Numa operação militar de grande escala levada a cabo na madrugada deste sábado, 28 de fevereiro, os Estados Unidos e Israel avançaram com um ataque coordenado contra o Irão que resultou na morte do líder supremo iraniano, Ali Khamenei. O que começou como uma ofensiva cirúrgica para destruir o programa nuclear iraniano rapidamente se transformou num dia de caos e violência, com o Irão a responder com o lançamento de centenas de mísseis e drones contra território israelita e bases norte-americanas espalhadas pelo Médio Oriente, alastrando o conflito a vários países da região.
O ataque, batizado pelo Pentágono como “Fúria Épica”, teve como alvos principais instalações militares, centros de comando e, de forma decisiva, o complexo onde se encontrava o aiatolá Ali Khamenei, em Teerão. De acordo com a agência estatal iraniana Fars, o líder de 86 anos foi “martirizado no seu local de trabalho” nas primeiras horas da manhã, enquanto cumpria as suas funções.
O governo iraniano, em nota oficial, confirmou a morte e declarou 40 dias de luto nacional e sete dias de feriado geral, prometendo uma resposta que “marcará uma nova página na história do mundo islâmico”. Além de Khamenei, os ataques mataram o ministro da Defesa, o comandante da Guarda Revolucionária e vários familiares do líder, segundo fontes oficiais.

A resposta que incendiou o Médio Oriente
A retaliação iraniana não se fez esperar e, poucas horas depois, o que era um ataque bilateral transformou-se num conflito regional de proporções alarmantes. O Irão lançou uma vaga de mísseis balísticos e drones não só contra Israel, mas também contra países do Golfo que albergam bases militares dos EUA, como o Bahrein, o Qatar, os Emirados Árabes Unidos e o Kuwait.
Num dia que parecia interminável, as defesas antiaéreas de vários países foram ativadas. Em Israel, sirenes soaram por todo o território enquanto populações eram evacuadas. Os danos, porém, não se limitaram a alvos militares: no Bahrein, vários prédios residenciais foram atingidos; em Abu Dhabi, um civil morreu; e em Dubai, o luxuoso hotel Burj Al Arab sofreu um incêndio após a queda de destroços de um míssil intercetado.
A escalada foi de tal ordem que o Estreito de Ormuz, vital para o petróleo mundial, foi encerrado e o espaço aéreo de vários países foi fechado à aviação civil, deixando voos internacionais, incluindo alguns com origem em Portugal, em situação de espera ou obrigados a regressar.


O mundo reage e o futuro do Irão em aberto
Enquanto Trump e Netanyahu pediam ao povo iraniano que se levantasse contra o regime e “tomasse o poder”, as potências europeias assistiam com apreensão à escalada sem se pronunciarem e mantendo alguma expectativa. Certo é que a União Europeia começou a retirar funcionários da região e convocou reuniões de emergência, expressando a sua preocupação com a instabilidade e apelando à contenção.
A morte de Khamenei, que comandou o Irão com mão de ferro por quase quatro décadas, deixa um vazio de poder num país já fustigado por protestos internos e uma economia em frangalhos. Com a Guarda Revolucionária em estado de alerta máximo e a sucessão ainda por definir – as primeiras informações apontam para a subida ao poder do filho de Khamenei, Motjaba Khamenei, o segundo filho mais velho do líder agora morto –, a comunidade internacional teme que os próximos dias sejam de ainda mais violência, colocando em risco todo o equilíbrio, já frágil, de uma região que amanheceu em guerra e assim deverá permanecer.

Refira-se que a subida de Mojtaba Khamenei ao poder não é propriamente consensual junto do regime iraniano, isto porque enfrenta obstáculos significativos, tanto constitucionais como teológicos, e a sua nomeação está longe de ser certa.
Mojtaba Hosseini Khamenei, nascido a 8 de setembro de 1969 na cidade santa de Mexede, é um clérigo (aiatolá como era o seu pai agora falecido) que, apesar de nunca ter ocupado um cargo político formal, exerce uma enorme influência nos bastidores do regime. Veterano da guerra Irão-Iraque, é conhecido pelas suas estreitas ligações à Guarda Revolucionária Islâmica (IRGC), a força mais poderosa do país, e à milícia paramilitar Basij. Coordenava até agora o gabinete do pai e é visto como uma figura central na teia de poder que sustenta a teocracia iraniana.









