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Rui Costa trava a entrada de fundo americano na SAD do Benfica

O Benfica, com Rui Costa no comando, conseguiu impedir que o fundo norte-americano Entrepreneurial Equity Partners (EEP) entrasse no capital da SAD dos encarnados. O clube da Luz emitiu um comunicado esta terça-feira a dar conta que os americanos renunciaram à compra da participação de 16,38% que pertencia a José António dos Santos, o conhecido “Rei dos Frangos”.

O negócio, que rondaria os 40 milhões de euros — com as ações a serem negociadas entre 10 e 11 euros  — foi anunciado em abril e faria do EEP o segundo maior acionista da Benfica SAD, ficando atrás apenas do próprio clube. Mas a administração liderada por Rui Costa invocou os estatutos da SAD para travar a operação.

O argumento do Benfica está no artigo 13.º dos estatutos, que permite bloquear aquisições de participações superiores a 2% por parte de investidores considerados concorrentes. E foi precisamente aí que o negócio tropeçou: o EEP tem planos de investir em outros clubes europeus, o que poderia criar conflitos com os princípios de não concorrência da SAD benfiquista.

Segundo o comunicado do clube, a decisão acabou por ser consensual. Durante o período do pré-acordo com o Grupo Valouro e José António dos Santos, houve reuniões produtivas e troca de informação que levaram ambas as partes a concluir que o plano de crescimento do fundo — que inclui participações minoritárias noutros clubes europeus — poderia colidir com os estatutos do Benfica. Por via disso, ficou entendido que, para proteção de ambas as partes, o melhor era não avançar.

O empresário Tim Leiweke, que lidera o EEP com a sua filha Francesca Bodie, já tinha investido recentemente no Venezia FC, clube que subiu à Serie A esta época. Aliás, Francesca Bodie foi nomeada presidente do clube italiano, o que poderia levantar ainda mais questões de concorrência, situações que estiveram assim na base deste desfecho.

Curiosamente, José António dos Santos não mostrou surpresa com o desfecho deste negócio com os norte-americanos, ficando ainda assim por se saber se o Benfica poderá adquirir em nome próprio a participação accionista do “Rei dos Frangos”, reforçando, afinal, a força do clube relativamente à SAD. Para já, em declarações ao Jornal de Negócios, o empresário José António dos Santos desdramatizou a situação e garantiu que há outros interessados na compra das suas ações, o que permite entender que este é um dossier ainda longe de ser dado como encerrado.

Em consequência destas negociações, as ações do Benfica fecharam esta terça-feira em queda de 1,41%, nos 7 euros, sendo que o “Rei dos Frangos” continua, pelo menos para já, com uma participação de 16,38% na SAD encarnada.

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