O Benfica e o FC Porto empataram (2-2) este domingo, no Estádio da Luz, num clássico da 25.ª jornada que teve de tudo: um primeiro tempo de sentido único, uma recuperação heróica dos encarnados e um final frenético com um penalty pedido e não assinalado que promete dar que falar. Os dragões, que venciam por 0-2 ao intervalo, permitiram a igualdade na segunda parte e falharam a oportunidade de fugir isolados na liderança numa jornada em que também o Sporting perdeu pontos ao empatar em Braga.
O Estádio da Luz apresentava-se lotado, com 66.366 adeptos nas bancadas, num ambiente elétrico que começou com uma bonita homenagem ao Dia Internacional da Mulher e um minuto de silêncio em memória do escritor António Lobo Antunes, na verdade nada respeitado pelos adeptos portistas que poderiam ter mostrado aí algum decoro e fair-play que não tiveram. A fervura nas bancadas, no entanto, rapidamente se transferiu para o relvado, onde se esperava um duelo ao rubro entre o líder do campeonato e um Benfica ainda invicto, mas desesperado por pontos para se manter na luta pelo título.










A promessa de fogo de artifício durou pouco e, literalmente, esfumou-se aos 3 minutos, quando o fumo de artefactos pirotécnicos obrigou a uma breve interrupção do jogo. As duas equipas, cobertas por uma forte neblina dos engenhos detonados pelos Diabos Vermelhos, tiveram assim que parar o jogo que só regressou quando o árbitro João Pinheiro assim o entendeu. O fumo acabou mesmo por se dissipar, e quem apareceu por essa altura para assombrar a noite na Luz foi o FC Porto.
Furacão azul e branco
na primeira parte
Recuperada a visibilidade no relvado, a equipa de Francesco Farioli entrou com um plano de jogo perfeito e uma eficácia devastadora. Aos 10 minutos, num lance de grande visão, Alan Varela partiu a defensiva do Benfica com um passe a rasgar para Froholdt. O dinamarquês, isolado, sem cobertura eficaz por parte dos centrais encarnados, fez um primeiro remate a que Trubin respondeu com uma defesa para a sua frente, permitindo que o mesmo Froholdt apostasse numa recarga eficaz para o primeiro golo do jogo.











O 0-1 a favor dos dragões bem cedo no marcador não abateu o Benfica, que tentou responder com Rafa e Prestianni, mas os encarnados esbarravam na muralha organizada dos dragões. Martim Fernandes esteve perto de fazer um autogolo, e Schjelderup testou Diogo Costa com um livre perigoso, mas o líder da I Liga não se limitava a defender.
Aos 40 minutos, num contra-ataque cirúrgico, o jovem polaco Pietuszewski, de apenas 17 anos, foi lançado no meio-campo da equipa da casa, recebeu a bola já perto da área e, num confronto individual, num um para um em que o miúdo portista não se atemorizou perante o veterano e campeão do Mundo Otamendi, deu um verdadeiro nó cego no defesa argentino deixando-o sentado no relvado, rematando colocado para o golo, sem hipóteses para Trubin: estava feito o 0-2.
Os adeptos do Benfica nas bancadas do Estádio da Luz assistiam incrédulos ao domínio portista, e ainda viram Gabri Veiga obrigar Trubin a uma defesa de grande nível nos descontos. O marcador, porém, não sofreu mais alterações pelo que, ao intervalo, a vantagem de dois golos para o FC Porto era justa e o título parecia ganhar cores definidas em tons de azul e branco.










A reação, o banco e o coração
Sem meio-campo, a defender de uma forma lenta e pouco intensa, e com alguns elementos em clara sub-rendimento, como Rafa, Prestianni e Otamendi, o Benfica não encontrava soluções para se opor com eficácia ao melhor futebol do FC Porto. E o mais difícil de aceitar para os adeptos do Benfica foi o tempo, sem dúvida prolongado, que o técnico José Mourinho demorou a mexer na sua equipa.
Curiosamente, o que conseguiu mudar o jogo foram, precisamente, as substituições nos encarnados. Até aos 65 minutos, o Benfica pouco ou nada criava, mas a entrada de Ivanovic e, sobretudo, de Lukebakio, que entraram por troca com Rafa e Prestianni, deu outra dinâmica ao ataque encarnado. Logo aos 69 minutos, o belga recebeu na direita, cortou para o meio e rematou de canhota ao poste. A bola ressaltou para a pequena-área e, na recarga, Schjelderup apareceu com toda a frieza para encostar para o fundo das redes e devolver a esperança à Luz.










O FC Porto sentiu o golo e recuou, algo que se revelaria fatal. O técnico italiano Francesco Farioli mexeu mal ao tirar peças fundamentais como Pietuszewski, ele que foi um dos melhores da equipa portista na primeira metade da partida, e a equipa perdeu capacidade de segurar a bola e sair em transição.
Com o golo de Schjelderup, o Benfica, empurrado por mais de 60 mil vozes, instalou-se no meio-campo adversário e acreditou. Mourinho voltou a mexer, chamou a jogo Leandro Barreiro e Bah, e aos 88 minutos, num lance de insistência, António Silva recuperou a bola, Ivanovic tabelou com Bah na direita e cruzou atrasado para a entrada da área. Leandro Barreiro, apareceu de primeira já dentro da área e, com um remate colocado ainda que conseguido em desequilíbrio, bateu Diogo Costa para o empate desejado pelos encarnados. Estava feito o 2-2.










Fim frenético e um travo de polémica
Os minutos finais e o extenso tempo de compensação foram de autêntico cerco do Benfica. O FC Porto, encostado às cordas, limitava-se a aliviar. Já nos descontos, num primeiro remate de Dahl intercetado, Ivanovic volta a tentar, mas a bola morre nas mãos de Diogo Costa.
Até que, no derradeiro lance da partida, um cruzamento/remate de Schjelderup na esquerda é defendido por Diogo Costa para a frente. Na disputa pela bola solta, o guarda-redes do FC Porto choca com Pavlidis e agarra a bola. Para João Pinheiro não foi penálti, mas para as câmaras e para a grande maioria dos presentes na Luz, o contacto ficou evidente. Só que o VAR não chamou o árbitro e o apito final soou pouco depois a carimbar o empate como resultado final, deixando um ambiente de revolta nas bancadas.










A classificação e a luta pelo título
Com este empate, e sabendo que o Sporting também tinha empatado no dia anterior em Braga (2-2), a classificação mantém o FC Porto na liderança, agora com 66 pontos. O Sporting é segundo com 62, e o Benfica segue em terceiro com 59, isto quando faltam nove jornadas no campeonato da I Liga.
O dragão, que esteve a vencer por dois golos, deixou fugir uma oportunidade de ouro para abrir uma vantagem de seis pontos para os leões e praticamente afastar o Benfica da corrida. Agora, a distância é de quatro pontos para o Sporting e de sete para as águias.











Para o Benfica, o empate final, face à desvantagem de dois golos que se registou ao intervalo, teve um sabor mais agradável, mas a forma como terminou, em cima do adversário e com um penálti por marcar, deixa um travo amargo e a sensação de que poderia ter conquistado três pontos preciosos, desde logo se não tivesse dado a primeira parte de avanço para o conjunto azul e branco.
A luta pelo título, ao contrário do que parecia ao intervalo, continua mais viva do que nunca, com três candidatos separados por sete pontos e nove jornadas por disputar. O Benfica terá a tarefa mais difícil, até pelo calendário que tem pela frente, e o mais provável é que sejam dragões e leões a lutar pelo ceptro de campeão, mas o campeonato promete estar aí até ao lavar do último cesto.









