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Morreu Clara Pinto Correia, escritora e bióloga, aos 65 anos

Foi encontrada sem vida esta terça-feira, dia 9, em Estremoz na residência onde vivia já há cinco anos, a escritora, bióloga e professora universitária Clara Pinto Correia. Tinha 65 anos. À data da publicação desta notícia, as causas da morte ainda não foram oficialmente confirmadas, mas fontes indicam que terá ocorrido na sequência de um “episódio de doença súbita”.

O alerta foi dado por uma empregada doméstica, pelas 9h30, que contactou as autoridades. Foram acionados os Bombeiros de Estremoz e o INEM, que nada puderam fazer perante a morte da escritora. O corpo permaneceu no local, sob vigilância da Polícia de Segurança Pública (PSP).

Clara Pinto Correia deixa uma marca indelével na cultura portuguesa, um legado construído numa carreira multifacetada que a viu brilhar — e por vezes polemizar — nas áreas da literatura, da ciência e do jornalismo. O seu nome ficou para sempre associado ao romance Adeus, Princesa, publicado em 1985, quando tinha apenas 25 anos. A obra, aclamada pela crítica como “um dos livros notáveis de 1985” e considerada por Vasco Pulido Valente como o melhor romance português desde Os Maias, viria a ser adaptada ao cinema em 1991.

Licenciada em Biologia pela Universidade de Lisboa e doutorada em Biologia Celular, a sua paixão pela ciência levou-a a uma carreira de investigação em embriologia no Instituto Gulbenkian de Ciência e em universidades norte-americanas de prestígio, como a Universidade de Massachusetts e Harvard. Este saber transbordou para uma notável obra de divulgação científica, com títulos como Histórias NaturaisOs Bebés-Proveta e O Ovário de Eva.

A sua presença mediática era intensa nas décadas de 80 e 90, como cronista do Diário de Notícias e da revista Visão, apresentadora de programas de televisão como Rumo à Lua e Morfina, e até como atriz no filme Kiss Me (2004). Contudo, a sua trajetória pública foi marcada por uma queda abrupta em 2003, após ser acusada de plagiar crónicas publicadas na revista The New Yorker. O caso, que a levou a ser afastada da Visão, ofuscou o seu brilho e iniciou um progressivo afastamento dos holofotes.

Nos últimos anos, Clara Pinto Correia vivia uma vida mais reservada em Estremoz, longe do centro das atenções. Numa entrevista concedida em janeiro de 2025, revelou com mágoa as dificuldades que enfrentava, incluindo a perda do emprego e uma ordem de despejo da casa onde viveu durante 30 anos, no Penedo, Sintra. Apesar dos reveses, manteve-se criativa, tendo publicado o seu último romance, Antares, em junho de 2024.

A notícia da sua morte gerou uma onda de consternação. O Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, apresentou os seus “afetuosos sentimentos” à família e amigos, destacando que Clara Pinto Correia “juntava à alegria de viver, uma inteligência e um brilho” e que “não deixou nunca ninguém indiferente”. O escritor Rui Zink, numa homenagem pública, recordou-a como uma figura “escandalosa, brilhante, atrevida, insolente, impertinente e pertinente”, cuja “ascensão vertiginosa” só teve par na forma “estrondosa” como caiu.

Clara Pinto Correia era filha dos médicos José Manuel Pinto Correia e Maria Adelaide Carvalho Amado, e irmã da jornalista Margarida Pinto Correia. Deixa um vastíssimo legado literário e científico, composto por mais de cinco dezenas de títulos que atravessam a ficção, a literatura infantil e a divulgação científica.

À sua família, amigos e aos inúmeros leitores e admiradores que tocou com o seu trabalho, expressamos as nossas mais sentidas condolências. A sua voz singular, a sua inteligência afiada e a sua coragem inquieta farão certamente falta. Adeus, Princesa.

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