A passagem do Benfica este domingo por Moreira de Cónegos gerava alguma expectativa, principalmente porque os encarnados, obrigados a não perder qualquer ponto, iriam ter pela frente uma das formações do “segundo campeonato” que melhor futebol têm vindo a praticar, nomeadamente nos seus jogos em casa. Além disso, o Benfica tinha ainda a responsabilidade suplementar de dar continuidade à boa exibição que havia conseguido na última quarta-feira no Estádio da Luz frente aos italianos do Nápoles, o que elevava ainda mais a fasquia da exigência sobre os ombros de José Mourinho e dos seus pupilos.
Com estes ingredientes, a verdade é que o Benfica cumpriu, goleou por 4-0, e permitiu a Vangelis Pavlidis um hat-trick com três golos diferentes entre si, isto porque houve o primeiro marcado de cabeça, o segundo com o pé direito e o terceiro com o pé esquerdo. E para fechar a tarde em Moreira de Cónegos, Aursnes, que já antes tinha feito duas assistências, assinou o quarto golo com uma chapelada ao guarda-redes dos cónegos, André Ferreira.
Num jogo que começou com o Benfica a reclamar de uma alegada grande penalidade cometida sobre Pavlidis, que nem o árbitro nem o VAR assinalaram, logo ao quinto minuto da partida, e o que Benfica viria a mostrar mais tarde, com imagens recolhidas atrás da baliza do Moreirense, que havia razão para a grande penalidade, já que o avançado grego foi impedido de chegar a bola depois de um passe de Tomás Araújo, o primeiro golo viria a surgir apenas ao minuto 37′, no arranque de uma lição de bem marcar golos assinada pelo avançado grego do Benfica.
Pavlidis mostrou argumentos
para ser o melhor marcador








No Estádio Comendador Joaquim de Almeida Freitas, perante 5.518 adeptos, o Benfica de José Mourinho reduziu o futebol a uma equação elegante e brutal: poucas bolas, poucas hesitações, golos em todas as cores e aproveitamento das falhas da defesa do Moreirense que, há que o dizer, revelou estar bem dentro do espírito natalício ao oferecer algumas prendas que Pavlidis primeiro, por duas vezes, e Aursnes, já perto do final, não desperdiçaram.
A primeira parte foi de contenção e estudo. O Moreirense, com uma posse de bola relevante (acabaria o jogo com 52.8%), tentou ditar um compasso que o Benfica, estrategicamente, não contestou. Anatoli Trubin, o guarda-redes do Benfica, esteve seguro sempre que foi chamado, acabando a paciência encarnada por ser recompensada aos 36 minutos, quando Fredrik Aursnes, o canivete suíço norueguês da equipa, colocou um canto à medida da testa de Vangelis Pavlidis, que cabeceou na perfeição para o 1-0, dando o rumo ao jogo a partir dali.
O intervalo não arrefeceu a lógica estabelecida. Pelo contrário, o Benfica emergiu com a fria determinação de quem sabe que o adversário, agora obrigado a sair, deixaria espaços. Aos 57 minutos, Pavlidis apareceu novamente, desta vez para finalizar com o pé direito após mais uma assistência preciosa de Aursnes. E quando era evidente que o jogo tinha uma equipa dominadora, eis que apareceu o terceiro golo para quem ainda tivesse dúvidas. à passagem dos 70 minutos, uma prenda de Natal antecipada — um presente defensivo do Moreirense — que Pavlidis, com a frieza de matador, não quis deixar esquecida debaixo da árvore: remate de pé esquerdo e bola na rede para a conclusão do hat-trick com golos para todos os gostos.
Aursnes colocou
a cereja no topo do bolo







Feitos os três golos de Pavlidis, o resultado nem por isso estava fechado, e com o trabalho do grego concluído, coube ao seu fiel fornecedor, Aursnes, colocar o ponto final de ouro. Aos 76 minutos, de fora da área, o norueguês, depois de recuperar uma bola perdida de forma infantil pela defesa da equipa da casa, rematou em jeito, fazendo um chapéu alto a André Ferreira, levando a bola a bater ainda na trave antes de cair já dentro da baliza, fazendo o 4-0 e coroando, também ele, uma noite em que esteve envolvido em três dos quatro golos, com duas assistências e um golo. Foi o golpe de misericórdia e o selo de uma exibição coletiva “inteligente”, como o próprio Pavlidis a descreveria no final.
Esta vitória, que mantém o Benfica invicto na Liga após 14 jornadas – soma nove vitórias e cinco empates –, serve como um manifesto tácito da equipa de José Mourinho. Frente a um adversário que esteve muitos furos abaixo daquilo que era esperado, até tendo em conta o sétimo lugar da I Liga com que partiu para este encontro – é agora oitavo e poderá cair mais algum lugar em face dos jogos ainda a disputar amanhã, segunda-feira –, o Benfica garantiu um triunfo de contenção, de explosão no momento certo e de um pragmatismo letal personificado no seu goleador. Pavlidis, agora líder isolado da corrida à Bola de Prata com 13 golos, não marcou apenas três vezes, tendo conseguido três golos diferentes, evidenciando a arte do golo em três quadros sobre o objectivo supremo do futebol: o golo!









