No Estádio dos Arcos, o ar frio de janeiro não conseguiu arrefecer a determinação do Rio Ave naquele que foi o primeiro jogo do novo ano para o Rio Ave e o Casa Pia. Neste sábado, 3 de Janeiro, a equipa de Vila do Conde encerrou a primeira volta da I Liga com uma declaração de intenções: uma vitória convincente por 3-1 sobre o Casa Pia, que vale muito mais do que três pontos. Vale a confiança, a reafirmação de um caminho e, acima de tudo, a prova de que, mesmo em fases de transição, a coragem pode ser a melhor tática.
O início não foi, contudo, um mar de rosas. Os gansos, mais uma vez surpreendentes neste campeonato, entraram com dentes afiados. Renato Nhaga, a jovem promessa visitante, foi um tormento nos primeiros compassos, criando duas oportunidades claríssimas que por pouco não abriram o marcador.
O Rio Ave parecia preso nas teias da indecisão, e André Luiz, o homem de quem tanto se tem falado, apontando-o ao Benfica, ainda escorregou num cabeceamento solitário. O primeiro tempo foi, assim, um reflexo de uma equipa a procurar o seu ritmo, um jogo “desenxabido” que deixou no ar a pergunta: como reagiriam os vilacondenses?








A resposta chegou na segunda parte, com a força de quem sabe que o momento é decisivo. Aos 54 minutos, a dupla mais temida dos de Vila do Conde acordou. Clayton, num drible incisivo que “deu cabo dos rins” ao experiente José Fonte, serviu na medida André Luiz, que só teve de encostar para o fundo das redes.
O desbloqueio trouxe alívio e, com ele, uma avalanche de confiança. Pouco depois, aos 62 minutos, veio a jóia: Brandon Aguilera, de livre direto, surpreendeu Patrick Sequeira com um remate magistral de pé esquerdo, a partir de uma posição aparentemente inofensiva.
Reação do Casa Pia
ficou-se pelo golo de honra









O Casa Pia, numa reação de orgulho, ainda conseguiu dar alguma esperança à sua bancada. Aos 83 minutos, Cláudio Mendes, em estreia pela equipa principal, aproveitou uma transição rápida e reduziu com um remate preciso. O fantasma do empate pairou sobre os Arcos durante uns curtos três minutos. Mas, tal como no primeiro golo, foi Clayton a desenhar o passe e André Luiz a escrever o ponto final.
Aos 86 minutos, com a frieza de um artilheiro de raça, o brasileiro usou a parte exterior do pé esquerdo para devolver a paz aos adeptos da casa e selar o seu bis. Celebrou com a mão no emblema do peito, acenando para a bancada, num gesto visto como um sinal de despedida que alimentou narrativas, mas que, naquele momento, simbolizava apenas entrega.
Para o Rio Ave, este triunfo é um marco tático e psicológico. Após uma série de resultados menos felizes (duas derrotas e um empate), a equipa de Sotiris Silaidopoulos não só regressou aos triunfos como o fez com personalidade, superando um início complicado e mostrando maturidade para gerir as reações adversárias.








Terminar a primeira volta no 10.º lugar, com 20 pontos, é uma base sólida, mas o que realmente importa é o como. A exibição provou que, quando a dupla formada por Clayton e André Luiz funciona, o Rio Ave tem armas para incomodar qualquer equipa do campeonato. Resta saber se esta dupla é para manter ou será desfeita neste mercado de inverno.
Quanto ao sentimento do jogo, o treinador do Rio Ave resumiu-o bem: “Para mim, o mais importante foi a forma como jogámos e a forma como ganhámos os três pontos… Acho que foi uma bela maneira de começar o ano”. E é precisamente disso que se trata. Em janeiro, com o mercado de transferências aberto e rumores sobre o futuro de André Luiz a pairar no ar, cada vitória é um argumento para manter a ambição e a unidade.








A segunda volta, que arrancará a 17 de janeiro com a receção ao Benfica, exige consistência. Os três pontos conquistados este sábado são, assim, muito mais do que um número na tabela. São a moeda de coragem com a qual o Rio Ave quer comprar um futuro tranquilo longe das zonas turbulentas da classificação. Em Vila do Conde, sabe-se que quem tem determinação tem, de facto, tudo para ser feliz. Já o Casa Pia entra o ano demasiado perto da chamada “linha de água” e o caminho só poderá ser para cima!









