Uma investigação da Parques de Sintra identificou a ala do Palácio de Queluz onde a rainha viveu a última fase da vida, salas que são agora palco de uma exposição.
A empresa que gere o Palácio de Queluz esclarece que a ala onde a rainha espanhola passou os últimos dias inclui cinco salas, agora visitáveis, a saber “a Sala de Entrada, a Ante-Câmara, que correspondia à sala de espera, o Oratório, espaço devocional da monarca, a Câmara ou Quarto de Dormir, destinado ao repouso e à toilette da rainha, e o Camarim, que tinha a função de sala de estar privada.
Fotos PSML – EMIGUS
Entre móveis, pinturas, objetos devocionais e decorativos, os aposentos de D. Carlota Joaquina apresentam também algumas peças que foram adquiridas recentemente pela Parques de Sintra e que estão expostas ao público pela primeira vez.
É o caso de uma Cruz-relicário do Santo Lenho com uma representação escultórica da ‘Pietà’ de Miguel Ângelo, produzida em Itália, no início do século XIX, e que pertenceu a D. Carlota Joaquina. Desconhecia-se o seu paradeiro desde que foi vendida em leilão após a morte da rainha. Recentemente, apareceu em leilão, sem estar identificada a sua propriedade original. A equipa da Parques de Sintra reconheceu a peça, recuperou-a e trouxe-a de volta a casa, quase duzentos anos depois.
Outra novidade é um retrato de D. Carlota Joaquina, da autoria do pintor Luis de la Cruz y Ríos, que mostra a rainha nos últimos anos da sua vida. Há também um retrato de D. Miguel I, o filho que a rainha sempre apoiou na defesa da causa Absolutista, uma obra, atribuída a João Baptista Ribeiro, executada entre 1828 e 1830.
A Parques de Sintra realça que a nova museografia da ala conta, igualmente, com o empréstimo de duas pinturas pertencentes ao acervo do Museu Nacional Machado de Castro, que nunca foram mostradas ao público: um retrato de D. Carlota Joaquina, representada na qualidade de Princesa do Brasil, e outro de D. Pedro Carlos de Bourbon e Bragança (1786-1812), que habitou estes aposentos antes da terem sido ocupados pela monarca, que era também sua tia.
D. Carlota Joaquina nasceu a 25 de abril de 1775, no Palácio de Aranjuez, em Espanha, filha de Carlos IV e de Maria Luísa de Parma, reis de Espanha. Com apenas 10 anos, chegou a Portugal para casar com o infante D. João, futuro rei D. João VI. O casamento foi consumado em 1790 e dele resultaram nove filhos.
Após o incêndio do Palácio da Ajuda, em 1794, a família real fixou a sua residência no Palácio de Queluz e aí permaneceu até à transferência da corte para o Brasil, em 1807. Em 1821, a família real regressou a Queluz. Em 1824, D. Carlota Joaquina apoiou abertamente o seu filho D. Miguel na causa absolutista, nunca tendo jurado a constituição de 1822.
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