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Penálti inexistente abre caminho para novo triunfo do FC Porto no Dragão

Depois de ter chegado ao tempo de compensação dado pelo árbitro Iancu Vasilica com um empate que prometia complicar as contas do campeonato para o conjunto às ordens de Francesco Farioli, o FC Porto acabou por beneficiar de uma grande penalidade assinalada no primeiro de oito minutos dados pelo juiz da partida. Uma suposta carga cometida sobre Fofana, falta que claramente não existiu, permitiu ainda assim que William Gomes, chamado a transformar o castigo máximo, colocasse o FC Porto na frente do marcador, num jogo em que eram evidentes as dificuldades dos dragões em somar os três pontos.

No lance que tem tudo para permitir a polémica nos próximos dias, senão mesmo nas próximas semanas, em que o árbitro nem sequer foi chamado a rever o lance pelo VAR da partida, Fofana rematou na atmosfera e caiu dentro da área, permitindo que o árbitro fosse célere na marcação da grande penalidade. O técnico do Arouca, Vasco Seabra, acabou por ser dos que mais protestou a decisão do árbitro, mas Janko Vasilica foi soberano e nem sequer quis ver o lance no monitor.

William Gomes converteu a grande penalidade, o FC Porto saltou para a frente do marcador e, até ao final, teve ainda tempo para fazer o terceiro golo, carregando no resultado final da partida sobre o Arouca de uma forma que o conjunto beirão não merecia, tal foi a forma como se comportou ao longo dos 90 minutos no relvado do Estádio do Dragão.

Um relâmpago chamado Pietuszewski

Antes da tempestade polémica dos descontos, houve um relâmpago que iluminou o Dragão de forma incontestável. Aos 13 segundos, o FC Porto já vencia. O golo mais rápido da edição da I Liga e da história do clube no seu estádio tem nome e apelido: Oskar Pietuszewski . Numa jogada de pontapé de saída, Froholdt aproveitou um ressalto, cruzou rasteiro e o extremo polaco, com um oportunismo fantástico, desviou ao segundo poste, embatendo contra o ferro, mas vendo a bola entrar.

A dúvida inicial de fora-de-jogo e a dor no choque com o poste atrasaram a euforia, mas o VAR confirmou a validade do golo por meros centímetros. Era o início de sonho para uma equipa que procurava consolidar a liderança, mas que, paradoxalmente, esse golo relâmpago acabou por adormecer.

O monstro que adormeceu e o Arouca que acordou

A primeira parte foi um monólogo dos dragões. Alimentados por uma pressão alta asfixiante, a equipa de Farioli cercava o Arouca e não permitia que esta respirasse. Froholdt atirou ao poste, Deniz Gül e Pepê tiveram oportunidades para dilatar a vantagem, mas o intervalo chegou com um magro 1-0 que sabia a pouco face à avalanche azul e branca. O Arouca, muito por culpa própria e por mérito da pressão portista, era uma sombra, incapaz de fazer um único remate com perigo.

No regresso dos balneários, porém, eis que o cenário mudou. O FC Porto baixou a sua intensidade, passou a querer gerir a vantagem, e o Arouca percebeu que ali havia uma oportunidade. Aos 27 segundos da etapa complementar, Taichi Fukui fez a bola embater na trave da baliza de Diogo Costa, num aviso claro de que a noite podia complicar-se para os donos da casa. O jogo ganhou outra emotividade, com os dois conjuntos a trocarem oportunidades, até que aos 70 minutos, Nais Djouahra, com um remate colocado de fora da área, fez o que parecia improvável: bateu Diogo Costa e empatou a partida, gelando o Dragão.

A noite (muito) longa de Iancu Vasilica

Com o empate, Farioli mexeu na equipa. Entraram Rodrigo Mora, Moffi e William Gomes, e mais tarde Seko Fofana. O jogo partiu-se e o FC Porto atirou-se para o desespero do ataque, mas o tempo ia escapando. Até que, aos 88 minutos, o lance que ficará na história desta jornada. Seko Fofana tentou o remate na área e caiu após um ligeiro contacto com Yellu Santiago e um pontapé na atmosfera. O árbitro Iancu Vasilica não teve dúvidas e assinalou grande penalidade, mas fê-lo erradamente.

A análise fria das imagens, com efeito, é desoladora para a arbitragem. O jogador do Arouca procurou posicionar a perna direita para jogar a bola, Fofana tentou rematar e acaba por acertar no calcanhar do adversário e, ao contrário daquela que terá sido a percepção do árbitro, não houve lugar a qualquer rasteira, obstrução, pontapé ou impedimento de remate por parte do jogador do Arouca, pelo que a grande penalidade foi mal assinalada pelo árbitro e, pior do que isso, mao confirmada pelo VAR.

Na verdade, o mais intrigante, e que gerou a fúria do Arouca, foi a inação do VAR. O lance foi analisado, mas a cabine não chamou Vasilica para rever as imagens no monitor, validando uma decisão que a própria transmissão televisiva mostrou desde o primeiro minuto ser errada.

O árbitro falhou, mas a grande penalidade estava assinalada e o FC Porto tirou partido disso mesmo. William Gomes, com frieza, converteu a penalidade aos 90+1 minutos, recolocando o FC Porto na frente e desatando a loucura nas bancadas e a revolta no banco visitante .

“Duas excelentes equipas em campo”

No final, as declarações de Vasco Seabra foram carregadas de uma frustração contida e de uma ironia fina. O treinador do Arouca evitou a caserna, mas deixou o recado: “Mais do que eu, acho que vocês [jornalistas] vão poder dizer. Eu, se disser, vou ser castigado”. Lembrou que a sua equipa leva nove penáltis contra e zero a favor, e que houve “duas excelentes equipas em campo”, numa clara sugestão de que a arbitragem não esteve a esse nível.

Do lado do FC Porto, Francesco Farioli preferiu focar-se na resposta da equipa e na profundidade do plantel, numa altura em se aproximam jogos decisivos. “Venceu a ‘famiglia portista'”, atirou, dedicando a vitória a Borja Sainz, num dia em que o extremo, antigo jogador do clube, enfrentava um luto familiar. Sobre o lance, o técnico italiano não quis “perder muito tempo”, considerando a decisão “clara”.

Para consumar a noite de descontos, já aos 90+9 minutos, William Gomes, o herói da noite, cruzou de trivela para a estreia de Moffi a marcar de dragão ao peito, fixando o resultado final em 3-1. Um resultado que não espelha as dificuldades portistas, que esconde uma exibição cinzenta na segunda parte e que ficará para a história marcado por um erro de arbitragem que, muito provavelmente, decidiu o vencedor da partida. O FC Porto mantém a liderança com 65 pontos, mas a derrota do Arouca, essa, foi duplamente injusta: pelo que fez em campo e pela forma como foi roubado nos momentos decisivos.

texto: Inês Aires
fotos: João Mota

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