Federico Fede Valverde (Real Madrid CF) seen in action  celebrating after scoring goal next to Javi Rodriguez (Celta de Vigo) during LaLiga EA Sports game between teams of RC Celta de Vigo and Real Madrid CF at Estadio de Balaidos

Valverde salva Real Madrid no terreno do Celta de Vigo

O futebol tem destas ironias. Num jogo em que o Real Madrid pouco fez para merecer mais do que um empate, e em que o Celta de Vigo até merecia sorte diferente, foi um desvio fortuito no braço de Marcos Alonso, aos 94 minutos, que decidiu o duelo no Balaídos. A equipa de Álvaro Arbeloa venceu por 1-2, com um golo de ressaca de Federico Valverde que soube a êxito e a alívio, mantendo viva a chama de um título que parecia começar a esfumar-se.

Os merengues chegaram a Vigo com a corda na garganta. As derrotas consecutivas diante de Osasuna e Getafe tinham aberto uma clivagem de quatro pontos para o Barcelona, e a ausência de um rol de estrelas – Mbappé, Bellingham, Rodrygo e Camavinga, todos no estaleiro – augurava uma noite complicada . E, para todos os efeitos, foi. Mas o futebol reserva sempre uma última cartada, e esta noite, ela teve sotaque uruguaio e um sorriso cúmplice da fortuna.

Um fio de esperança chamado Tchouaméni

A primeira parte foi um exercício de contrastes. O Real Madrid, mesmo desfalcado, percebeu que só a vitória interessava e entrou a todo o gás. Aos 10 minutos, Vinícius Júnior, o homem mais perigoso do ataque madridista, fez tremer o poste da baliza de Radu. Foi o prenúncio do que estava para vir.

Na jogada seguinte, a eficácia falou mais alto. Num canto batido de forma inteligente por Alexander-Arnold e Arda Güler, a bola sobrou para Aurélien Tchouaméni na entrada da área. O francês, mais habituado a tarefas de contenção, soltou um torpedo rasteiro e colocado que beijou o poste antes de beijar as redes. Era o 0-1, o primeiro golo do médio na Liga desde abril de 2024, e um oásis num deserto de ideias. Era cedo demais para respirar de alívio.

A vantagem madrilena durou apenas 14 minutos. E foi, diga-se, um aviso para aqueles que ainda acreditam que Alexander-Arnold resolve problemas só com os pés. O inglês, um dos melhores passes do mundo, continua a ter dificuldades quando o que está em causa é a arte de defender. Williot Swedberg aproveitou um passe comprido, ganhou-lhe as costas com uma facilidade desarmante e, já dentro da área, cruzou atrasado para Borja Iglesias. O “Panda”, com a frieza dos goleadores, só teve o trabalho de escorar para o fundo das redes. O Balaídos explodiu em júbilo.

O sufoco madridista e o poste salvador

O golo do empate deu uma nova vida ao Celta. A equipa de Claudio Giráldez cresceu, ganhou confiança e começou a criar calafrios na defesa merengue. Antes do intervalo, Swedberg voltou a assustar, obrigando Courtois a uma defesa de grande nível que evitou a reviravolta. O Real Madrid, refém da sua falta de profundidade e da inexistência de um ponta-de-lança de referência, ia sobrevivendo como podia.

Na segunda parte, o cenário não mudou substancialmente. O Madrid mantinha a posse de bola, mas era uma posse estéril, sem rasgo, sem capacidade de partir as linhas bem organizadas do Celta. Os galegos, por seu turno, iam esperando o momento certo para o contragolpe fatal. Esse momento chegou aos 87 minutos, quando a lenda viva Iago Aspas entrou na área, livrou-se de Asencio com um requebro e rematou colocado… para acertar na base do poste da baliza de Courtois. Foi o suspiro mais fundo de uma noite de aflição.

Quando o relógio assinalava o quarto dos cinco minutos de descontos, e com o empate a saber a derrota para as aspirações madridistas, eis que o destino resolveu vestir de branco. Numa sobra de bola na entrada da área, Valverde, como quem não quer a coisa, decidiu arriscar um remate de meia-distância. O chute ia para o lado, mas encontrou o braço (ou o cotovelo) de Marcos Alonso, ex-jogador do Barcelona, e a trajetória da bola mudou de forma inexplicável, indo beijar a rede oposta à que Radu esperava. Um desvio cruel, uma vitória tão suada quanto imerecida no cômputo geral, mas que vale os mesmos três pontos que qualquer outra.

Um triunfo moral para o que aí vem

Com esta vitória, o Real Madrid chega aos 63 pontos e coloca-se a um do Barcelona, que ainda tem um jogo a menos. Mais do que a classificação, porém, este triunfo soube a injeção anímica para uma equipa que na quarta-feira tem um compromisso de peso diante do Manchester City, para a Liga dos Campeões.

Para o Celta, fica o sabor amargo de quem fez o suficiente para pontuar e saiu de mãos a abanar por um capricho do destino. A equipa de Giráldez continua sólida no sexto lugar, mas esta noite, Vigo chorou um triunfo que lhe escapou por um desvio traiçoeiro.

O futebol, esse senhor de memória curta, não se lembrará do sofrimento, nem das oportunidades falhadas. Ficarão os números, o nome de Valverde no boletim e a sensação de que, por vezes, os campeões precisam de uma ajudinha do destino. Esta noite, no Balaídos, o destino falou e falou madridista.

texto: J.R. / LusoNotícias
fotos: Maciej Rogowski

Sondagem

Qual a sua convicção pessoal relativamente ao curso da guerra na Ucrânia?

View Results

Loading ... Loading ...

Rádio LusoSaber

Facebook

Parcerias

Subscreva a nossa Newsletter

Inscreva-se para receber nossas últimas atualizações na sua caixa de entrada!