Depois de ter perdido no final de Novembro de 2024 em Alvalade, frente ao Santa Clara, e uma semana depois, fora de casa, no terreno do Moreirense, no dia 5 de Dezembro do mesmo ano, o Sporting cumpriu um percurso de 24 jogos para o campeonato da I Liga sem perder, tendo consentido sete empates e vencido 17 partidas. Agora, quase nove meses percorridos, o Sporting voltou a saborear o gosto amargo da derrota, e logo em Alvalade, frente ao FC Porto, equipa que venceu este sábado no “clássico” entre leões e dragões, em jogo da quarta ronda do campeonato por 1-2. Em partida bem disputada, plena de emoção e sem grandes casos, depois do empate ao intervalo, a formação visitante marcou dois golos em três minutos (61′ e 64′ minutos), curiosamente na fase em que o Sporting se apresentava melhor em campo.
No final da partida, ao LusoNotícias, o treinador do Sporting, Rui Borges, afirmou que daqui para a frente apenas pode prometer trabalho da sua equipa, mas os adeptos leoninos querem acreditar que será possível novo ciclo de igual número de jogos, os tais 24, pelo menos, sem perder perante os adversários do campeonato, visando a conquista do “tri”. Para isso, porém, terá este ano que ultrapassar, entre outros, os seus adversários diretos, nomeadamente o Benfica, com quem só jogará na primeira semana de Dezembro, e este FC Porto, equipa que mostrou nesta partida da quarta ronda do campeonato estar bem diferente do que foi na última temporada, e para muito melhor, tendo a capacidade de deixar a promessa em Alvalade de que será um adversário competente na luta pelo título de campeão nacional, coisa que não conseguiu ser na pretérita temporada.
À partida para este jogo o Sporting só operou uma mudança relativa à sua equipa tida como titular, fazendo alinhar Kochorashvili no lugar de Morita, por lesão do médio japonês. Com Rui Silva na baliza, Iván Fresneda, Debast, Gonçalo Inácio e Ricardo Mangas na linha defensiva, ainda Morten Hjulmand e o já referido Kochorashvili a fazerem a ligação para Geny Catamo, Francisco Trincão e Pote, surgindo Luis Suárez como o elemento mais adiantado, o técnico Rui Borges apresentava as suas melhores munições para atingir com golos a baliza do FC Porto à guarda de Diogo Costa.
Do outro lado, com o equipamento tradicional listado de azul e branco — que bonito que foi podermos assistir a um clássico em que as duas equipas alinharam com os seus equipamentos tradicionais, sem recurso a estratégias de marketing através de apostas em camisolas secundárias —, a equipa às ordens de Francesco Farioli alinhou com o “capitão” Diogo Costa, um quarteto defensivo formado por Alberto Costa, Nehuén Pérez, Bednarek e Francisco Moura, ainda dois elementos no “miolo” – Froholdt e Alan Varela –, alinhando mais à frente William Gomes, Rodrigo Mora e Borja Sainz, sobrando o “vagabundo” De Jong que durante muito tempo permitiu que se instalasse a ideia de estar a passar ao lado do jogo.
Rui Borges cumpria o que dele se esperava, limitando-se a apostar em Kochoraschvili por troca com o lesionado Morita, enquanto que Farioli inovava, ainda que respondendo também ele a algumas lesões no seu plantel, apostando em William Gomes na posição do impedido Pepê, e em Rodrigo Mora para um jogo em que não pôde contar com Gabri Veiga, outro lesionado, tendo que deixar Samu no banco de suplentes por não estar em condições de permanecer muitos minutos em campo.
FC Porto entra a ganhar
na luta do meio-campo
Com uma entrada de rompante, em que, com apenas 20 segundos de jogo, Borja Sainz esteve à beira de fazer o primeiro golo para o FC Porto, com um remate que levou a bola ao poste esquerdo da baliza de Rui Silva, isto quando os adeptos leoninos ainda cantavam “O Mundo Sabe Que…” – a bola bateu no poste e ressaltou caprichosamente para as mãos do guardião do Sporting –, o FC Porto mostrava ao que vinha, perante um Sporting que apostou muito no jogo melo meio do terreno, onde perdeu demasiadas vezes a posse de bola frente a um FC Porto mais dinâmico e assertivo. Ambas as equipas surgiam com a preocupação de povoar bem o meio-campo, passando por essa zona do terreno grande parte do jogo.
O FC Porto surgia mais adiantado no terreno, perante um Sporting que optava por esperar as subidas dos dragões, para depois encontrar espaço mais livre nas costas da linha média portista. Alguns erros nos passes do Sporting, pela insistência em querer jogar pelo meio do terreno, permitiram o aparecimento do FC Porto em situações mais ofensivas, reagindo a equipa da casa com um bom posicionamento defensivo. Era ainda assim o conjunto visitante que construía mais lances para um desfecho positivo, perante um Sporting que viria a desperdiçar a melhor oportunidade de golo, ao minuto 22’, quando Pote, depois de um lance em que o Sporting atacou com três elementos contra apenas um defesa portista, permitiu a intervenção de Alberto Costa que lhe tirou claramente o golo dos pés quando o jogador do Sporting se preparava para bater Diogo Costa.
Numa equipa do FC Porto em que Francesco Farioli surpreendeu com a aposta na titularidade de Ricardo Mora, foi este quem mais construiu por entre as linhas mais recuadas do Sporting, acabando por falhar na definição final das jogadas, ainda assim sempre de grande qualidade. Diogo Costa apareceu quase sempre posicionado muito à frente da sua grande área, face ao recuo do meio-campo leonino que lhe dava espaço para jogar subido, aparecendo o guardião portista nas costas dos centrais Nehuen Perez e Bednarek a meio do seu meio-campo defensivo. Na frente, De Jong era o jogador menos consequente, abrindo espaços para os seus companheiros mas jogando quase sempre sem bola.
“O meu nome é João Gonçalves
e eu sou… o árbitro!”
A dirigir este clássico disputado no relvado do Estádio de Alvalade, João Gonçalves, o árbitro que se estreou nestas andanças de clássicos do futebol português, deixou um agradável “cartão de visita”, de alguém que aqui e ali foi controlando o jogo com alguns cartões amarelos, um ou outro porventura excessivo, como aquele que viu Bednarek do FC Porto, ao minuto 17′, num jogo em que, ao minuto 29’, houve mesmo um cartão vermelho para o técnico adjunto do FC Porto, Lino Godinho, por “bocas” para dentro das quatro linhas, na sequência de uma falta cometida sobre Ricardo Mangas bem em cima do banco de suplentes dos dragões.
A verdade é que o juiz da partida acabou por controlar o jogo, ultrapassando mesmo algumas quezílias entre os jogadores das duas equipas, ao jeito daquilo a que estes clássicos entre Sporting e FC Porto já nos habituaram nas últimas edições, seja em Alvalade, como neste caso, no do Dragão. Antes do final do primeiro tempo, e já depois de Borja Sainz ter visto, também ele, um cartão amarelo depois de um toque em Ricardo Mangas, que fez “fita” na forma como caiu no relvado, “arrancando” o cartão para o seu adversário, Pedro Gonçalves voltou a ter uma grande oportunidade para faturar, depois de um passe de Geny Catamo ao minuto 39’, num lance concluído com um remate muito por cima, com a bola a sair para a bancada.
Sobre o derradeiro minuto do primeiro tempo Luuk De Jong viu um cartão amarelo, num dos poucos lances em que se deu pela presença do avançado neerlandês em campo durante a primeira parte do clássico. Chegava o intervalo, era evidente que alguma coisa teria que mudar na forma como as equipas estavam a operar, para combaterem o “encaixe” que se mantinha no meio-campo, e o primeiro treinador a dar sinal de que algo iria mudar era Rui Borges, que durante o intervalo colocava o norueguês Conrad Harder a aquecer, ele que logo ali conseguiu um momento de ligação com os adeptos do Sporting, num aparente momento de despedida, isto numa altura em que se fala da saída do jovem jogador leonino para o Rennes, de França, em cima do fecho do mercado de transferências.
De Jong marca o primeiro golo
e 17 adeptos ficam feridos na bancada
Acabou por ser Farioli o primeiro a mexer na sua equipa, com as apostas em Zaidu e Pablo Rosário, para os lugares de Rodrigo Mora e Francisco Moura, ao minuto 58′, acabando o FC Porto por construir o primeiro golo do jogo três minutos depois, aos 61′, num lance de alguma apatia da defesa da equipa da casa. William Gomes serve Alberto Costa pelo corredor direito, o lateral chega à linha de fundo e daí cruza rasteiro para a pequena-área da baliza do Sporting, onde apareceu De Jong, o tal avançado que andara “desaparecido” do jogo, a ter apenas que encostar a bola para inaugurar o marcador.
Deste golo acabaram por resultar alguns acontecimentos “paralelos” ao jogo que certamente irão ser dissecados ao longo da semana: o jogador portista Zaidu, quando se preparava para celebrar o golo de De Jong, foi atingido por objectos atirados a partir da bancada do topo sul, nomeadamente dois isqueiros e um grupo de… chaves de casa — alguém poderá ter que dormir ao relento esta noite —, tendo ficado deitado no relvado até receber assistência.
Quase ao mesmo tempo, e ainda na sequência do golo de De Jong, uma placa de vidro da bancada onde se encontrava a claque do FC Porto, não terá resistido aos festejos dos adeptos perante o golo, partiu, e os pedaços de vidro acabaram por cair sobre os adeptos do Sporting que estavam no sector A15, no primeiro anel, ferindo 17 adeptos entre os muitos que tiveram que fugir para não serem atingidos pelos vidros.
O jogo prosseguiu, os adeptos viriam a queixar-se no final que não tiveram assistência médica — houve mesmo adeptos que saíram do estádio para accionar o 112, como deu conta fonte policial no final da partida —, e o clássico acabava por ficar assim “manchado” por um incidente que poderia ter tido consequências bem mais graves, isto apesar da grande maioria das pessoas em Alvalade nem se terem apercebido do que se estava a passar naquele sector onde normalmente se encontram os adeptos da claque “Directivo Ultra XXI” do clube leonino.
Três minutos depois do primeiro golo,
golaço de William Gomes atira o Sporting às cordas
Enquanto nas bancadas os adeptos procuravam mudar de local para não serem atingidos por mais estilhaços da placa de vidro que partiu no sector onde estava a claque portista, três minutos depois do golo de De Jong, período de tempo que em termos de jogo jogado foi bem menos, já que houve que assistir Zaidu o que obrigou a partida a estar por instantes interrompida, William Gomes, o jogador que Farioli chamou à titularidade para o lugar do lesionado Pepê, surgindo com bola a partir do corredor direito, desferiu um potente remate, levando a bola a descrever um arco e indo parar dentro da baliza do Sporting, na face interior da malha lateral da baliza, para um golo indefensável. Rui Silva ainda tentou voar para a bola, mas esta só parou mesmo no fundo das redes da baliza do Sporting, adiantando-se assim o FC Porto para o segundo golo numa altura em que o jogo até parecia estar bem mais equilibrado.
Mais alguns incidentes, William Gomes também caiu no relvado porque ao lado dele caiu um petardo atirado pelos adeptos leoninos, mas rapidamente a vontade de celebrar este segundo golo foi maior do que qualquer quezília, com os jogadores do FC Porto a celebrar a vantagem agora mais confortável, e os elementos do Sporting a sentirem um valente murro no estômago que os deixava mais longe da discussão pelos pontos em causa nesta partida. O Sporting, que até entrou melhor do que o FC Porto no segundo tempo, não conseguiu criar grande perigo para a baliza de Diogo Costa, Rui Borges chamou ao jogo Quenda por troca com Fresneda logo após o 0-1, mas a v verdade é que acabou por ser o FC Porto a conseguir o 0-2 três minutos decorridos sobre o golo inaugural, deixando a equipa leonina completamente nas cordas.
Rui Borges voltou a mexer, apostou em Conrad Harder por troca com Kochorashvili, e Farioli respondia com a entrada de Deniz Gül para o lugar do homem do golo da noite, William Gomes, ele que acabou por merecer no final, quanto a nós, o estatuto de “homem do jogo”. A verdade é que as mexidas na equipa do Sporting deram alguns frutos e ao minuto 74′, depois de uma incursão de Ricardo Mangas até à linha de fundo, o lateral leonino cruzou para o interior da pequena-área da baliza à guarda de Diogo Costa, Bednarek tentou afastar a bola, mas rematou contra o corpo de Nehuen Perez, acabando a bola por entrar na baliza, ficando assim registado um auto-golo a Nehuen Perez, permitindo a reentrada do Sporting na discussão do jogo.
A dez minutos dio final da partida Farioli ainda apostou em Samu e Prpic, por troca com De Jong e Borja Sainz, e seis minutos depois Diogo Costa, no FC Porto, mostrou a importância de uma equipa ter um guarda-redes de grande qualidade, ao fazer uma defesa imponente após remate de Luis Suárez, impedindo o golo do empate ao Sporting. Alisson ainda entrou para o lugar do extenuado Pedro Gonçalves. Conrad Harder, impetuoso e pouco consequente, ainda procurou visar a baliza do FC Porto mas sem critério, e após oito minutos de compensação dados pelo árbitro João Gonçalves o jogo chegou mesmo ao fim, com a vitória do FC Porto que assim travou o ciclo de 24 jogos dos leões sem perderem para o campeonato da I Liga. Os dragões somam agora, do seu lado, sete jogos vitoriosos no escalão maior do futebol português, isto depois de terem perdido em Abril no terreno do Estrela da Amadora.
Olhando para a frente, e depois de uma paragem do campeonato da I Liga para que sejam disputados o jogos da fase de apuramento para o Mundial de 2026, o Sporting terá agora que visitar o terreno do segundo classificado, o Famalicão, na quinta jornada, enquanto que o FC Porto, que sai desta quarta ronda como líder isolado da I Liga, com 12 pontos, receberá no Dragão a turma do Nacional da Madeira.









