SCP 2-1 Paris Saint-Germain 3454

Sporting vence PSG com humildade tão eficaz quanto letal na Liga dos Campeões

No coração da noite desta terça-feira, 20 de janeiro, o Estádio José Alvalade transformou-se num cadinho de emoções onde se forjou uma das páginas mais vibrantes da história europeia do Sporting Clube de Portugal. Perante o campeão europeu em título, o enorme Paris Saint-Germain, porventura uma das equipas mais fortes do panorama do futebol europeu senão mesmo a mais forte, os leões às ordens de Rui Borges, um humilde treinador de Mirandela desconhecido para a alta roda do futebol europeu, tido pelas elites do próprio Sporting como demasiado plebeu, ofereceram um exemplo sublime de resiliência tática e coração. A turma leonina venceu por 2-1 nesta sétima jornada da fase de liga da Champions, garantindo a vitória num jogo que foi muito mais do que um mero triunfo desportivo, sendo antes um tónico vital, uma injeção de convicção no momento perfeito.

Desde o apito inicial que a narrativa parecia previsível: o PSG, dono de uma técnica sublime e de um plantel repleto de estrelas, desde logo com Vitinha e Nuno Mendes, mas também com Doué e Dembelé, e onde apenas João Neves primou pela ausência por se encontrar lesionado, assumiu o comando absoluto da partida. Com uma posse de bola que chegou aos estrondosos 74.6%, a equipa de Luis Enrique “acampou” no meio-campo defensivo leonino, transformando o jogo num cerco quase permanente. Rui Silva, o porteiro da fortaleza verde e branca, foi imenso, negando investidas de Fabián Ruiz, Vitinha e Nuno Mendes.

Contudo, o destino desta noite estava escrito de forma diferente. O PSG viu por três vezes a bola sacudir as redes de Rui Silva, e também por três vezes viu o árbitro Anthony Taylor, auxiliado pelo VAR, anular os potenciais golos. Primeiro, o cabeceamento de Warren Zaïre-Emery foi invalidado por uma falta clara de Senny Mayulu sobre Geny Catamo. Depois, uma finalização de Nuno Mendes foi anulada por uma mão precedente de Ousmane Dembélé. E já na segunda parte, um novo golo de Dembélé foi inviabilizado porque o “Bola de Ouro” ao serviço do PSG estava em posição de fora-de-jogo. Alvalade respirou aliviado, limpou uma ou outra gota de suor frio e manteve a fé. A resistência passiva começava a ganhar contornos épicos.

Luis Suárez fez esquecer a máscara

A viragem, como tantas vezes acontece nos grandes palcos, surgiu da mão hábil do estratega Rui Borges e do faro insaciável do seu matador. Aos 74 minutos, um canto mal despejado pela defesa parisiense encontrou Luis Suárez. O colombiano, que minutos antes falhara uma oportunidade cristalina servida por Francisco Trincão, redimiu-se com uma finalização fria e certeira, provocando uma explosão de júbilo nas bancadas. A euforia, porém, durou apenas cinco minutos, o tempo suficiente para Khvicha Kvaratskhelia, entrado no jogo a partir do banco, repor a igualdade com um remate espetacular que levou a bola a parar apenas no fundo das redes da baliza de Rui Silva.

Parecia o epílogo justo para o domínio francês. Mas os leões, e em especial Luis Suárez, tinham escrito um final diferente. Nos descontos, uma entrada fulgurante do recém-entrado Alisson Santos abriu caminho para um remate forte de Trincão. O guardião Lucas Chevalier não conseguiu segurar a bola, socou para a sua frente, e Suárez, com o instinto predador que o caracteriza, apareceu no lugar certo para cabecear, de forma irrevogável, o golo da vitória. Quando o apito final soou, os 51.428 espetadores em delírio e os jogadores em êxtase celebraram não apenas três pontos, mas uma afirmação de carácter do grupo de trabalho às ordens de Rui Borges.

Luis Suárez foi para o LusoNotícias o homem do jogo pelos dois golos que marcou, mas também pela forma como se entregou a uma missão tão importante quanto difícil de avançado perdido entre as linhas mais recuadas do PSG, por vezes solitário, aqui e ali a perder bolas, mas a desgastar e a acreditar até ao fim. Para trás fica a era da máscara de Gyokeres, surgindo agora a garra do ‘Cafetero’ a dar frutos em forma de golos.

Oitavos da Champions à distância de um jogo

Esta vitória, sem dúvida capaz de passar a integrar os compêndios como um dos melhores jogos europeus da história secular do futebol leonino, assume uma importância estratégica colossal. Coloca o Sporting, com 13 pontos, ombro a ombro com o próprio PSG na tabela da fase de liga, garantindo, no mínimo, um lugar nos play-offs para os oitavos-de-final, e pode mesmo projectar a formação de Alvalade diretamente para os oitavos, sendo poupada, se assim for, a mais dois jogos, algo particularmente útil nesta fase em que dias para treinos e descanso são cruciais nas equipas que lutam por títulos.

O Sporting terá agora que viajar até Espanha para jogar frente ao Athletic Bilbao, num jogo em que um ponto poderá até ser suficiente para carimbar o passaporte direto para os oitavos sem passar por qualquer playoff

Mais do que pelos números, a importância desta vitória ganha impacto até pelo momento em que chega. Para além de vir vitaminar o grupo de trabalho às ordens de Rui Borges quando estão a chegar novos jogadores, que entram em contexto de conquista, serve o êxito perante o campeão europeu de suplemento vitamínico para um ciclo complicadíssimo que se avizinha, começando já no sábado com uma deslocação ao FC Arouca na Liga Portugal, e culminando na decisiva jornada final da Champions em Bilbau, tendo ainda no horizonte a possibilidade de não um mais dois jogos com o FC Porto.

Numa noite em que o futebol se jogou mais com alma do que com os pés, o Sporting de Rui Borges provou que, por vezes, a coragem organizada e a eficácia letal podem silenciar até o mais talentoso dos campeões. Foi um grito de guerra que ecoará em Alvalade por muito tempo, ainda que a Liga dos Campeões do Sporting prossiga já no fim-de-semana, na deslocação a Arouca para cumprir o jogo da 19.ª jornada da I Liga.

texto: Jorge Reis
fotos: Luís Moreira Duarte

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