Aos 50 minutos do jogo deste domingo no Estádio de São Miguel, em Ponta Delgada, o relvado pareceu congelar. Gabriel Batista, guarda-redes do Santa Clara, dominou a bola que acolheu entre as mãos e, com o avançado portista Samu à sua frente, tentou colocar a bola com lançamento manual desastrado. A bola, de forma caprichosa, escorregou da luva do guardião dos açorianos, ficou a escassos metros de Samu e este, como um predador, cheirou o erro, antecipou-se e, com frieza, enviou a bola para o fundo das redes vazias. acabou assim por ser este golo, “oferecido” pelo guardião açoriano, que decidiu o encontro da 17.ª jornada da I Liga, permitindo ao FC Porto sair dos Açores com uma vitória por 0-1 e, mais importante, consolidar com isso a liderança isolada do campeonato, agora com sete pontos de vantagem sobre o segundo classificado, Sporting, e dez pontos sobre o terceiro, Benfica, isso depois de concluída a primeira volta do campeonato.
O jogo, até então, tinha sido um típico retrato da época de ambos: o Porto, líder e ainda invicto, a tentar desbloquear uma defesa compacta e organizada de um Santa Clara que luta nos lugares de baixo da tabela. Os dragões controlaram a posse de bola (57%) e criaram mais perigo, com cinco remates à baliza contra zero dos açorianos. Contudo, a falta de clareza no último terço e alguma solidez da equipa de Vasco Matos pareciam condenar a partida a um empate truncado, repleto de faltas (22 do Porto, 20 do Santa Clara) e interrupções. Até que o erro fatal surgiu.



Num lance que o treinador portista, Francesco Farioli, classificou como “resultado de algum azar do guarda-redes do Santa Clara”, o destino do jogo virou. Gabriel Batista, que no último confronto entre as equipas foi herói ao defender um penálti nos descontos, viu desta vez o papel inverter-se. A sua falha foi o momento decisivo que o futebol, por vezes cruel, oferece. Samu, o espanhol em forma, não precisou de ser convidado. Fez o seu 13º golo na liga, confirmando-se como o homem dos momentos decisivos do Porto.
Após o golo, o Santa Clara reagiu, procurou o empate e forçou o Porto a defender com unhas e dentes nos minutos finais. Farioli reconheceu que “os últimos dez a quinze minutos ficaram bastante partidos”, mas elogiou a forma como a sua equipa “defendeu bem” a área para segurar o resultado. Do lado açoriano, o desânimo foi visível. O capitão Gabriel Batista, evitando alongar-se sobre o lance que ditou a derrota, limitou-se a dizer: “Se disser o que penso, vou ser penalizado… Um detalhe que não cabe a nós penalizou-nos”.




Com esta vitória, o FC Porto conclui a primeira volta da Liga invicto, com 49 pontos, sete à frente do segundo classificado. Para os dragões, foi mais uma demonstração de eficácia e resiliência, mesmo quando o futebol não é brilhante. Para o Santa Clara, ficou a amargura de uma derrota dura, decidida por um deslize isolado mas fatal. Em São Miguel, o campeonato mostrou que, por vezes, um único erro basta para separar os que lutam pelo título dos que lutam pela sobrevivência.









