O FC Porto continua em modo de gestão de esforço, ou teimosia, na frente da I Liga. Esta tarde, no Estádio do Dragão, a equipa de Francesco Farioli somou mais uma vitória tangencial, a décima da época pela margem mínima, ao derrotar o Rio Ave por 1-0, num jogo onde a falta de eficácia e a tecnologia se aliaram para impedir um resultado mais folgado.
A vitória começou a ser construída ainda na primeira metade do primeiro tempo. Aos 22 minutos, o miúdo polaco Oskar Pietuszewski, um verdadeiro ”sprinter” na esquerda do ataque portista, fez uma arrancada imparável pela esquerda antes de assistir Victor Froholdt na pequena área. O dinamarquês, dono de um pulmão inesgotável, só teve o trabalho de encostar para as redes de Van der Gouw, colocando a turma azul e branca em vantagem.










Penálti claro por marcar e um golo
anulado por oito centimetros
O golo precoce poderia indicar um atropelo dos dragões, mas o Rio Ave, numa luta desesperada pela fuga aos lugares de despromoção, não facilitou a vida ao líder. Ainda assim, o FC Porto foi criando ocasiões para ampliar a vantagem. Gabri Veiga acertou no poste com um pontapé à meia volta e, já nos descontos da primeira parte, Deniz Gul caiu na área após um corte de Nikitscher.
Os jogadores do FC Porto reclamaram de forma veemente uma grande penalidade, o árbitro David Silva nada assinalou, e manteve essa atitude já depois de consulta ao VAR, ficando o entendimento da equipa de arbitragem que o defesa do Rio Ave teria tocado primeiro na bola antes de derrubar Deniz Gul. Fica ainda assim o motivo para a polémica, isto porque as imagens deixaram à evidência que havia motivos para o castigo máximo.












E se o jogo foi travado para o intervalo com os adeptos portistas a criticarem o árbitro por não ter assinalado a grande penalidade, as críticas subiram de tom quando, no arranque da etapa complementar, foi anulado um golo de novo a Deniz Gul. O lance do golo começou por transmitir a ideia de que havia sido limpo, sem motivos para que algo impedisse ali o 2-0 para o FC Porto, mas a verdade é que o VAR anulou mesmo o tento portista depois de encontrar um fora-de-jogo ‘milimétrico’.
O VAR chamou a atenção do árbitro David Silva pois tinha encontrado, na origem do lance, um passe para Pietuszewski quando este se encontrava em posição irregular por apenas… oito centímetros. Era assim determinada mais uma ‘micro-distância’ que, apesar disso, voltou a provar a capacidade de decidir jogos e campeonatos.












Rio Ave ainda acreditou,
mas precisava de fazer mais
Perante todos estes episódios, a equipa de Sotiris Sylaidopoulos, mesmo sem criar oportunidades flagrantes, foi acreditando num milagre que nunca apareceu. Já o FC Porto, minado pela ansiedade de não conseguir matar o jogo, viu a bola embater nos ferros da baliza de Van der Gouw por mais duas vezes, num festival de pontaria enviesada ou de sorte vilacondense.
O sufoco só terminou aos 90+8 minutos, com o apito final de David Silva. Com um misto de alívio e a sensação de que podia ter sido mais tranquilo, o FC Porto segurou os três pontos e, mais importante, segurou a distância para os rivais na liderança do campeonato.












Com esta vitória, os dragões mantêm-se isolados no topo, agora com 62 pontos, mantendo a vantagem de quatro pontos para o Sporting e alargando ligeiramente para sete a diferença para o Benfica. A máquina às ordens de Francesco Farioli teima em não abrandar, mesmo dando conta de algumas necessidades de acerto, isto porque continua a fazer demasiadas curvas algo lentas e a perder potência nas retas. O próximo jogo dos dragões voltará a ser em casa, na recepção ao Arouca, já na próxima sexta-feira, dia 27 do corrente mês de fevereiro.









