Pela calada da noite, a operação militar norte-americana denominada ‘Absolute Resolve’ entrou em Caracas e raptou Nicolás Maduro e a mulher, que foram levados para os Estados Unidos onde o presidente venezuelano será julgado.
Com ‘Determinação Total’, o nome da operação em português, forças especiais dos Estados Unidos (EUA) atuaram na Venezuela, em Caracas e noutros estados durante a madrugada no país, conseguindo capturar o presidente e a mulher Cilia Flores. Terão sido embarcados no navio Iwo Jima, da Marinha norte-americana até à base dos EUA, em Guantánamo, em Cuba. Daí, de avião chegaram à noite a Nova Iorque, onde os EUA querem julgar Maduro por narcotráfico e terrorismo.
Donald Trump, presidente dos EUA, foi quem divulgou a primeira foto de Nicolás Maduro algemado, com os olhos vendados e com tampões nos ouvidos, tirada provavelmente no avião que transportou o presidente da Venezuela até solo norte-americano, onde desembarcou igualmente algemado e encapuçado.

Petróleo e governação
Donald Trump fez saber que assistiu a toda a operação militar em Caracas, que estaria a ser preparada há várias semanas, através de um ecrã, como “se estivesse a assistir a um programa de televisão”, na sua casa na Florida, em Mar-a-Lago. Foi aí que, à tarde, o presidente dos EUA falou à imprensa assumindo que os EUA governarão a Venezuela até que haja uma transição “justa e calma” no poder.
Trump assegurou ainda que as companhias norte-americanas de petróleo vão voltar a operar livremente na Venezuela – o país com as maiores reservas mundiais – e que irão vender crude para todo o mundo. De permeio, na comunicação, deixou ainda uma ameaça a Cuba: “Se vivesse em Havana e fizesse parte do Governo, estaria preocupado.”



Portugueses sem problemas
Com uma comunidade portuguesa e de luso-descendentes na Venezuela de mais de um milhão de pessoas, o presidente Marcelo Rebelo de Sousa e o primeiro-ministro anunciaram estar a acompanhar atentamente a situação no país da América do Sul.
Durante o sábado da operação militar, nenhum problema foi registado entre os portugueses na Venezuela, sendo que a situação no país vai ser avaliada já na próxima sexta-feira, em Conselho de Estado.
Elogios e condenações
Com a oposição venezuelana a aplaudir a captura de Nicolás Maduro, a nível internacional o aplauso a Trump veio do ‘amigo’ primeiro-ministro israelita Benjamin Netanyahu e até do presidente francês Emmanuel Macron, para quem “o povo venezuelano viu-se livre da ditadura de Nicolás Maduro e só pode regozijar-se”.
Macron sugeriu ainda que “o presidente Edmundo González Urrutia, eleito em 2024, possa assegurar uma transição rápida” na Venezuela, referindo-se ao diplomata que alega ter sido eleito com 67% dos votos quando enfrentou Maduro há dois anos.
Curiosamente, ao contrário de Macron, o ministro dos Negócios Estrangeiros francês, Jean-Noël Barrot , condenou a operação militar dos EUA por violar os princípios do direito internacional, sublinhando que nenhuma solução política duradoura pode ser imposta do exterior.
Da mesma forma, o primeiro-ministro espanhol apela ao respeito pela Carta das Nações Unidas e a uma transição dialogante, assegurando que Espanha não irá reconhecer a intervenção norte-americana na Venezuela, após Donald Trump anunciar que os Estados Unidos governarão o país – um processo a seguir no próximos dias e que muitos analistas consideram poder ser o ‘Vietname de Trump’, dada a resistência já prometida por parte de muitos venezuelanos.









