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Penálti batido por Varela dá triunfo portista sobre o Vitória

Numa noite fria em Guimarães, onde o próprio estádio D. Afonso Henriques, batizado em honra do primeiro rei, parece emanar um espírito de batalha, o FC Porto travou e venceu uma daquelas guerras que definem campeonatos. Perante 28.526 espectadores e uma equipa de Vitória SC que chegava ao jogo apontada pelo próprio técnico portista, Francesco Farioli, como “a equipa em melhor forma na Liga”, os dragões fizeram valer uma máxima antiga do futebol: há triunfos que são conquistados mais com coração do que com esplendor.

O triunfo portista por 0-1, selado nos instantes finais com um golo apontado por Alan Varela na transformação exímia de uma grande penalidade, foi exatamente isso: um triunfo de carácter, que permite ao líder manter a sua vantagem confortável no topo da I Liga. A dificuldade foi muita e a turma portista soube sofrer mantendo sempre a sua pressão sobre a baliza vimaranense, mas no final os três pontos viajaram para a Invicta e o FC Porto mantém uma liderança confortável com sete pontos de vantagem sobre o Sporting e já 10 pontos para o Benfica.

À partida para este jogo, o cenário não podia ser mais desafiador para o líder do campeonato. O palco, com o seu histórico de jogos complicados para os grandes, era apenas um dos obstáculos. O principal era o adversário, um Vitória SC rejuvenescido e confiante, que havia recentemente conquistado a Taça da Liga. Farioli, ciente do perigo, preparou a sua equipa para sofrer, para ser pragmática e para esperar pelo momento certo. E assim foi.

A primeira parte foi um teste de paciência e resiliência, com o Vitória a ser mais incisivo e a chegar mais perto da baliza, inclusive com um remate na trave de Samson Aghehowa aos 27 minutos. O Porto, sem o faro de golos de Luuk de Jong (ausente por lesão), parecia estar em Guimarães para gerir mais do que para brilhar, tendo mesmo falhado uma grande penalidade, ao minuto 27′, quando Samu enviou a bola à trave perdendo o FC Porto a primeira grande oportunidade de se adiantar no marcador.

Nulo ao intervalo ilustrava o equilíbrio

A segunda parte confirmou o guião. O jogo, de altíssima intensidade, foi um vai-e-vem de duelos e transições rápidas, com o Vitória a tentar romper a organização portista e os dragões a procurar explorar os espaços na retaguarda vimaranense. O momento de rutura só surgiria nos derradeiros minutos. Aos 82, uma jogada de perigo do jovem Oskar Pietuszewski, reforço de inverno dos portistas chamado ao jogo já depois do intervalo, dentro da área do Vitória, resultou no penálti decisivo. Já sem Samu em campo, a responsabilidade, pesada como o granito minhoto, coube a Alan Varela, o médio argentino que o treinador havia confirmado como titular na véspera, afirmando que a sua presença seria fundamental para o resultado. Varela justificou a confiança com sangue-frio glacial, convertendo a penalidade aos 85 minutos e desbloqueando um jogo que parecia destinado ao empate.

O golo não acalmou a tempestade. O Vitória lançou-se em desespero no ataque, e o Porto fechou-se com unhas e dentes na defesa do resultado. A raça e o sofrimento coletivo, palavras depois destacadas pelos jogadores, foram postos à prova até ao último segundo. A tensão culminou nos descontos, com a expulsão de Telmo Arcanjo, do Vitória, após um segundo cartão amarelo. Quando o apito final soou, o alívio e a satisfação eram visíveis nos rostos azuis e brancos. Não tinha sido um baile técnico, mas uma vitória “muito batalhada”, como a definiria Thiago Silva, que compôs novamente o eixo da defesa dos dragões. Diogo Costa, o capitão, resumiu o espírito: “Sofremos juntos, vencemos juntos. Hoje foi uma vitória do querer, da raça”.

Este triunfo, embora obtido de forma sofrida, tem um valor tático e psicológico imenso para o projeto de Francesco Farioli. Mais do que os três pontos, valeu pela demonstração de que a equipa sabe vencer mesmo quando não está no seu melhor nível futebolístico, especialmente num terreno historicamente complicado. Com este resultado, o FC Porto, que mantém um registo impressionante de 17 vitórias e apenas um empate em 18 jogos, consolida a sua liderança com 52 pontos, estabelecendo uma distância considerável em relação aos perseguidores. É uma vitória que confirma a maturidade do grupo e envia uma mensagem clara ao campeonato: o caminho para o título passará, inevitavelmente, por superar a fibra e a determinação deste Dragão.

texto: Jorge Reis
fotos: ©X (Twitter)

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