Em jogo referente aos oitavos-de-final da Taça de Portugal, o FC Porto às ordens de Francesco Farioli venceu de forma categórica o conjunto do Famalicão, por 4-1, num jogo disputado no Estádio do Dragão, eliminando da Taça uma das equipa tidas como mais cotadas da I Liga. Numa partida em que Froholdt foi o homem do jogo, ele que apontou o segundo golo portista, o internacional espanhol Samu apareceu também ele a marcar, mesmo depois de ter entrado apenas ao minuto 59′, e se é verdade que o Famalicão ainda deu alguma luta, repondo a igualdade poucos minutos depois do FC Porto fazer o primeiro golo, também é um facto que a equipa da casa viria a marcar mais três golos, provando a sua a superioridade, isto apesar de, a espaços, ter dormitado e tirado partido de alguma ineficácia do conjunto visitante.
Muitos dirão que o triunfo portista por 4-1 é um daqueles resultados que enganam, isto porque o FC Porto, salvo o primeiro quarto de hora, esteve longe de ser convincente e viu o seu caminho facilitado pela ineficiência famalicense. Acabou no entanto por garantir uma vitória convincente, ainda que a exibição não o tenha sido tanto assim.

A noite começou com a rotina habitual do FC Porto às ordens de Francesco Farioli: pressão alta, recuperação rápida e golo cedo. Aos seis minutos, uma pressão de Victor Froholdt sobre Mathias de Amorim terminou em escorregadela e oferta a William Gomes, que não perdoou.
O guião do jogo parecia estar escrito, mas a verdade é que o Famalicão de Hugo Oliveira, longe de se intimidar, respondeu com uma lição de eficácia. Aos 13 minutos, Justin De Haas aproveitou um canto de Gil Dias para, completamente livre de marcação, cabecear para o golo do empate.

Com as duas equipas igualadas no resultado, o que se seguiu foi um período de perplexidade azul e branca. O Famalicão, estudando bem a máquina portista, desarmou-a com inteligência. Sem pressionar alto, convidou o FC Porto a construir, monitorizando os movimentos e fechando os espaços. Sem a pressão adversária a que estão habituados, os dragões pareceram perdidos, incapazes de ligar o jogo de forma fluida.
A equipa visitante apostou a partir dali nas transições rápidas e na velocidade dos seus extremos, criando perigo. Aos 33′, Simon Elisor esteve isolado frente a Diogo Costa, mas falhou redondamente. Como tantas vezes acontece no futebol, as oportunidades perdidas voltam para assombrar. Aos 38′, uma recuperação na frente da área do Famalicão permitiu a Gabri Veiga rematar forte. O guarda-redes Ivan Zlobin não conseguiu segurar a bola, e Froholdt, num lance de pura voracidade, correu como um galgo para empurrar para as redes e devolver a vantagem ao Porto.
Se a primeira parte deixou dúvidas, a segunda transformou-as em certezas. O FC Porto, após as substituições de Farioli, retirou-se quase por completo para o papel de espectador. O Famalicão comandou as ações, teve a bola e a iniciativa, mas esbarrou na sua própria incapacidade de finalização e numa defensiva portista que, apesar de passiva, não se desorganizou. A “machadada final” só surgiria no último lance da partida. Aos 79 minutos, Samu, entrado do banco, cabeceou para as redes após um cruzamento da direita, estendendo a sua sequência de jogos a marcar.

Já nos descontos, Pepê, que também tinha reclamado um penalty não assinalado mais cedo, colocou a sua cabeça num cruzamento, em recarga a um primeiro cabeceamento de Samu defendido por Zlobin, e fixou o resultado final em 4-1, dando um ar de goleada afinal demasiado pesada para a prestação do FC Porto.
Os dragões passam adiante nesta competição, cumprem o objetivo e preparam-se para receber o Benfica num clássico que promete fogo em Janeiro. No entanto, a exibição da turma orientada por Farioli deixa um aviso claro. A equipa portista mostrou-se vulnerável quando o adversário não cai na armadilha da pressão inicial e tem a coragem de jogar.

Perante o rival de Lisboa, dormitar durante grande parte do jogo poderá ter um custo incomparavelmente mais alto. A Taça exige resultados, e esse foi alcançado, mas o caminho para a glória na “prova rainha” por parte do FC Porto exigirá muito mais do que foi mostrado contra um corajoso, mas infeliz, Famalicão.









