Chega ao mercado o Cultus Grande Reserva 2021, um vinho de edição limitada que representa o expoente máximo da filosofia de João Tique. Mais do que um simples lançamento, trata-se da afirmação de um percurso construído longe dos holofotes, assente no rigor, na paciência e numa fidelidade inabalável à autenticidade.
Ao contrário dos percursos tradicionais no setor, João Tique não herdou vinhas nem capital. O seu caminho até à produção começou na indústria da cortiça e na internacionalização de vinhos portugueses em mercados exigentes como Hong Kong, Tóquio ou Singapura. Foi essa experiência no terreno que lhe mostrou os limites da padronização e alimentou o desejo de criar um projeto autoral, de pequena escala e radicalmente fiel à sua visão do vinho.
“O Cultus Grande Reserva 2021 é o reflexo daquilo em que acredito: tempo, silêncio e respeito pela natureza. Não é um vinho feito para agradar a todos, é um vinho feito para ser verdadeiro”, afirma o produtor.
Foi em 2019 que este sonho ganhou forma definitiva, quando passou a trabalhar exclusivamente com uvas próprias, provenientes de cinco hectares de vinha na Casa do Governador, na Quinta Alta da Queimada, a norte de Évora. A localização privilegiada, entre os rios Degebe e Xarrama, confere aos vinhos uma frescura e equilíbrio singulares, elementos-chave da sua identidade.

Com o sabor
do trabalho autêntico
Na vinha, a filosofia é de intervenção mínima: sustentabilidade, trabalho maioritariamente manual e ausência de herbicidas ou fertilizantes químicos. As uvas são deixadas a maturar de forma prolongada, muitas vezes até outubro, correndo os riscos naturais do clima alentejano em nome de uma maior concentração e complexidade. Na adega, a coerência mantém-se: fermentações espontâneas, sem leveduras selecionadas, sem correções de acidez ou cor e sem adição de sulfuroso durante o processo. Cada decisão é tomada para privilegiar a expressão mais pura do vinho, mesmo que isso signifique abdicar de previsibilidade.
“O nosso trabalho procura o regresso a um Alentejo mais antigo, onde o vinho era feito com tempo e sem atalhos. A autenticidade não se fabrica, constrói-se com paciência”, sublinha.
O resultado desta abordagem encontra o seu ponto mais alto no Cultus Grande Reserva 2021. Produzido a partir de 100% Petit Verdot, trata-se de uma verdadeira raridade, com apenas 250 garrafas numeradas disponíveis. O vinho estagiou 42 meses em barrica, seguidos de seis meses em garrafa, um processo longo e rigoroso que resulta num perfil profundo, elegante e de grande estrutura, com taninos finos e uma notável capacidade de envelhecimento. Apresentado em caixa de madeira, todos os detalhes refletem o cuidado da sua criação. O preço de venda ao público é de 200 euros.

10 mil garrafas por ano
de rigor e identidade
Para além do Cultus, o portfólio de João Tique completa-se com as gamas Bellus e Suavis, que exploram diferentes expressões da mesma filosofia. A produção total ronda as 10.000 garrafas anuais, mantendo a escala reduzida e controlada que é marca do projeto.
A gama Bellus, de perfil mais intenso e gastronómico, inclui referências tintas, um Alicante Bouschet 100%, um rosé e um branco, com um preço de 28 euros. Já a gama Suavis, com um PVP de 18 euros, apresenta vinhos mais acessíveis e versáteis, sem nunca abdicar do rigor técnico e da identidade do produtor.
Presentes em cerca de 150 restaurantes, muitos deles com estrelas Michelin, além de garrafeiras especializadas e venda direta, os vinhos de João Tique circulam fora dos grandes circuitos comerciais. São procurados por quem reconhece valor na autenticidade e na visão de um produtor que fez do purismo, do minimalismo e do perfeccionismo não uma questão de estilo, mas os próprios alicerces do seu trabalho.










