O Benfica apresentou esta sexta-feira, 12 de Julho, formalmente, o técnico Marco Silva como novo treinador do futebol dos encarnados, numa conferência de imprensa realizada no Museu Cosme Damião onde Rui Costa deu as boas-vindas ao sucessor de José Mourinho. O presidente do Benfica, aliás, fez as honras da casa ao apresentar o técnico que chega para assumir a liderança da equipa técnica e suceder a José Mourinho, uma apresentação que aconteceu depois de um pequeno périplo pelo interior do Museu do clube da Luz, para onde Rui Costa deixou o desejo de que Marco Silva possa trazer troféus já no final da próxima época.
Os votos de Rui Costa, aliás, ficaram claros nas curtas palavras com que deu as boas-vindas a Marco Silva: “Bem-vindo mister, bem-vindo ao Sport Lisboa e Benfica, o seu sucesso será o sucesso de milhões de benfiquistas, será a alegria de milhões de benfiquistas. Seja bem-vindo a um local muito querido para todos nós, num dia em que, curiosamente, faz 79 anos que Cosme Damião partiu, e que comecemos aqui uma etapa muito bonita da história do Benfica, para que este Museu, no próximo ano, tenha mais troféus do que tem hoje.”
Perante os jornalistas, Marco Silva procurou responder a todas as respostas, começando por deixar os três vértices em que assentam o seu sentir no momento desta apresentação: honra, orgulho e responsabilidade. Depois, e mesmo depois de lhe recordarem que o próprio Rui Costa assumiu que José Mourinho não prosseguiu como treinador dos encarnados porque não quis, já que era o “Special One” quem o presidente do Benfica pretendia ver à frente ao futebol do clube da Luz, Marco Silva limitou-se a lembrar que, no momento em que falaram com ele, foi-lhe posta a questão se queria ser treinador do Benfica, e nessa altura sentiu que era ele a opção em cima da mesa, nada importando o que tinha ficado para trás.



“Acompanhei o Benfica
de longe, mas acompanhei”
Marco Silva chegou com um discurso direto, sem grandes rodeios. Assumiu logo que, apesar dos anos em Inglaterra, nunca perdeu o fio à bola do que se passava em Portugal – e particularmente no Benfica –, tendo recordado as suas passagens pelo Estoril e logo depois pelo Sporting, recusando a existência de quaisquer mágoa ou necessidade de ajuste de contas com o passado, nomeadamente pela forma como saiu do Sporting depois de ter vencido títulos para o agora rival de Alvalade.
Avançou para a Grécia, onde foi campeão, rumando depois ao futebol inglês onde sempre se sentiu bem e construiu a sua história. Pelo meio, assumiu, surgiram algumas oportunidades de regressar ao futebol português, nomeadamente pela porta do Benfica, mas ou porque não era a altura, ou porque os projetos que lhe foram propostos não foram os melhores naquela altura, só agora, quase 12 anos depois, Marco Silva acaba por regressar ao futebol português que foi acompanhando sempre que possível, nomeadamente através do visionamento de muitos jogos do Benfica.
“Procurei sempre acompanhar o máximo de jogos possível do futebol português e nomeadamente do Benfica”, disse. Claro que fez a ressalva honesta: “o foco naturalmente era outro porque a Premier League exige muito”. Mas deixou claro que não chegou aqui de paraquedas, sem conhecer a casa onde ia entrar.


Não me importa nada que perguntem
se fui a segunda ou a terceira escolha”
Com o espaço algo exíguo do Museu Cosme Damião preenchido pelos muitos jornalistas mas também pelos vários elementos da Direção dos encarnados, houve uma altura em que Marco Silva foi confrontado com o facto de não ter sido a primeira opção de Rui Costa. A pergunta apareceu, naturalmente, e ele respondeu sem floreados: “Não me importa nada que me questionem se eu fui a segunda ou terceira escolha!”
O que conta, no final do dia, é o que ele faz a partir de agora, e a partir de agora, garantiu, “o foco é total”. Até porque acredita que foi escolhido por mérito e porque o seu perfil encaixa no que o clube precisa neste momento.
Reforços?
Sim, e já agora…
Com o mercado de transferências a agitar, ainda que o foco do mundo do futebol esteja para já no Mundial FIFA no continente norte-americano, um dos temas que não poderia deixar de ser abordado nesta primeira conversa com Marco Silva rodou em torno dos reforços que poderão vir a ser contratados para o Benfica. Sobre isto, o novo técnico do Benfica não fugiu ao tema, acabando por ser bem claro ao afirmar que “o Benfica precisa de alguns reforços”.

Sobre este tema, aliás, Marco Silva deixou duas mensagens importantes. A primeira ao afirmar que lhe foi garantido que o clube não vai usar o facto de não estar na Liga dos Campeões como desculpa para não ir buscar os jogadores necessários. E a segunda quando disse que ele próprio não vai aceitar esse argumento: “Se é preciso mexer, mexe-se. Ponto final!”
“O meu contrato são dois anos.
Mas quero que sejam três”
Nesta apresentação à Imprensa, Marco Silva lembrou que assinou por duas épocas, mas deixou clara a sua ambição: quer ficar três. E a extensão automática do contrato por mais um ano acontece se for campeão.
“Vou lutar para que o Benfica seja campeão”, afirmou numa frase que transpareceu bem sentida, sem ser de todo um daqueles “soundbites” ditos apenas para agradar. Pelo menos, foi convincente.

Sobre arbitragem: promessa
de contenção… mas até certo ponto
Um dos momentos mais interessantes da conferência foi quando, apóas uma questão do LusoNotícias, abordou o tema da arbitragem, algo que na véspera tinha sido apontado pelo presidente Rui Costa como um problema vivido pelo clube na pretérita temporada. A propósito deste tema, Marco Silva admitiu que no início da carreira tentava não falar dos árbitros – “Nunca fui muito fã de falar de arbitragem” –, mas, com o passar do tempo, percebeu que nem sempre conseguia deixar de reagir. E pagou várias multas por causa disso.
Agora, promete apenas defender o Benfica e se isso significar, por vezes, falar da arbitragem, então que assim seja. “Não prometo que consiga ser sempre bonzinho”, disse, assumindo uma promessa de alguma, mas não a qualquer preço, dependendo das circunstâncias.

O “sumo” das primeiras palavras
proferidas “de águia ao peito”
Marco Silva, que pouco antes de falar aos jornalistas recebeu o cartão de sócio do Benfica e uma camisola com a referência ao seu contrato – Marco Silva 2028 –, acabou assim por se mostrar particularmente tranquilo, assumiu que este será o maior desafio da sua carreira, afirmando-se seguro do que quer e do que pode dar.
Sem fazer promessas vazias, o ex-técnico do Fulham e agora treinador do Benfica deixou claro que vai trabalhar, que quer ser campeão e que está no Benfica para fazer três anos – não dois. E se para que isto aconteça, garantiu, se for preciso bater na mesa, está disposto a fazê-lo, mesmo que isso lhe custe mais algumas multas.









