Anita Guerreiro faleceu durante o sono, aos 89 anos, na Casa do Artista, onde vivia desde 2018. A notícia foi confirmada pela instituição, que deu assim a conhecer a partida da fadista e artista, uma das vozes mais emblemáticas da cultura popular portuguesa, ela que nos deixou na madrugada de domingo, 7 de dezembro, aos 89 anos.
A morte de Anita Guerreiro ocorreu de forma natural, durante o sono, na Casa do Artista em Lisboa, onde residia desde 2018. A instituição divulgou a notícia nas redes sociais, descrevendo-a como “incontornável” e destacando a sua “voz inconfundível” e o amor que transmitia “em cada palavra, em cada gesto”. Em comunicado, o Presidente da República, Marcelo Rebelo de Sousa, lamentou a morte da artista, sublinhando o “traço de simpatia e de popularidade que marcou várias gerações”.
Nascida Bebiana Guerreiro Rocha Cardinalli em Lisboa, a 13 de novembro de 1936, Anita Guerreiro começou a cantar aos sete anos no Sport Clube do Intendente, ganhando a alcunha de “a miúda do Intendente”. A sua carreira disparou em 1952, quando participou no concurso radiofónico “Tribunal da Canção”, do programa “Comboio das Seis e Meia”. O produtor do programa, impressionado com o seu talento, promoveu o seu lançamento artístico no Café Luso, uma das casas de fado mais emblemáticas de Lisboa.
A sua carreira diversificou-se a partir daí entre o teatro de revista, o fado, a televisão e o cinema. Estreou-se no Teatro Maria Vitória em 1955, na revista “Ó Zé aperta o laço”, e ao longo das décadas passou por todos os teatros do Parque Mayer. Paralelamente, construiu um prestigiado percurso no fado, com grandes êxitos como “Cheira Bem, Cheira a Lisboa”, “Sou Tua”, “Lição de Amor” e “Festa é Festa”. O tema “Cheira Bem, Cheira a Lisboa”, apresentado em 1969, tornou-se um hino da cidade e valeu-lhe o Prémio Estevão Amarante para Melhor Artista de Revista em 1970.
Anita Guerreiro foi também uma figura central nas Marchas Populares de Lisboa, atuando como madrinha de vários bairros. Na televisão, participou em diversas telenovelas e séries, como “Vidas de Sal” (1996), “Médico de Família” (1998), “Olhos de Água” (2001) e a série humorística “Os Batanetes” (2004).
Em 2004, por ocasião dos seus 50 anos de carreira, foi homenageada com um espetáculo no Teatro São Luiz e a Câmara Municipal de Lisboa atribuiu-lhe a Medalha Municipal de Mérito, Grau Ouro. Até 2019, manteve-se em atividade, integrando o elenco da casa de fados “O Faia”, no Bairro Alto.
As cerimónias fúnebres serão realizadas esta terça-feira. De acordo com informações partilhadas nas redes sociais, o velório realiza-se na Basílica da Estrela, estando a missa de corpo presente marcada para quarta-feira de manhã no mesmo local.
A artista deixa um legado que, como escreveu a Casa do Artista, permanecerá para sempre: “Calou-se a voz, mas fica para sempre o legado desta grande Senhora da cena artística portuguesa”









