A forma como os portugueses tomam decisões de compra está a mudar radicalmente. Mais de 65% dos consumidores em Portugal já recorrem à Inteligência Artificial (IA) para apoiar as suas escolhas, revelando a emergência de um novo perfil: o “consumidor algorítmico”, que utiliza a tecnologia como ferramenta de proteção e validação antes de comprar.
As conclusões são de um estudo realizado pela Consumers Trust Labs, no âmbito da celebração do Dia Mundial dos Direitos do Consumidor, que se assinala a 15 de março. O inquérito, aplicado a 1.378 utilizadores do Portal da Queixa, procurou compreender o impacto da IA no ecossistema do consumo e os resultados apontam para uma transformação estrutural: a tecnologia está a reforçar o poder de decisão e a autonomia dos consumidores na escolha de marcas, produtos e serviços.
De acordo com o estudo “Utilização de IA na pesquisa e tomada de decisão de compra – 2026”, 65,1% dos inquiridos já utilizam ferramentas como ChatGPT, Google Gemini ou Grok para apoiar decisões de compra. Mais do que uma tendência passageira, a IA assume-se como um instrumento de defesa do consumidor, usado para reduzir riscos, validar reputações e escapar à influência da publicidade tradicional.
Os dados mostram ainda que 72,2% dos consumidores consideram que a IA melhorou o seu comportamento de compra, incentivando pesquisas mais aprofundadas e decisões mais informadas, além de ajudar a prevenir situações de risco. A tecnologia está, assim, a contribuir para uma maior literacia de consumo.
No entanto, a confiança depositada nos algoritmos depende diretamente da qualidade da informação que os alimenta. O estudo revela que 76,6% dos inquiridos consideram essencial que a IA seja alimentada por dados reais, atualizados e baseados em casos concretos. Já 63,3% afirmam confiar mais nas recomendações algorítmicas quando sabem que estas utilizam informações do Portal da Queixa, uma plataforma de referência em Portugal para reclamações e reputação de marcas.
Outra conclusão relevante prende-se com a perda de centralidade da publicidade tradicional: 76% dos consumidores afirmam depender tanto ou mais de informação imparcial e experiências reais do que de anúncios para tomar uma decisão de compra. A IA surge, neste contexto, como um filtro crítico, ajudando a distinguir entre promoção comercial e evidência factual.
Para Pedro Lourenço, fundador do Portal da Queixa by Consumers Trust, a mensagem é clara: “A Inteligência Artificial está a tornar o consumidor mais exigente, mais informado e mais consciente, aumentando a literacia de consumo. Num contexto digital cada vez mais complexo, a tecnologia assume-se como aliada da proteção e defesa do consumidor, desde que assente em dados transparentes e verificáveis.”
O responsável sublinha ainda que “o estudo confirma que a IA está a ser utilizada como um escudo contra mensagens promocionais, privilegiando a transparência e a reputação pública. A publicidade está em queda. Por outro lado, a fidedignidade dos dados é o maior desafio. O consumidor atual exige que a IA seja real, não apenas inteligente.”









