Os dragões de Francesco Farioli acabaram por sofrer bem mais do que o esperado frente a um Académico de Viseu irreverente que discutiu a eliminatória da Taça da Liga até ao derradeiro minuto. Ainda assim, com a vantagem construída com um golo obtido de uma grande penalidade no mínimo polémica, e quanto a nós mal assinalada, os campeões nacionais conseguiram mesmo ultrapassar o conjunto viseense, garantindo a presença na Final Four da Taça da Liga agendada para o Estádio Magalhães Pessoa em Leiria.
Com a vitória tangencial sobre o Académico de viseu, o FC Porto está assim na Final Four da Taça da Liga, garantindo desde já um feito que na última temporada não conseguiu. Esta quarta-feira, no Estádio do Dragão, os dragões venceram o Académico de Viseu por 1-0, num jogo decidido por uma grande penalidade assinalada já perto do intervalo, num lance que irá certamente dar que falar nos próximos dias. Francesco Farioli apostou numa equipa bastante alterada e numa mudança de sistema, mas a verdade é que o Académico de Viseu, mesmo também ele com uma equipa remendada, vendeu caro a derrota e obrigou o FC Porto a suar até ao apito final.








A aposta de Farioli
e a surpresa do Académico
Farioli surpreendeu tudo e todos com um onze inédito e uma alteração estrutural que ainda não tinha utilizado esta época no FC Porto. O técnico italiano montou uma linha de três centrais, com Nehuén Pérez, Smalling e Prpic, lançando Martim Fernandes e Souza nas alas, e dando minutos a jogadores como Gabriel Mec, Ibeon e Fofana, este último pela primeira vez a titular. A ideia era clara: rodar a equipa num jogo de Taça da Liga, mas sem perder o controlo da eliminatória. O FC Porto teve posse de bola e algumas iniciativas interessantes, mas faltou sempre aquela chama necessária para transformar domínio em golos claros.
Do outro lado, o Académico de Viseu também apresentou várias alterações, mantendo apenas dois jogadores do onze que recentemente tinha ido vencer a Alvalade. Com tantas diferenças, a equipa viseense demorou a acomodar-se, mas nunca se desmontou e foi ganhando consistência com o decorrer do próprio jogo. Mesmo com uma equipa menos rodada, mostrou organização e até teve um susto para o FC Porto, quando um erro de Ibeon quase isolou Valery Fernández, que, surpreendido, disparou sem direção.








O lance mal avaliado
que decidiu tudo
O jogo caminhava para o intervalo sem grandes sobressaltos quando, aos 43 minutos, Martim Fernandes cruzou para a área e a bola acabou por embater na mão de Hugo Gambor. O árbitro Sérgio Guelho não hesitou e assinalou a grande penalidade, tendo o VAR revisto o lance e confirmado a decisão. Só que a partir das repetições do lance, nas imagens televisivas, ficou claro que a bola ressaltou primeiro no corpo do defesa viseense antes de tocar na mão, num movimento que deveria ter levado o videoárbitro a sugerir a revisão do lance. A verdade é que o VAR nada disse, a penalidade manteve-se e Santiago Giménez, chamado a converter o castigo máximo, não perdoou e bateu Soriano, assinando o 1-0 que viria a ser o resultado final.
O lance gerou discussão, como seria de esperar, os viseenses ainda reclamaram, houve quem defendesse a decisão do árbitro, argumentando que o braço de Gambor estava afastado do corpo e que, pela lei, isso é suficiente para assinalar infração, mas a verdade é que a bola ressaltou primeiro no peito do jogador do Académico acabando por ir ao braço, num lance que, pela forma como decorreu, invalida a marcação do castigo máximo. Ficou a convicção de que Sérgio Guelho não viu o ressalto, mas copetia ao VAR ver todo o lance e esclarecer o chefe de equipa, o que não fez.
O FC Porto acabou assim por acabar beneficiado com uma grande penalidade mal assinalada que resultou no apuramento dos dragões para a Final Four da Taça da Liga em Leiria. Para efeitos práticos, o golo subiu para o marcador e revelou-se suficiente para dar o triunfo à equipa da casa.








Segunda parte sem golos,
mas com emoção e boas defesas
Depois do intervalo, Farioli foi introduzindo alguns habituais titulares para segurar o jogo e dar rotinas ao sistema, mas o FC Porto continuou sem conseguir matar a eliminatória. Soriano, guarda-redes do Viseu, foi decisivo ao negar golos a Gabriel Mec, Martim Fernandes e ao próprio Giménez, com defesas de elevado nível de dificuldade, assumindo-se como um dos melhores elementos em campo, ao mesmo tempo que o Académico tentava esticar o seu futebol, ainda que sem nunca criar verdadeiro pânico na defesa portista.
O jogo arrastou-se até ao fim com o 1-0 a subsistir, num resultado que soube a pouco para o que o FC Porto produziu, mas que foi o suficiente para carimbar o apuramento.
Francesco Farioli satisfeito,
Bruno Pinheiro nem por isso
No final, Francesco Farioli mostrou-se satisfeito, sobretudo pela resposta dos jogadores menos utilizados. “Foi muito importante ter este jogo para dar minutos aos jogadores que chegaram tarde. Vimos os 90 minutos com o Santi, que era um objetivo, e ele esteve muito bem. Também o Mec, o Souza. Muitas coisas positivas”, afirmou, admitindo ainda assim que que faltou eficácia. Todavia, fez questão de valorizar a atitude dos seus jogadores: “Faltou presença na área, mas em termos de controlo e posse foi muito bom. Foi um teste, mas tiramos muitas coisas boas, especialmente muitos jogadores importantes.”






Do lado do Académico de Viseu, o técnico Bruno Pinheiro lamentou ter perdido com um penálti que classificou de fortuito: “Foi um jogo definido num penálti casual, fortuito. O guarda-redes desvia a bola e vai ao braço do colega. É uma pena ter sido assim, mas demos uma boa resposta, fomos competitivos, o que me deixa muito satisfeito.” O FC Porto junta-se assim ao Sporting na Final Four, que se disputará em Leiria entre 5 e 9 de janeiro de 2027.









