No futebol, há jogos que se ganham com exibições vistosas, e há jogos que se ganham com a arte do resultado, cenário que se aplicou este domingo na Choupana onde o FC Porto provou que, para se ser líder, basta ter uma oportunidade… e não falhar. Foi isso mesmo que aconteceu no jogo desta tarde, num Estádio da Madeira cheio para ver o Nacional enfrentar o primeiro classificado: já no segundo tempo, depois de uma primeira metade sem golos, um pontapé de canto a partir do lado esquerdo do ataque portista batido por Gabri Veiga, um salto de Bednarek já dentro da pequena-área para um cabeceamento polaco e, confirmando a eficácia do aproveitamento da única oportunidade para tal, o golo que deu três pontos que sabem a ouro.
A equipa de Francesco Farioli entrou em campo profundamente mexida. As lesões de Samu (o internacional espanhol que já voltará aos relvados na presente época mereceu a dedicatória do golo de Bednarek), Martim Fernandes e Jakub Kiwior obrigaram o treinador a reinventar-se. Tentou fazê-lo, mas a verdade é que durante largos minutos, a receita não funcionou, acbando o plano ofensivo dos dragões, com Gül e Pietuszewski, a esbarrar na muralha organizada pelo técnico dos madeirenses Tiago Margarido.


O treinador do Nacional, no final, tinha razão quando afirmou que a sua equipa conseguiu “anular o jogo ofensivo do FC Porto”, num jogo em que os madeirenses não se limitaram a defender; foram briosos, competitivos e, aos 33 minutos, Jesús Ramírez até fez Diogo Costa voar para evitar o golo que podia ter mudado a história, num lance em que o guardião portista deu conta de possuir reflexos hiper-velozes.
Do outro lado, o guarda-redes Kaique assistia aos esforços portistas sem grande sobressalto. A primeira parte, com o Nacional bem melhor organizado sobre o terreno, acabou por ser marcada por equilíbrio tático, onde a raça suplantou a técnica e onde a baliza do Nacional parecia intocável.
Ao intervalo, Farioli percebeu que precisava de algo mais, acabando por mexer na sua equipa, acabando por permitir que do banco saísse a solução. A entrada de Gabri Veiga e Borja Sainz deu nova vida ao ataque, e seria mesmo a primeira jogada de Veiga que viria a determinar o resultado da partida. Aos 60 minutos, num pontapé de canto, Gabri Veiga levantou a bola para a cabeça de Jan Bednarek, e o central polaco, com um desvio certeiro, deu sequência com golo ao único remate perigoso dos dragões durante todo o encontro.
Estava assim encontrado o pormenor que fez a diferença neste jogo, o detalhe de que Tiago Margarido falou, o pormenor que separou uma equipa que luta pela permanência de um candidato ao título. Bednarek enviou a bola para dentro da baliza do Nacional, fez o golo que permitiu a diferença para o FC Porto e, com isso, naturalmente, a conquista dos preciosos três pontos que ganham outro valor em face da corrida em curso pela conquista do título de campeão na I Liga.


Com este triunfo garantido com o golo de Bednarek, nomeado no final como o “Homem do Jogo“ na partida em que os dragões lembraram o seu ex-presidente Jorge Nuno Pinto da Costa, o FC Porto soma agora 59 pontos, consciente de que a vantagem para o Sporting, que jogou apenas no final deste domingo, iria pelo manter-se nos quatro pontos, lançando a pressão para os lados de Alvalade.
Para os dragões, a liderança destacada continua firme, fruto da capacidade de vencer mesmo quando o futebol não brilha. Já o Nacional, 14.º classificado com 21 pontos, fica a lamentar a falta de pontaria num jogo onde, por detalhes, o resultado fugiu. Na Choupana, ficou a certeza de que o líder pode não ter estado espetacular, mas saiu de lá ainda mais líder.









