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Sporting arrasou o AVS com meia dúzia de prendas de Natal

Se o AVS Futebol SAD aproveitou a vinda a Lisboa para fazer umas compras de Natal, o Sporting deu uma enorme ajuda ao último classificado do campeonato da I Liga ao oferecer seis prendas no sapatinho, que o mesmo é dizer seis golos, numa goleada das antigas com que atropelou o conjunto visitante no jogo disputado este sábado no Estádio de Alvalade. Em partida da 14.ª jornada, depois de meia hora em que os comandados de Rui Borges tardaram em começar a distribuição de prendas, eis que em cinco minutos, entre o minuto 32′ e o 37′, o Sporting marcou três golos, fechou a discussão da partida e ainda teve tempo para uma despedida em beleza para Diomande e principalmente para Geny Catamo, jogadores que durante algumas semanas vão estar longe de Alvalade a disputar a CAN (Taça das Nações Africanas), sob a égide da FIFA.

Numa noite particularmente fria, com o termómetro no Estádio José Alvalade a marcar uma temperatura própria de Dezembro, a verdade é que os 38.713 adeptos presentes, depois de demorarem a aquecer, acabaram por vivenciar uma noite de sábado que se transformou num autêntico forno de onde os golos começaram a sair como pãezinhos quentes. O Sporting, com a regularidade de um relógio suíço e a frieza de um thriller nórdico, aplicou uma lição de 6-0 ao AVS, num jogo que se decidiu num surto psicótico dos leões que durou cinco devastadores minutos na primeira parte.

O arranque foi de estudo. Perante a linha de cinco defensores dos visitantes, liderada pelo experiente Rúben Semedo, os leões rodaram a posse de bola, sondaram flancos com Vagiannidis e Mangas, e esboçaram as primeiras tentativas. Francisco Trincão viu um remate colado ao poste (15’) e a equipa do campeão nacional ainda teve um penálti revertido pelo VAR (5’), num episódio que apenas adiou o arranque da inevitável goleada.

Leões demolidores em cinco minutos

A meio da primeira parte, o AVS chegou a ganhar uma réstia de confiança, com Rui Silva a fazer uma intervenção necessária num remate de Óscar Perea (29’). Era, porém, o último sinal de vida. No minuto 32, a bomba rebentou. Luis Suárez, o artilheiro colombiano que voltou a afirmar-se, disparou de fora da área. A bola desviou num adversário e enganou João Gonçalves, entrando no canto esquerdo. A parede gelada da defesa do AVS rachou nesse momento e desmoronou-se por completo nos minutos seguintes.

À passagem do minuto 35 foi a vez de Maxi Araújo, habitualmente lateral mas desta feita a jogar como um falso extremo, desempenhando as funções do agora lesionado Pedro Gonçalves, numa formação tática peculiar, aproveitar um cruzamento de Vagiannidis para desviar para as redes. Estava feito o 2-0, mas o Sporting não se ficaria por aqui neste período de cinco minutos diabólicos para o AVS. Dois minutos depois, ao minuto 37, num canto mal despejado pela defesa, Geny Catamo apareceu na meia-lua para cravar um remate rasteiro e imaculado, colocando o marcador em 3-0 depois de cinco minutos frenéticos em que os leões transformaram um jogo discutido numa vantagem tão merecida quanto arrasadora. O jogo, como competição, estava terminado antes do intervalo.

A segunda parte serviu para confirmar a lei do mais forte e para Catamo, que vai rumar à Taça das Nações Africanas para representar Moçambique – Diomande avança para a mesma competição em representação da Costa do Marfim –, deixar a sua marca final. Maxi Araújo completou o seu bis logo aos 47 minutos, novamente servido por Vagiannidis, enquanto Suárez fez o quinto, encostando ao segundo poste num pontapé de canto (53’).

O espetáculo era tal que, com a goleada consumada, o guarda-redes João Gonçalves ainda teve tempo para a defesa da noite, negando um golo a Kochorashvili (75’).

(Suárez + Araújo + Catamo)x2 = seis

A cereja no topo do bolo de seis camadas chegou nos descontos. Geny Catamo, já na despedida, cortou do lado direito, entrou na área e, sem dar hipótese, fechou o marcador em 6-0, um golo servido com os melhores votos natalícios para os adeptos leoninos em Alvalade. Foi o ponto final perfeito numa exibição coletiva de força avassaladora por parte da equipa do Sporting que repetiu assim o melhor resultado da presente temporada, isto porque já na segunda jornada tinha vencido o Arouca por iguais 6-0.

Se olharmos além do resultado, facilmente damos conta que esta noite em Alvalade, de clima frio mas de jogo bem quente, confirmou várias certezas: a versatilidade do plantel leonino às ordens de Rui Borges, a eficácia letal de Suárez que pelo menos para já ascendeu ao topo da lista de melhores marcadores, e o estado de graça de jovens como Vagiannidis, autor de duas assistências.

Para o AVS, orientado pelo técnico João Pedro Sousa, esta que foi a derrota mais pesada da temporada num jogo que serve como reflexo cruel da sua luta na tabela classificativa, cada vez mais “enterrado” nas areias movediças do último lugar com apenas três pontos ao fim de 14 jornadas.

Já para o Sporting, agora à condição a dois pontos do líder FC Porto, a goleada desta noite de sábado em Alvalade foi um sinal claro de força, um aviso lançado à I Liga e um aquecimento perfeito para o que aí vem. Os leões, afinal, também sabem caçar no inverno.

texto: Jorge Reis
fotos: Diogo Faria Reis

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