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Schjelderup desata o nó em Barcelos e relança o Benfica de Mourinho

O Estádio Cidade de Barcelos voltou a ser palco de um jogo grande esta segunda-feira, e o Benfica de José Mourinho respondeu com uma vitória suada, mas justa, por 1-2, diante de um Gil Vicente guerreiro que nunca facilitou a vida aos encarnados. Num encontro referente à 24.ª jornada da I Liga, a equipa da casa vendeu cara a derrota, mas esbarrou na eficácia de um adversário que, mesmo sem o brilho de outras noites, soube sofrer e explorar nos momentos certos a qualidade individual do seu plantel.

Foi uma noite de afirmação para o projecto de José Mourinho, que vê a sua equipa consolidar posições na tabela e, sobretudo, ganhar argumentos em campos onde o campeonato português tradicionalmente se decide: pela capacidade de vencer sem ostentação, pela pragmática e pela gestão de calendário e de balneário.

Prestianni no olho do furacão:
a resposta dentro de campo

Se há jogador que viveu dias intensos antes deste encontro, esse jogador chama-se Gianluca Prestianni. O jovem argentino esteve no centro da polémica nas últimas semanas, na sequência do playoff da Liga dos Campeões frente ao Real Madrid, com episódios que fizeram correr muita tinta na comunicação social. Mourinho, porém, não hesitou: chamou-o à titularidade e atirou-o para as chamas de Barcelos, num voto de confiança que diz muito sobre a leitura psicológica que o treinador português faz do seu grupo.

Prestianni respondeu da melhor forma. Sem estrelismo, mas com entrega, demonstrou que o foco está no que acontece dentro das quatro linhas. Não fez uma exibição deslumbrante, é certo, mas cumpriu tacticamente e mostrou personalidade para querer a bola mesmo depois de alguns passes menos acertados. Mourinho, no final, deverá ter saído satisfeito: o miúdo aguentou a pressão e deu sinais de que a tempestade pode ter passado ao largo.

Pavlidis fica em branco
e perde terreno para Suárez

Curiosamente, a noite não foi propriamente feliz para os habituais finalizadores. Vangelis Pavlidis, o grego que tem sido uma máquina de fazer golos esta época, saiu de Barcelos sem qualquer golo na conta pessoal. Uma pequena paragem na sua impressionante veia goleadora, mas que não beliscou o resultado final. O avançado até trabalhou, pressionou, deu linhas de passe, mas a baliza gilista teimou em não se abrir para ele.

A Liga, no seu sítio online, ainda começou por dar o primeiro golo dos encarnados a Pavlidis, quando na verdade foi apontado por António Silva. Aliás, até muito tarde o site da Liga apontava o avançado grego como tendo 23 golos apontados no presentes campeonato, quando na verdade leva apenas 22 golos na sua contagem individual.

Este ‘branco’ nas contas de Pavlidis tem um significado acrescido na luta pelos lugares cimeiros da tabela dos melhores marcadores do campeonato. Com os golos que não marcou esta noite, Pavlidis vê o colombiano Luis Suárez, do Sporting, respirar-lhe na nuca — ou, neste caso, ganhar-lhe fôlego. A diferença está agora reduzida, de facto, a dois golos, o que promete aquecer a discussão para as próximas jornadas. Numa altura em que o campeonato entra na fase decisiva, a corrida entre o grego do Benfica e o colombiano dos leões é um campeonato dentro do campeonato.

Andreas Schjelderup:
o norueguês que decidiu o jogo

Mas se Pavlidis não marcou, houve outro nome que brilhou e justificou plenamente a distinção de Homem do Jogo: Andreas Schjelderup. O norueguês foi o elemento desequilibrador que o Benfica precisava para desmontar o bloco defensivo do Gil Vicente.

Quando o empate teimava em persistir e os minutos avançavam com a ansiedade a crescer na parte encarnada, foi Schjelderup quem pegou na bola e resolveu. Com um rasgo de génio, típico de quem tem o drible e a decisão rápidas, o jovem extremo benfiquista fez o segundo golo dos encarnados, um remate colocado que bateu o guardião gilista e se revelou determinante para a conquista dos três pontos.

Para além do golo, Schjelderup foi uma constante ameaça pela esquerda, sempre pronto para o um para um e para fazer a diferença. Numa equipa que por vezes tende a cair na tentação do jogo mais vertical, o norueguês trouxe a pausa e a imprevisibilidade necessárias.

Benfica sofreu para vencer
por três pontos superlativos

O Gil Vicente, como era esperado, não se limitou a defender. Organizado e agressivo nos momentos certos, conseguiu perturbar a saída de bola do Benfica em vários momentos da primeira parte e chegou mesmo ao golo, criando calafrios na defesa visitante. O empate surgiu naturalmente numa jogada de insistência, mas a equipa de Mourinho mostrou uma solidez defensiva que outrora não tinha.

O técnico português mexeu bem no jogo, gerindo as substituições de forma a manter o controlo emocional da partida. Mesmo com o Gil Vicente a lançar bolas na área nos descontos, a sensação de controlo nunca desapareceu por completo. É este Benfica, mais pragmático e maduro, que Mourinho tem vindo a construir: longe do futebol champagne, mas perigosamente eficaz.

Com esta vitória, o Benfica soma três pontos de ouro numa deslocação tradicionalmente complicada. O campeonato segue o seu curso, a discussão pelo título mantém-se ao rubro, e José Mourinho prova, jogo a jogo, que a sua mão está cada vez mais evidente nesta equipa. Agora, é pensar no futuro, com Pavlidis a querer recuperar o pé para não deixar escapar Luis Suárez, e com Schjelderup a provar que pode ser muito mais do que uma promessa — pode ser uma realidade.

Segue entretanto a incógnita em relação à capacidade de Prestianni se reerguer de uma forma clara, ele que neste jogo deu o seu lugar a Lukebakio, outro jogador que terá que fazer mais para convencer Mourinho e, principalmente, para convencer os benfiquistas. Afinal, pela frente para o Benfica surge o embate com o líder FC Porto no Estádio da Luz, já no próximo domingo, um jogo que poderá decidir o campeonato a favor dos dragões caso estes vençam, mas que poderá igualmente permitir a reentrada efectiva das águias na corrida pelo 39.

texto: Jorge Reis
fotos: ©X (Twitter)

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