Numa altura em que oos portugueses ainda se batem com as consequências da passagem recente da depressão Ingrid e da ainda presente depressão Joseph, o território de Portugal continental prepara-se para enfrentar a terceira depressão severa no espaço de uma semana. Tendo a depressão Ingrid sido devastadora e estando o país ainda a contabilizar os prejuízos e a lidar com as consequências da depressão Joseph, o Instituto Português do Mar e da Atmosfera (IPMA) alertou esta terça-feira para a rápida aproximação da depressão Kristin, um fenómeno classificado como “ciclogénese explosiva” com “potencial destrutivo muito significativo” e que pode ter um impacto “catastrófico”.
A Autoridade Nacional de Emergência e Proteção Civil (ANEPC) ativou o estado de prontidão especial de nível máximo (nível 4) para toda a orla costeira entre Viana do Castelo e Setúbal. A depressão Kristin, que se está a deslocar a cerca de 110 km/h em direção à costa portuguesa, deverá fazer sentir o seu pior impacto na madrugada de quarta-feira, entre as 03:00 e as 06:00, com a previsão de entrada em terra algures entre a Figueira da Foz e Vila do Conde. Os meteorologistas sublinham a existência de uma “incerteza considerável” quanto ao local exato, o que significa que a zona de impacto máximo poderá variar entre o distrito de Aveiro e o distrito de Leiria.
Previsões e alertas em vigor

A principal ameaça da depressão Kristin são os ventos extremamente fortes. Estão previstas rajadas na ordem dos 140 a 160 km/h no litoral a norte do Cabo Mondego e no interior das regiões Norte e Centro, podendo localmente atingir valores próximos dos 180 km/h. Devido a este perigo, o IPMA emitiu o aviso vermelho — o mais grave — para os distritos do Porto, Aveiro e Coimbra entre as 03:00 e as 06:00 de quarta-feira. Simultaneamente, está também em vigor aviso vermelho para a agitação marítima em dez distritos costeiros (de Viana do Castelo a Faro), com previsão de ondas que poderão atingir os 14 metros de altura máxima.
Esta nova depressão surge num contexto de território ainda extremamente vulnerável. A chegada da depressão Joseph, apenas um dia antes da agora anunciada Kristin, provocou mais de 1.400 ocorrências, incluindo quedas de árvores, inundações e deslizamentos de terras, e levou ao encerramento de pelo menos 14 estradas nacionais. Os solos estão saturados de água e as infraestruturas podem estar fragilizadas, agravando os riscos de cheias e de novos danos.
Medidas de proteção civil
e recomendações urgentes

Perante a iminência de um fenómeno desta magnitude, as autoridades reforçaram já os apelos à população para que adote uma atitude de máxima precaução:
- Evite absolutamente todas as deslocações não essenciais durante o período crítico da madrugada. Se for imprescindível conduzir, reduza drasticamente a velocidade e mantenha-se afastado de zonas arborizadas e da orla costeira.
- Proteja a sua casa: Fixe ou recolha objetos soltos no exterior (como vasos, mobília de jardim ou lixeiras), verifique e reforce as coberturas e feche bem portas, janelas e persianas.
- Mantenha-se longe do mar. Não se aproxime de praias, falésias, paredões ou outros locais costeiros. A força das ondas e a rebentação podem ser fatais e atingir zonas aparentemente seguras.
- Esteja preparado para falhas de energia. Tenha lanternas, pilhas, um rádio a pilhas e os telemóveis carregados.
- Siga apenas informação oficial. Consulte os avisos em tempo real no site do IPMA e cumpra as instruções da Proteção Civil.
A rápida sucessão das depressões Ingrid, Joseph e Kristin integra-se no fenómeno designado por “comboio de tempestades”, que tem afetado a Europa. Em Portugal, a persistência de uma “corrente perturbada de Oeste” no Atlântico Norte continua a favorecer a chegada de sistemas depressionários, com previsão de tempo instável e chuvoso, por vezes forte, pelo menos até ao início de fevereiro.









