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Benfica e Sporting empatam no dérbi (1-1) que o líder não viu

No eterno dérbi dos dérbis, o embate entre o Benfica e Sporting, terceiro e segundo classificados na I Liga à partida para este jogo, terminou com uma igualdade a um golo que manteve tudo na mesma, com as duas equipas teoricamente mais distantes do FC Porto, o líder cujo o técnico, Francesco Farioli, ironicamente, viria a dizer mais tarde que nem viu o jogo.

Num jogo em que os adeptos esperavam um resultado esclarecedor, com um vencedor e um vencido, com contas feitas e rumos traçados, os 65.247 adeptos presentes no Estádio da Luz acabaram por acompanhar um empate que, longe de acalmar ânimos, deixou o destino do título mais em suspenso do que nunca.

A noite começou envolta em pesadelo e fumo. Antes do pontapé de saída, uma coroa de flores junto aos Diabos Vermelhos honrava a memória de um líder perdido, um lembrete brutal de que há coisas na vida bem mais importantes do que o futebol. Depois, uma espessa camada de fumo de fogo de artifício cobriu o campo, como se o próprio estádio exalasse o nervosismo da noite. Quando o fumo se dissipou e a visão se limpou, foi o Sporting a ver melhor o caminho para a baliza contrária, entrando melhor no jogo e instalando-se no meio-campo defensivo dos encarnados.

Como um relógio suíço na fase inicial, a equipa às ordens de Rui Borges ditou o ritmo. Pressionou alto, trocou a bola com uma objetividade cirúrgica e encontrou a recompensa aos 12 minutos. Um erro da defesa do Benfica, primeiro de Trubin e depois de Enzo Barrenechea, permitiu que Morten Hjulmand, de forma pragmática, roubasse a bola e assistisse Pedro Gonçalves que, sem marcação na área encarnada, rematou sem possibilidade de defesa para Trubin.

O Sporting fazia assim o primeiro golo do jogo e materializava uma superioridade que por aquela altura era evidente. Pouco depois, Maxi Araújo quase duplicou a vantagem, mas o seu remate cruzado beijou o poste de Trubin e saiu pela linha lateral, tendo ficado bem perto de surgir o segundo golo do Sporting que certamente daria outro rumo ao jogo.

Domínio do Sporting durou
até ao golo de Sudakov

O Benfica parecia atordoado, incapaz de sair do colapso coletivo, e o meio-campo era um território leonino. Porém, nos dérbis, os momentos de viragem nascem de lampejos individuais. Aos 27 minutos, surgiu o lampejo de Dedic. Incansável no corredor direito, o lateral cruzou com perigo para a pequena área. Lá dentro, Georgiy Sudakov e Geny Catamo travaram uma batalha de milímetros, a bola sobre para o ucraniano e este, levantando-se do solo, teve ainda tempo para empurrar a bola para as redes, num golo que foi tanto de técnica quanto de coragem.

O Benfica conseguia empatar o jogo e, mais do que isso, encontrava o interruptor que travava o descalabro, passando a partir dali a assumir um papel inteiramente diferente no jogo. O golo não foi apenas um golpe no marcador, mas foi principalmente uma injeção de alma para os jogadores do Benfica, que passaram a acreditar e a responder a preceito ao jogo do Sporting. O intervalo chegou com um justo 1-1, mas com uma sensação clara para os adeptos do Benfica: a tempestade inicial do Sporting tinha passado, e o jogo estava agora equilibrado num fio de navalha, podendo cair para qualquer um dos lados.

A segunda parte confirmou essa sensação de equilíbrio quase perfeito, mas tingido de amarelo, tantos foram os cartões dados pelo árbitro António Nobre. O jogo transformou-se numa batalha tática e física, os cartões começaram a chover para ambos os lados – por faltas, por protestos, pela intensidade pura do confronto –, curiosamente num jogo sem grandes casos e com o juiz da partida a julgar bem os lances mais discutíveis. O jogo estava agora controlado pela equipa da casa, que criava as melhores oportunidades: um remato colocado de Aursnes forçou Rui Silva a uma defesa difícil, e Richard Rios viu o seu potente remate passar a centímetros do poste. Do outro lado, o Sporting, mais contido, tentou gerir sem correr riscos desnecessários.

Falta útil de Prestianni deixou
o Benfica a jogar com 10

Até que, nos descontos, a crónica encontrou o seu ponto final mais dramático. Gianluca Prestianni, que tinha entrado há minutos, protagonizou um lance que resume a fúria e o risco destes encontros. Na tentativa de travar uma transição de Catamo, o argentino investiu numa entrada dura por trás. O árbitro mostrou inicialmente o amarelo, mas o aviso do VAR levou o árbitro António Nobre a rever o lance no ecrã lateral: a entrada, em tesoura e sem qualquer hipótese de jogar a bola, era de expulsão. O amarelo foi trocado por vermelho direto.

Nos sete minutos finais, jogando com mais um, o Sporting lançou o último assalto à baliza de Trubin, respondendo o Benfica agora apostando em segurar o empate. A defesa dos encarnados tornou-se um bloco compacto, e o apito final encontrou as duas equipas exaustas, ofegantes, unidas pelo mesmo número de pontos de conquistados mas também pela mesma dose de alívio e frustração.

Este empate a um golo, teoricamente, pesa como chumbo no bolso do Benfica. Caso o FC Porto vença este fim-de-semana no terreno do Tondela, as águias ficarão a oito pontos da liderança, num fosso que cheira a distância intransponível. Para o Sporting, a distância será de cinco – mais curta, mas igualmente dolorosa por ter escapado a chance de a reduzir.

Notas positivas em termos individuais para as exibições de Richard Rios, Dedic e Leandro Barreiro na equipa do Benfica, mas também para Catamo e Maxi Araújo nos leões.

Com muito campeonato pela frente, nada estará para já decidido, mas o facto é que mesmo a partir do sofá foi o FC Porto quem mais ganhou com as consequências do empate no dérbi de Lisboa… pelo menos para já!

texto: Jorge Reis
fotos: Diogo Faria Reis e Luís Moreira Duarte

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