Ao cair da noite desta segunda-feira, Alverca e FC Porto disputaram algo bem distinto de apenas um jogo de futebol no Complexo Desportivo do Alverca. Assitiu-se, isso sim, a uma demonstração de poder por parte dos dragões e a um meticuloso exercício de gestão de uma corrida pelo título que parece já ter dono. O FC Porto, implacável na sua máquina de vencer, aplicou um sólido 3-0 ao Alverca, num encontro da 15.ª jornada que serviu menos para testar a equipa às ordens de Francesco Farioli e mais para exibir a fria eficácia que coloca esta a um passo da conquista do “caneco” e das celebrações na avenida dos Aliados na cidade do Porto.
A equipa de Farioli, com seis alterações face ao último compromisso, entrou com solenidade, como se estivesse a jogar perante o seu público no seu terreno. Cumprindo as expectativas, o ritmo foi imposto desde o primeiro minuto pelo FC Porto, com Rodrigo Mora a deixar um aviso ao Alverca com um remate forte logo aos dois minutos. O domínio era absoluto, mas a formação anfitriã, organizada e corajosa, tentava respirar nos contra-ataques. Até que, aos 29 minutos, e já depois de um golo anulado por um fora-de-jogo milimétrico, a tecla de solução tocou: Borja Sainz, aproveitando uma assistência soberba do próprio Mora, surgiu na área para cabecear para o fundo das redes e inaugurar o marcador.


O momento do golo portista foi emblemático, não só pelo golo, mas pela dedicatória que se seguiu: os jogadores portistas exibiram uma camisola de Vasco Sousa, o médio gravemente lesionado, num rasgo de humanidade que contrastava com a frieza tática que exibiam em campo.
O Alverca reagiu, é justo dizê-lo. E encontrou no seu caminho a muralha intransponível de Diogo Costa, que pouco depois realizou duas defesas monumentais para travar Marezi e Touaizi, mantendo a vantagem azul e branca intacta até ao intervalo. Na semana em que o guardião portista renovou o seu vínculo com o FC Porto, mostrava a qualidade que faz dele um dos melhores guarda-redes mundiais da actualidade, de quem se espera uma prestação assinalável no próximo Campeonato do Mundo.
Na segunda parte, o FC Porto ajustou o mecanismo e tornou-se ainda mais sufocante. A pressão alta retirou espaço ao Alverca, e o segundo golo foi uma questão de tempo. Aos 57 minutos, num lance de insistência após um remate forte de Pepê, a bola sobrou para Alan Varela na área. O argentino, com a calma de um artilheiro, recarregou e colocou-a no fundo da baliza, selando de forma prática o destino do jogo.
Com o desafio controlado, Farioli pôde rodar a equipa, dando minutos a Gabri Veiga e William Gomes. Foi o momento para o brilho individual completar a tarde de trabalho. Aos 69 minutos, Borja Sainz, já autor do primeiro, apareceu na ponta esquerda da área e, com um remate em arco de rara beleza, “bisou” e fechou o marcador em 3-0. O seu sétimo golo na competição foi a cereja no topo de um bolo que já estava mais do que no ponto.


Quando o árbitro João Pinheiro apitou para o final, o triunfo era apenas mais um capítulo de uma narrativa maior. Este foi o 14.º triunfo em 15 jogos da I Liga para os dragões, que somam assim a sétima vitória consecutiva. Com 43 pontos no bolso, a liderança não é apenas isolada; é categórica. O Sporting, segundo classificado, fica a oito pontos de distância e só jogará esta terça-feira em Guimarães, na expectativa de voltar a ficar a cinco pontos, enquanto que o Benfica, terceiro, viu o fosso alargar-se para onze pontos quando estava a entrar em campo para defrontar o Famalicão no Estádio da Luz.
Em Alverca, o FC Porto não jogou apenas para vencer um jogo. Jogou para enviar uma mensagem cristalina a todo o campeonato: a corrida pelo título tem um único condutor, e este, no momento em que se aproxima da quadra festiva, com um motor super afinado, não dá sinais de abrandar a velocidade a caminha da meta que, estando ainda longe, começa a ser vista como o objectivo de um só candidato capaz. A ver vamos se assim será!









