A menos de uma semana da discussão da Supertaça Cândido de Oliveira, na próxima quinta-feira no Estádio do Algarve no embate entre Benfica e Sporting, os encarnados jogaram este sábado no Estádio da Luz, perante 55.443 adeptos nas bancadas, frente aos turcos do Fenerbache, equipa orientada pelo português José Mourinho a quem os encarnados venceram por 3-2, conquistando deste modo o troféu relativo à Eusébio Cup, competição que justificou a realização deste jogo.
Na apresentação do novo plantel do Benfica aos seus adeptos, depois de uma entrada de equipa técnica e jogadores pela Praça Eusébio da Silva Ferreira onde o autocarro do futebol encarnado parou para permitir ao grupo o primeiro banho de multidão, a euforia foi evidente, deixando claro que a confiança está presente neste Benfica com novos jogadores como Richard Rios ou Enzo Barrenechea.
Desde logo integrados no onze titular da equipa às ordens de Bruno Lage neste jogo frente ao Fenerbache, Rios e Barreneche foram acompanhados por Trubin na baliza, com Dedic, António Silva, Otamendi e Dahl, ainda Aursnes na linha média ao lado dos dois reforços contratados, aparecendo na frente Pavlidis apoiado pelo jovem João Veloso e pelo turco Akturkoglu. E a verdade é que o Benfica entrou bem no jogo, encostando o Fenerbache à sua área de baliza e assumindo as despesas do jogo ofensivo, criando as primeiras oportunidades de golo.







À passagem do minuto 9, Otamendi caiu na área do Fenerbache na sequência de um pontapé de canto batido do lado direito por Dahl, mas o árbitro Hélder Carvalho mandou jogar. Pouco depois, aos 12’, de novo Otamendi a cabecear, uma vez mais na resposta a um pontapé de canto desta feita batido por Akturkoglu, mas o guarda-redes do Fenerbache fez uma grande defesa, respondendo o conjunto turco com uma boa transição num lance que terminou com uma excelente intervenção de Anatoli Trubin.
Com o reforço Enzo Barrenechea muito participativo a aparecer como um número seis, ainda que com o 5 nas costas, com bons apontamentos no passe e nas recuperações de bola, e com Rios a formar a dupla de médios num “miolo” da equipa encarnada a dar bons sinais de entendimento e qualidade, o Benfica começou por aparecer mais no meio-campo do Fenerbache, com os pupilos de Bruno Lage a revelarem uma excelente reação a perda da posse de bola. Já do lado da equipa turca, com o técnico José Mourinho a dar sinais de algum desagrada pela forma como a sua equipa se estendia no terreno, a opção surgia quase sempre no contra-ataque, procurando a equipa visitante chegar de forma rápida à baliza de Trubin.
Ríos e Barrenechea mostraram credenciais
À passagem da meia-hora, o Fenerbache conseguiu finalmente assentar o seu jogo, mantendo a busca de transições rápidas para o ataque, mas agora com mais bola no lançamento de cada jogada ofensiva. Contudo, já depois da pausa para hidratação das equipas, ao minuto 38’, Akturkoglu recebeu um passe de Pavlidis que o deixou completamente isolado em frente a Livakovic e, na cara do guarda-redes, não tremeu e fez o primeiro golo do jogo. A assistência de Pavlidis foi basicamente meio-golo e o turco, na finalização, abriu a contagem numa altura em que o Benfica nem estava assim tão bem, acabando a turma encarnada por conseguir adiantar-se no marcador.







Com o Benfica em vantagem, o Fenerbache perdeu por instantes o seu sentido de orientação, nomeadamente na zona defensiva, e ao minuto 42’, num lance ofensivo do Benfica, Richard Rios esteve à beira de chegar ao golo, acabando por falhar na finalização. A bola acabou por sobrar para um ressalto dentro da área, Pavlidis ainda tentou dirigir o esférico para a baliza do Fenerbache, mas foi Archie Brown quem, com um toque inadvertido, encaminhou a bola para dentro da baliza, fazendo assim um auto-golo que deixava o Benfica por esta altura a vencer por 2-0.
Em desvantagem, a equipa do Fenerbache acabou por conseguir responder logo depois, ao minuto 45’, com um golo apontado por Kahveci, ele que, com um remate desferido em zona frontal à grande-área dos encarnados, rematou para o junto do poste esquerdo da baliza de Trubin, fazendo assim um bonito golo, ainda que tirando partido de alguma desatenção do sector defensivo benfiquista. Aliás, sendo certo que a equipa às ordens de Bruno Lage mostrou já alguma ligação entre os diversos setores com bons apontamentos, a defesa surgiu no relvado da Luz como a componente menos eficiente do conjunto, no qual Bruno Lage terá mais trabalho a efectuar neste início de época.
Por falar em trabalho, também na linha média Lage terá que encontrar outros protagonistas, isto porque, sendo certo que João Veloso mostrou qualidade, deixou claro estar bem abaixo do nível de Rios e Barrenechea. Aursnes continuará certamente a ser polivalente, Leandro Barreiro, Schjelderup ou Prestianni poderão finalmente explodir, mas sem João Félix, de que se soube já depois deste jogo com o Fenerbache que irá rumar ao Al Nassr, e também sem Bruma, que se lesionou durante a discussão da Eusébio Cup e estará alguns meses entregues ao departamento médico do Benfica, Bruno Lage terá que encontrar outras soluções para compor a sua equipa e que, seja que for, já não chegará a tempo da Supertaça na próxima quinta-feira.
Certo é que, no meio-campo, Rios e Barrenechea mostraram bons sinais de que poderão agarrar de estaca os respectivos lugares, Dedic também surgiu eficaz no seu corredor, embora menos fulgurante do que os restantes reforços, ficando por ver até ao intervalo o que poderá fazer Obrador, ele que começou o jogo no banco de suplentes. Curiosamente, para o segundo tempo, Obrador continuou no banco na reentrada da equipa, tendo Lage determinado diversas alterações, desde logo com a entrada de Samuel Soares para o lugar de Trubin, mas também as entradas de Leandro Santos, Leandro Barreiro e Bruma, ficando nos balneários, para além de Trubin, também João Veloso, Barrenechea e Dedic.
José Mourinho respondeu com a mudança de três jogadores no Fenerbache, apostando em Egribayat, Jhon Durán e Akçiçek, com destaque para o colombiano que o conjunto turco foi buscar aos árabes do Al Nassr e que mostrou algumas credenciais da sua qualidade no relvado de Alvalade. Logo ao minuto 53′, Durán assustou ao rematar de fora da área, levando a bola a bater na base do poste esquerdo da baliza do Benfica, deixando o primeiro sinal de que o Fenerbache queria mais desta partida.




O conjunto turco apareceu, de facto, no segundo tempo, a conseguir ter mais bola, tirando partido de alguma falta de visão conjunta do Benfica, e justificou rapidamente nova mudança no marcador. Ao minuto 59’ e uma vez mais a partir de uma transição rápida para o ataque, num lance que começou na defesa do Fenerbache, apareceu o marroquino En-Nesyri a desmarcar-se pelo lado esquerdo do ataque em velocidade. António Silva não teve pernas para acompanhar o jogador do Fenerbache e este, isolado, bateu Samuel Soares assinando o empate a dois golos.
Henrique Araújo foi o herói improvável
À passagem do minuto 64’ a equipa do Benfica conheceu uma terceira formação neste jogo, face às entradas de entradas de Rafael Obrador, Schjelderup, Henrique Araújo, Prestianni e Diogo Prioste, passando estes a ocupar as posições de Dahl, Aursnes, Richard Ríos, Aktürkoğlu e Pavlidis. Pouco depois, respondeu José Mourinho com duas mudanças na turma do Fenerbache, tirando do jogo Fred e Oosterwolde, para as entradas de Elmaz e Djiku, permitindo à equipa turca alguma ligação suplementar, perante um Benfica acusava aqui alguma perda de automatismos com esta nova formação que, relativamente ao onze inicial, mantinha apenas António Silva e Otamendi.
Ao minuto 78’ Bruma teve que deixar as quatro linhas, depois de ficar com o pé preso no relvado, o que lhe provocou uma lesão no tornozelo, entrando para o seu lugar Tiago Gouveia. Já depois do jogo soube-se que a lesão terá sido grave, podendo mesmo Bruma ficar alguns meses entregue ao departamento clínico do clube. Logo depois, sobre o minuto 80’, Henrique Araújo, avançado que na última época esteve emprestado ao Arouca, apareceu a fazer o terceiro golo dos encarnados, com um toque oportuno entre os centrais do Fenerbache.
Na resposta ao golo que voltou a colocar o Benfica em vantagem, houve tempo para mais algumas mudanças nas duas equipas, com Bruno Lage a tirar da partida os dois centrais que ainda não tinham saído, nomeadamente Otamendi e António Silva, eles que deram os seus lugares a Wynder e Gonçalo Oliveira, tendo o defesa norte-americano, ele que chega dos escalões de formação dos encarnados mas que já foi internacional pelo seu país, deixado alguns apontamentos de qualidade no eixo da defesa benfiquista. Curiosamente, acabou por ser Wynder a ser apanhado em posição irregular no lance em que viria a ser invalidado o quarto golo do Benfica, marcado uma vez mais por Henrique Araújo. Num lance em que ficou a ideia de ter havido carga sobre o guarda-redes, o VAR acabou por encontrar uma posição irregular do central norte-americano que serviu de justificação para a anulação do quarto golo do Benfica.


Bruno Lage ainda chamou ao jogo Rafael Luís e João Rêgo, eles que entraram para os instantes finais da partida por troca com Diogo Prioste e Henrique Araújo, num jogo que terminou pouco depois com a vitória do Benfica por 3-2. O troféu relativo a mais uma edição da Eusébio Cup ficou assim pela sexta vez no Estádio da Luz, conquistado no jogo com o Fenerbache em que o Benfica justificou a vitória por aquilo que fez no primeiro tempo, com uma reação muito forte à perda de bola e com um meio-campo muito trabalhador, nomeadamente na recuperação da posse. Como ponto menos positivo e a obrigar a mais trabalho por parte dos pupilos de Bruno Lage, a forma menos eficaz como a defesa funcionou, dando demasiado espaço aos jogadores adversários e permitindo alguns corredores que o Fenerbache procurou sempre aproveitar para as suas transições ofensivas em velocidade.
O Benfica entra em ação, desta feita bem mais “a sério”, já na próxima quinta-feira, na discussão da Supertaça Cândido de Oliveira, no Estádio do Algarve, frente ao campeão Sporting.









