Sob o céu de Lisboa, num estádio da Luz com as bancadas ainda a encher no início de uma semana de Natal, com 57.894 espectadores nas bancadas e seguramente outros tantos ali bem ao lado a preencher o Centro Comercial Colombo na azáfama própria das compras para a quadra natalícia que atravessamos, o Benfica recebeu o Famalicão para uma partida que valia muito mais do que três pontos: era a pressão de seguir o líder, a necessidade de responder, o dever de vencer. E a verdade é que os encarnados venceram, mas a pressão atmosférica sobre o futebol tende e intensificar-se e as nuvens negras sempre com a arbitragem em pano de fundo tendem a manter a sua presença a cada jogo que se realiza, seja na Taça de Portugal, Taça da Liga ou I Liga.
Desta feita, num jogo que terminou com a vitória do Benfica por 1-0 sobre o Famalicão, o que estava à partida desenhado para ser um exercício de paciência e eficácia das águias transformou-se, contudo, num jogo definido por um sopro de vento polémico – um “ciclone” em forma de braço e de apito, que deixou um vencedor, um derrotado e uma discussão que promete ecoar para além dos noventa minutos. O braço foi o de Justin Da Haas na cara de Otamendi, o apito foi o do árbitro André Narciso que, depois de uma indicação do VAR Vasco Santos, assinalou uma grande penalidade quanto a nós inexistente, e a polémica acabou mesmo enviada para análise… do IPMA – Instituto Português do Mar e Atmosfera!!!









Mas vamos ao jogo que é sobre futebol que pretende ser esta crónica. O encontro começou como muitos previram: o Famalicão aguerrido, a pressionar alto, a tentar surpreender nos primeiros minutos e a segurar a bola perante um Benfica que só ao nono minuto conseguiu finalmente ter bola neste jogo realizado no Estádio da Luz. Os encarnados, com várias peças de regresso ao onze, como Trubin e Pavlidis, procuravam o equilíbrio e o domínio gradual.
Penálti (muito) duvidoso
colocou o Benfica em vantagem
Havia um jogo tático, travado, com poucos espaços e as oportunidades eram mínimas para qualquer uma das equipas. Um remate de Sudakov, aos 12 minutos, e outro de Dahl, aos 25′, obrigaram ainda assim o guarda-redes Carevic, do Famalicão, a defendas apertadas para a linha de fundo, mas o facto digno de registo aconteceu apenas à passagem da meia-hora, quando Otamendi cai dentro da área famalicense e os encarnados reclamam uma grande penalidade.









Nicolás Otamendi, o veterano central, caiu na área do Famalicão após um contacto com Justin De Haas, o capitão do Benfica ficou deitado no relvado agarrado ao rosto, o árbitro principal, André Narciso, não viu falta inicialmente, mas eis que pouco mais de um minuto depois é alertado pelo VAR Vasco Santos para rever o lance no monitor. A consulta às imagens à beira do relvado é sempre um momento de suspensão coletiva. Os replays mostraram um braço de De Haas a encontrar a cabeça de Otamendi e essas imagens foram suficientes para que o juiz da partida recuasse alguns metros para dentro das quatro linhas onde, através do som do estádio, anunciou que houve mesmo, no seu entender, uma carga negligente de De Haas sobre Otamendi. O apito soou, e o polémico penálti foi mesmo assinalado.
Os jogadores do Famalicão protestaram com veemência, argumentando que o movimento do seu colega foi natural, parte de uma ação de corte à bola. As suas queixas caíram em ouvidos surdos. Vangelis Pavlidis, o ponta de lança grego, assumiu a responsabilidade, e com a frieza de um matador, converteu, marcando o seu 50.º golo ao serviço do Benfica e o único golo da noite fria neste jogo no Estádio da Luz.









Benfica controlou a vantagem
sobre um Famalicão pouco capaz
A partida, já pouco vibrante, nunca mais recuperaria verdadeiro fulgor. O Famalicão, ferido na justiça da decisão aos seus olhos, ainda criou perigo no final da primeira parte, num remate de Tom van de Looi que desviou e passou muito perto do poste de Trubin.
A segunda metade foi um exercício de gestão por parte das águias. Com uma maturidade tática notável, fecharam os espaços, anularam as investidas famalicenses pouco capazes e inconsequentes, e exploraram as transições, com destaque para a irreverência de Prestianni, que criou algumas das poucas oportunidades claras do período final. Aliás, no final seria o jovem jogador argentino quem seria nomeado o homem do jogo, isto porque foi ele quem realmente mais correu e causou problemas à defesa da turma visitante.
Quando o apito final soou, selando o 1-0, as reações divergiram radicalmente. O Benfica celebrava uma vitória dura, mas preciosa, que lhe permitia manter a perseguição aos primeiros lugares com a mesma distância com que partira para esta jornada, enquanto que o Famalicão deixava a Luz com um profundo sentimento de injustiça. Este sentimento, aliás, foi materializado em palavras duras pelo Presidente da SAD do clube visitante, Miguel Ribeiro que, na sala de Imprensa, após o jogo e antes mesmo de ali marcarem presença os técnicos dos dois clubes, sem meias palavras, comparou a situação à recente e muito debatida polémica no jogo entre Santa Clara e Sporting, onde o árbitro João Pinheiro assinalou um penálti (também inexistente quanto a nós).
Réplica do ciclone dos Açores
“sentida” no Estádio da Luz











“Entendo que o que vivemos aqui hoje… assistimos claramente a uma réplica do ciclone dos Açores”, afirmou Miguel Ribeiro, para quem o lance que permitiu a grande penalidade favorável ao Benfica nesta partida era um “caso para ser estudado pelo IPMA”, numa ironia ácida que denunciava a sua perceção de uma “tempestade arbitral” injusta. Louvando a sua equipa pela qualidade exibida e pelo crescimento do projeto, contrastando-o com a frustração de ser, na sua opinião, “vítima em Lisboa”, este dirigente manifestou a sua indignação perante o trabalho do árbitro André Narciso, colocando-o na mesma linha da prestação de João Pinheiro nos Açores, no jogo entre o Santa Clara e o Sporting.
Na quietude pós-jogo, o que fica é a imagem de um Benfica eficaz, que soube defender o seu tesouro de forma pragmática e manter Trubin praticamente inalterado durante longos períodos. E fica, sobretudo, a sombra da dúvida. O golo de Pavlidis, técnico e decisivo, será sempre lembrado pelo que o antecedeu: um braço no ar, uma queda no relvado, um árbitro a caminhar para um monitor e uma decisão que, independentemente do veredicto técnico, alimentou o eterno debate sobre a justiça no futebol. No entender do LusoNotícias não houve motivos para grande penalidade, mas o que conta mesmo é a decisão do árbitro, que apontou para o penálti, e a capacidade neste caso de Pavlidis de converter o castigo máximo, o que fez com distinção.
E assim vai a I Liga…








Perante esta realidade, por entre polémicas que tendem a não acalmar a “agitação marítima” que continua a fustigar o futebol português e o campeonato da I Liga, somam-se os pontos a cada jornada como se faz também depois desta partida. Encontramos assim o Benfica na terceira posição, com 35 pontos, tantos quanto os que possui o Sporting, que terá de jogar amanhã, terça-feira, em Guimarães, frente ao Vitória, e menos oito que o FC Porto, o líder do campeonato, que venceu esta segunda-feira o Alverca, no Ribatejo, por três golos sem resposta. Já o Famalicão, sem ter somado qualquer ponto na Luz, mantém os mesmos 21 pontos, na sétima posição, a par do Vitória que tem os mesmos 21.
Os resultados ficarão assim nos registos, como fica esta vitória do Benfica por 1-0 na Luz, a par das polémicas que irão ficar na memória, sendo que a turma do Famalicão deixou a cidade de Lisboa com as duas coisas na bagagem: resultado negativo, e polémicas!









