde Rafa Silva apareceu a empurrar para o 1-0. Rafa dedicou o golo a Pizzi, jogador que anunciou antes dos jogos desta segunda-feira que irá terminar a sua carreira no final da temporada, o Benfica festejou, mas a festa durou exatamente 120 segundos.








É que a resposta do SC Braga foi imediata e cirúrgica. Aos 48 minutos, Victor Gómez cruzou da direita e Pau Victor, com um cabeceamento impecável, perante um central benfiquista Tomás Araújo que ficou colado ao chão a marcar o adversário com os olhos, restabeleceu a igualdade na Luz. O golo foi um balde de água fria na equipa benfiquista, que até ali parecia ter resolvido a partida.
O Benfica tentou responder, mas a noite parecia desenhada para o desespero. Aos 64 minutos, nova jogada de magia de Schjelderup pela esquerda culminou num golo de Pavlidis, mas o VAR interveio novamente para o anular, considerando que a bola tinha saído totalmente na linha de fundo antes do cruzamento, algo que aconteceu mesmo como damos conta nas imagens da nossa reportagem.








Quando tudo apontava para um final sofrido, os minhotos aplicaram a machadada final. Aos 88 minutos, num contra-ataque fulminante, Gorby, de pé direito, soltou um míssil colocado de fora da área. A bola entrou de novo na baliza do Benfica, sem hipóteses para Trubin, fazendo explodir a claque bracarense e mergulhando o Estádio da Luz no mais profundo silêncio, substituído quase de imediato por críticas a Rui Costa, o presidente dos encarnados.
Contudo, no futebol, a lei do “até ao fim” deu razão à teimosia encarnada e já nos descontos, aos 90+5, Schjelderup foi pisado na área por Vitor Carvalho. O árbitro João Pinheiro, que inicialmente nada assinalou, foi chamado pelo VAR para rever o lance e assinalou mesmo a grande penalidade. A partir da marca dos 11 metros, Pavlidis não tremeu e atirou para o 2-2, num gesto que mais pareceu um golo de orgulho do que de reação. Só que o empate era ainda assim pouco para o Benfica.











Leões rugem em Vila do Conde e aproveitam escorregadela
Enquanto a agonia rolava na Luz, o rival Sporting fazia o seu trabalho de casa em Vila do Conde. Jogando à mesma hora, os leões sofreram primeiro, mas operaram a reviravolta frente ao Rio Ave. Depois de Diogo Bezerra ter aberto o activo para o Rio Ave, Luis Suárez empatou de grande penalidade e Gustavo Mancha anotou um autogolo ainda antes do intervalo.
Na segunda parte, com o Rio Ave reduzido a dez unidades, Francisco Trincão e Geovany Quenda fecharam a goleada por 1-4, resultado que permite ao Sporting somar 79 pontos, mais dois do que o Benfica, que cai para o terceiro posto. Os comandados de Rui Borges dependem apenas de si para garantir o segundo lugar e o acesso direto à próxima edição da Liga dos Campeões, deixando os encarnados a depender de um deslize leonino na última jornada.













A arbitragem desastrosa de João Pinheiro
Se a exibição do Benfica foi sofrível, a prestação do árbitro João Pinheiro não lhe ficou atrás – antes pelo contrário. O juíz lisboeta protagonizou uma noite para esquecer na Luz, tomando decisões que deixaram os adeptos encarnados em estado de ebulição e que, numa análise fria, condicionaram de forma decisiva o rumo do jogo. O ponto alto da controvérsia aconteceu num lance que fará correr muita tinta nos próximos dias.
Tudo começa quando Prestianni, em velocidade, é derrubado dentro da grande área bracarense – um lance claro de grande penalidade que, em circunstâncias normais, daria lugar à intervenção do VAR. Só que João Pinheiro, num rasgo de “critério” no mínimo discutível, assinalou uma falta prévia de Prestianni sobre um adversário à entrada da área. O problema? As imagens mostravam, de forma inequívoca, que não houve falta anterior, tendo o árbitro inventado uma infracção onde ela não existia, e ao fazê-lo, matou qualquer possibilidade de o VAR chamar a atenção para o penálti. Genial, se não fosse trágico para os interesses benfiquistas.








E não ficou por aqui. Ao longo dos 90 minutos, a sensação que pairou no ar foi a de que tudo o que era duvidoso era decidido contra o Benfica. Os adeptos, naturalmente irritados, não pouparam criticas ao juiz que irá representar a arbitragem portuguesa no Mundial FIFA no continente norte-americano, ele que parecia decidido a fazer valer a sua autoridade de forma casmurra e pouco coerente. A falta assinalada a Prestianni foi o exemplo mais gritante de um critério que oscilou conforme o vento soprava – sempre contra os encarnados.
Num jogo em que cada ponto valia ouro na luta pelo segundo lugar e pela Champions, estas decisões arbitrais ganham um peso ainda maior. João Pinheiro não foi, seguramente, o culpado pelo empate caseiro, mas contribuiu em muito para o mesmo, com uma actuação deixou um rasto de amargura e desconfiança que manchou uma noite já de si complicada para o universo benfiquista.





Plantel curto, soluções escassas
e um atestado de incompetência ofensiva
Se a arbitragem pode ser apontada como desculpa menor, há um tema estrutural que esta noite a equipa do Benfica expôs de forma crua e dolorosa: a falta de soluções no plantel dos encarnados. Esta equipa, cara e recheada de promessas, mostrou mais uma vez que peca por uma disfunção ofensiva grave, onde a criatividade se limita a Andreas Schjelderup e onde o resto do lote parece jogar noutro ritmo, noutra dimensão.
Pegue-se no caso de Gianluca Prestianni. O argentino, dono de uma velocidade e irreverência que tanto encantam, foi neste jogo uma sombra de si mesmo. Entrou bem no lance do golo, a recuperar um erro de João Moutinho para servir Rafa, mas depois… desapareceu. Tentou remates de meia distância que sobrevoaram a baliza, perdeu bolas em zonas proibidas, e no geral demonstrou aquilo que já é um padrão: jogar de forma inconsequente, com pouca intensidade e ainda menos critério na tomada de decisão.
Leandro Barreiro, por seu turno, apresentou-se muito abaixo do que já fez noutras ocasiões. O médio luxemburguês, normalmente um esteio de segurança, esteve tímido na construção e apagado na recuperação, contribuindo para que o meio-campo encarnado parecesse um autêntico deserto por onde o Braga circulava à vontade.









Avançando no terreno, o capítulo dos avançados é, por si só, um atestado de incompetência planeada. Franjo Ivanovic, o “matador” contratado para fazer golos, passou ao lado do jogo. Para além do golo anulado por quatro centímetros no início da partida, o croata foi um zero ofensivo: mal serviu, mal finalizou, mal associou. E quando para o seu lugar entrou Vangelis Pavlidis, lançado na segunda parte, também não conseguiu ser a solução. É certo que o grego marcou o penálti do empate já nos descontos, mas durante os minutos em que esteve em campo voltou a dar a sensação de ser mais um corpo do que propriamente uma ameaça constante.
A cereja no topo do bolo da pobreza ofensiva foi a forma como o Benfica tratou os lances de bola parada. Num momento do jogo, a equipa dispôs de um livre directo em zona frontal à baliza de Hornicek – daqueles que pedem um pé certeiro, um remate violento. E quem se aproximou da bola? Fredrik Aursnes. Um trabalhador incansável, um jogador de equipa, mas certamente não um batedor de livres temível. A sua tentativa? Não um remate, mas um passe que se perdeu no nada, com a bola a sair mansamente pela linha de fundo.
Num clube com a dimensão do Benfica, exige-se muito mais e muito melhor. Não se pode esperar que um miúdo norueguês (Schjelderup) resolva todos os jogos sozinho. É preciso um plantel, não apenas um conjunto de jogadores. E esta noite ficou mais que provado que, para o ano que vem, a direcção terá muito trabalho de casa para fazer, independente de se conseguir ou não chegar à milionária Liga dos Campeões.










Noite de contestação e futuro incerto
Com o empate a prevalecer no marcador, o apito final não trouxe apenas o desalento desportivo. As bancadas da Luz transformaram-se num caldeirão de contestação. As palavras menos reproduzíveis e os assobios intensos apontaram o dedo à direcção do clube, em particular ao presidente Rui Costa. A gestão do plantel e a aposta (ou a falta dela no momento certo) no treinador José Mourinho estiveram no centro das críticas.
Acresce a este caldo um cenário de novela: José Mourinho, que havia manifestado disponibilidade para renovar, parece agora de saída. A especulação em torno de uma possível ida do técnico português para o Real Madrid ganhou força durante a semana, e o desfecho deste empate poderá acelerar a saída. A falta de confiança da estrutura na continuidade do projeto deixa o Benfica num limbo perigoso a poucos dias do fim das competições, prevalecendo a sensação de que, mesmo com um dos maiores nomes do futebol mundial no banco, as águias continuam reféns das mesmas fragilidades. Perante isso… quererá Mourinho continuar com este cenário de fundo no futebol do Benfica?








Ficha do jogo
- Competição: I Liga (Liga Portugal Betclic) – 33.ª Jornada
- Data: 11 de maio de 2026
- Local: Estádio da Luz, Lisboa
- Árbitro: João Pinheiro
- Resultado: Benfica 2-2 SC Braga
Benfica: Trubin; Dedic, António Silva, Tomás Araújo, Dahl; Barreiro (Lukebakio, 76′), Aursnes; Prestianni, Rafa, Schjelderup; Ivanovic (Pavlidis, 62′) .
SC Braga: Hornicek; Víctor Gómez, Lagerbielke, Vitor Carvalho, Leonardo Lelo (Moscardo, 83′); Tiknaz, João Moutinho, Gorby; Gabri Martínez (Dorgeles, 67′), Pau Victor, Fran Navarro (Zalazar, 75′).
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Decisões finais agendadas para sábado
Na próxima e última jornada, a 34.ª do campeonato da I Liga, a competição no que à conauista do segundo lugar diz respeito decide-se em duas frentes: o Benfica desloca-se ao terreno do Estoril, enquanto o Sporting recebe o Gil Vicente em Alvalade. Ambos os jogos estão agendados para Sábado, 16 de maio, com início marcado para as 20h30. Para o Benfica, a matemática é simples: vencer e torcer por um deslize leonino em Alvalade perante o Gil Vicente. Já para o Sporting, a ambição será apenas a de conseguir rugir novamente para garantir o cobiçado acesso à Liga Milionária.









