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Já cheira a primavera no Dragão depois de nova vitória do FC Porto

A primavera fez-se anunciar este domingo na Invicta e contagiou o FC Porto para uma tranquila vitória sobre o Moreirense (3-0), no Estádio do Dragão, em jogo da 26.ª jornada da I Liga. Os comandados de Francesco Farioli não deram hipóteses aos cónegos e resolveram a contenda ainda antes do intervalo, com golos de Gabri Veiga e Pietuszewski, tendo William Gomes fechado a conta na segunda parte, num belo remate que lhe permitiu celebrar o seu 20.º aniversário.

Foi um triunfo justo, claramente merecido, de uma equipa que dominou a partida do primeiro ao último minuto e que nunca permitiu que o adversário sonhasse com um resultado positivo. O Moreirense, limitado nas suas opções e refém de um futebol demasiado pobre para discutir o resultado no reduto do líder, apenas por uma vez conseguiu incomodar Diogo Costa – e mesmo assim foi um remate de Landerson, aos 53 minutos, que embateu no poste direito das redes portistas.

Com este resultado, o FC Porto atinge os 69 pontos e aumenta para sete a vantagem sobre Sporting e Benfica (embora os leões tenham um jogo em atraso), isolando-se cada vez mais na liderança do campeonato a oito jornadas do fim. Já o Moreirense, que soma agora quatro jornadas sem vencer, estaciona no oitavo lugar com 35 pontos.

A polémica que o VAR não quis ver

Mas nem tudo foram rosas na noite portuense. Se o resultado final não suscita controvérsia, o mesmo não se pode dizer de um lance ocorrido já na segunda metade da partida, ao minuto 58′, que poderia ter mudado o rumo do jogo – não no resultado provável, mas na forma como ele foi construído.

No lance em questão, Zaidu entrou de forma violenta sobre Diogo Travassos, com os pitons bem acima do tornozelo do adversário, numa entrada que colocou em sério risco a integridade física do jogador do Moreirense. O árbitro Carlos Macedo mostrou apenas cartão amarelo, numa decisão que deveria ter sido apertada pelo VAR, mas Cláudia Ribeiro, nas funções de VAR, não chamou o árbitro a rever o lance quando o deveria ter feito. Na verdade, Zaidu cometeu uma falta grosseira ao entrar com o piton acima do tornozelo do adversário e, com isso, pondo em risco a integridade física de Diogo Travassos, justificando-se plenamente a exibição do cartão vermelho direto.

O VAR, mais uma vez, optou por não chamar o árbitro principal para revisão do lance no monitor, permitindo que o lateral esquerdo do FC Porto continuasse em campo, somando-se assim mais uma situação a tantas outras em que a aplicação das regras devia ser igual para todos e não foi.

As opções dos treinadores e a estratégia inicial

Para este duelo da 26.ª jornada – disputado no intervalo dos oitavos de final da Liga Europa, onde o FC Porto venceu o Estugarda por 2-1 na primeira mão – Farioli promoveu algumas alterações no onze, mantendo apenas Diogo Costa, Bednarek e Zaidu do jogo europeu, fazendo regressar Martim Fernandes à direita, com Kiwior ao lado do compatriota polaco no centro da defesa. Varela, Froholdt e Gabri Veiga formaram o trio do meio-campo, atrás de Pepê e Pietuszewski nos corredores e Deniz Gül no centro do ataque.

No Moreirense, Vasco Botelho da Costa viu-se privado de sete soluções, seis delas por lesão, além do castigado Leandro Santos. As novidades foram assim Afonso Assis e Landerson no onze inicial, numa equipa que se apresentou em 4-4-2, procurando fechar as linhas e explorar eventuais transições. A estratégia passava por defender com linhas recuadas e tentar surpreender nos momentos de recuperação de bola – um plano que raramente funcionou face à pressão asfixiante dos dragões.

Primeira parte de domínio absoluto

O FC Porto entrou determinado a não dar hipóteses. Aos 14 minutos, aproveitou o primeiro erro do Moreirense na saída de bola: Afonso Assis perdeu a posse no miolo, a bola chegou a Pietuszewski, que rematou de primeira para defesa incompleta de André Ferreira; na recarga, Gabri Veiga surgiu isolado e não perdoou, apontando o quinto golo na época.

O segundo golo chegou aos 25 minutos, na sequência de mais uma bola recuperada por Pepê no meio-campo ofensivo. Froholdt, pela direita, cruzou para o segundo poste, onde Pietuszewski ajeitou e desferiu um remate em arco, indefensável para André Ferreira. O jovem polaco de apenas 17 anos marcou assim pelo terceiro jogo consecutivo, confirmando o excelente momento de forma.

Até ao intervalo, o FC Porto podia ter ampliado a vantagem por várias ocasiões. Pietuszewski falhou o bis aos 30 minutos, atirando por cima depois de nova defesa de André Ferreira, e voltou a desperdiçar aos 34, num remate precipitado após recuperação de Varela. Deniz Gül e Gabri Veiga ainda tiveram oportunidades nos minutos finais, mas o resultado chegou ao intervalo com os justos 2-0.

O Moreirense recolheu aos balneários com zero remates, apenas 36 passes no meio-campo ofensivo e dois toques na bola na área adversária. Números que espelham a diferença entre as duas equipas na primeira parte.

Segunda parte de gestão com golo de aniversário

O segundo tempo trouxe uma ligeira melhoria dos visitantes, também fruto do natural relaxamento do FC Porto, que já pensava no jogo da Liga Europa com o Estugarda e na deslocação a Braga no próximo fim-de-semana. Logo aos 53 minutos, Landerson aproveitou uma iniciativa individual pela esquerda, tricotou e rematou com força, acertando no poste direito da baliza de Diogo Costa – foi o primeiro e único remate dos cónegos com perigo.

O FC Porto respondeu aos 69 minutos, num contra-ataque em que Rodrigo Mora serviu Moffi na perfeição, com o nigeriano a obrigar André Ferreira à defesa da noite, esticando o braço direito para evitar o golo.

Mas o momento mais bonito da noite estava guardado para os instantes finais. Aos 81 minutos, William Gomes, que neste domingo completou 20 anos, recebeu de Froholdt pela direita, puxou para o meio e, de pé esquerdo, rematou colocado ao ângulo oposto, sem hipóteses para André Ferreira. Um golaço para fechar as contas e dar ainda mais brilho à celebração do aniversário do jogador brasileiro.

Análise tática: o que decidiu o jogo

O FC Porto entrou com o seu habitual 4-3-3, mas a grande diferença esteve na forma como explorou a superioridade numérica no meio-campo. Varela, posicionado entre linhas, recebia bola sem pressão e desequilibrava, enquanto Froholdt e Gabri Veiga chegavam com frequência às zonas de finalização.

Do lado do Moreirense, a estratégia de construir desde a retaguarda revelou-se um tiro pela culatra. As perdas de bola em zonas proibidas – como aconteceu aos 14 e aos 25 minutos – foram determinantes para os golos sofridos e Travassos, que atuou como lateral, foi particularmente infeliz nos momentos de recuperação defensiva, permitindo que Pietuszewski decidisse sozinho no segundo golo.

A defesa do FC Porto, que sofre apenas 0,4 golos por jogo em média, mostrou mais uma vez a sua solidez. Diogo Costa foi praticamente um espectador durante grande parte do jogo, acabando por ver a sua baliza ameaçada apenas pelo remate ao poste de Landerson.

Foco no futuro: a primavera pode ser de títulos

Com esta vitória, o FC Porto atinge os 69 pontos e coloca-se em posição confortável para a reta final do campeonato. A vantagem de sete pontos sobre Sporting e Benfica (embora os leões tenham um jogo em atraso) permite aos dragões gerir o esforço nas competições europeias sem perder o foco no objetivo principal.

Já na quinta-feira, a equipa de Farioli recebe o Estugarda para a segunda mão dos oitavos de final da Liga Europa, com a vantagem de 2-1 trazida da Alemanha. Depois, no fim-de-semana, há deslocação a Braga, num jogo que pode ser decisivo para as contas do título.

O Moreirense, por seu lado, terá de recompor-se rapidamente para travar a série de quatro jornadas sem vencer. No sábado, recebe o Arouca (12.º classificado), num jogo que vale a possibilidade de voltar aos bons resultados e consolidar uma classificação que, apesar deste desaire, continua tranquila tendo em conta o objectivo da conseguir um lugar a meio da tabela.

Assim, no final da noite, ficou a sensação de que o FC Porto venceu com justiça, face ao domínio esmagador que exerceu durante praticamente todo o jogo. É certo que ficou a nuvem cinzenta a ensombrar o trabalho da equipa de arbitragem, depois da entrada de Zaidu sobre Travassos, que devia ter sido punida com cartão vermelho direto e não foi., mas em termos globais, a vitória foi bem conseguida, em jeito de anúncio da primavera que chega no próximo fim‑de‑semana.

texto: Jorge Reis
fotos: João Mota

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