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Benfica entra na nova época a perder frente ao St. Gallen

Sem chama nem glória, tal como sem qualquer garra nem inspiração, o Benfica entrou nos jogos oficiais na temporada de 2026-2027 com uma derrota por 2-1 frente aos suíços do St. Gallen, no estádio Kybunpark, jogo da segunda pré-eliminatória de apuramento para a Liga Europa. Com uma exibição apagada, sem ideias nem valores individuais a aparecerem, os encarnados terá agora que recuperar desta derrota se quiserem levar de vencida este primeiro passo na discussão de acesso à Liga Europa, a qual será concluída na próxima semana com novo jogo entre estas duas equipas no Estádio da Luz, em Lisboa.

Depois de já ter somado um primeiro resultado negativo durante a pré-época, frente aos brasileiros do Flamengo, no Estádio do Algarve, o Benfica agora às ordens de Marco Silva apareceu na Suíça, neste primeiro compromisso oficial da temporada, ainda muito desfalcado no que diz respeito às principais figuras do plantel, muitos deles ainda férias depois de terem participado no Mundial FIFA’2026, como Schjelderup, Ríos, Lukebakio ou Aursnes. A somar a tudo isso, Marco Silva não pôde contar para este jogo com Barreiro, lesionado, e resolveu apostar num jovem de apenas 17 anos, Guerreiro, ele que assinou uma exibição de bom nível, ainda que fique marcada esta sua estreia na equipa principal do Benfica pelo resultado negativo e a prestação sofrível de todo o conjunto encarnado.

A aposta ousada de Marco Silva

A grande surpresa do onze inicial estava mesmo no meio-campo. Com as baixas de peso e a necessidade de rodar o plantel, Marco Silva decidiu lançar Miguel Figueiredo, uma das joias da formação encarnada, no lugar do mais experiente Enzo Barrenechea, que começou a partida no banco. Uma decisão que, será preciso afirmar, tinha algum risco associado, ainda para mais num jogo oficial e fora de portas, numa competição europeia que não perdoa erros. Por outro lado, esta aposta no miúdo do plantel, deixando de lado uma aposta da última temporada que envolveu muitos milhões de euros, deixou claro que Berrenechea não é propriamente um jogador com quem Marco Silva conte para esta nova época.

O certá é que o jovem médio Miguel Guerreiro, que na época passada somou um golo em 24 jogos pela equipa B, não desapontou completamente. Mostrou personalidade, não se escondeu do jogo e até revelou algum discernimento tático, mas a verdade é que a equipa, como um todo, esteve longe de o ajudar. A inexperiência do jovem de 17 anos acabou por ser mais um sintoma de um Benfica sem ideias do que propriamente um problema individual. Enzo Barrenechea acabou por entrar na segunda parte, mas a essa altura o St. Gallen já tinha feito o seu trabalho de casa e a equipa encarnada parecia incapaz de encontrar o fio ao novelo.

A ausência que se fez sentir

A lista de ausências era grande e sentiu-se. Aursnes, Schjelderup, Ríos ou Lukebakio, todos eles peças fundamentais no xadrez de Marco Silva, ficaram de fora por terem estado ao serviço das respetivas seleções no Mundial. A estas baixas juntou-se ainda a de Leandro Barreiro, por motivos de doença, obrigando a uma remodelação forçada no meio-campo .

O onze inicial, composto por Trubin; Alexander Bah, António Silva, Clément Lenglet e Samuel Dahl; Miguel Figueiredo, Manu Silva, Rafa Silva e Sudakov; Jakub Kaminski e Vangelis Pavlidis, nunca conseguiu encontrar sincronia. A ideia de jogo parecia inexistente, a posse de bola era estéril e as transições ofensivas, quando aconteciam, esbarravam na defensiva organizada dos suíços.

Do lado do St. Gallen, a história foi outra. A equipa suíça, que partiu para este jogo como clara ‘underdog’, mostrou exatamente o oposto: garra, organização e uma eficácia cirúrgica. Aproveitaram as fragilidades defensivas do Benfica nos lances de bola parada e souberam gerir o resultado com a inteligência de quem está habituado a estas batalhas.


Ficha de Jogo

  • Competição: Liga Europa – 2ª Pré-Eliminatória (1ª Mão)
  • Data: 23 de julho de 2026
  • Local: Kybunpark, St. Gallen (Suíça)
  • Resultado: St. Gallen 2-1 Benfica

Golos:

  • 1-0 Aliou Baldé (38′)
  • 1-1 Rafa Silva (44′)
  • 2-1 Tom Gall (80′)

Equipa do Benfica: Trubin; Alexander Bah, António Silva, Clément Lenglet e Samuel Dahl; Miguel Figueiredo (Enzo Barrenechea, 66′) e Manu Silva (João Rego, 84′); Rafa Silva, Sudakov e Jakub Kaminski (Tiago Gouveia, 66′); Vangelis Pavlidis (Ivanovic, 76′).

Equipa do St. Gallen: Ati-Zigi; Tom Gaal, Stanic (Ruiz, 90’+03′), Okoroji, Vandermersch, Daschner, Görtler, Boukhalfa (Frokaj, 72′), Stevanovic, Aliou Baldé (Hunziker, 72′) e Witrzig (Besio, 72′).

Ação Disciplinar: Amarelos – Daschner (30′), Görtler (30′), Stanic (72′), Pavlidis (74′) e Gaal (90’+04′).

Árbitro: Luca Pairetto (ITA)


Um resultado que sabe a aviso

Com este 2-1, o Benfica fica obrigado a vencer na segunda mão, no Estádio da Luz, por mais de um golo de diferença para se garantir na fase seguinte da competição. É um resultado que sabe a muito pouco para a dimensão do clube e que coloca desde já uma pressão extra sobre a equipa técnica e os jogadores.

Vai ser preciso uma reação de caráter na próxima semana, em casa, com o apoio dos adeptos, para dar a volta a esta eliminatória, sob pena de os encarnados poderem cair para a terceira pré-eliminatória da Liga Conferência, perdendo o comboio para o acesso à Liga Europa. É caso para dizer que a época mal começou e já há um primeiro teste a sério para Marco Silva e os seus comandados, sendo certo que a exibição na Suíça deixou muitas dúvidas e a resposta do grupo de trabalho do futebol das águias terá que aparecer de forma assertiva e muito rapidamente.

texto: Jorge Reis
fotos: ©SL Benfica

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