Portugal garantiu este domingo a segunda vitória naquele que foi o segundo jogo referente à Liga das Nações, triunfando desta feita em Oslo, na Noruega, por 2-1 frente à turma em que se destacam Haaland, Aursnes e Schjelderup, entre outros. Do lado de Portugal, numa formação em que Cristiano Ronaldo ficou no banco de suplentes, João Félix, que já na passada quinta-feira tinha dado a vitória lusa sobre o País de Gales, voltou a marcar para Portugal, abrindo o marcador de um jogo que terminou favorável à Turma das Quinas por 2-1, com o segundo golo luso apontado por Gonçalo Ramos.
Do lado da Noruega marcou o inevitável Erling Haaland, ele que ainda empatou a partida quando Portugal estava em vantagem após o golo de Félix. Só que o golo do avançado do Manchester City mereceu uma resposta quase imediata de Portugal, agora por Gonçalo Ramos, ele que efectuou um chapéu num gesto de grande qualidade técnica sobre o guarda-redes Nyland, depois de um erro clamoroso deste. Curiosamente, o mesmo Gonçalo Ramos viria a fazer o que poderia ter sido o terceiro golo para a Nossa Seleção, mas o avançado do AC Milan estava em posição irregular e o VAR acabou por anular o golo, mantendo o 2-1 no marcador.








Para Portugal, os dados mais significativos deste jogo surgiram pouco antes do início do mesmo, desde logo quando foram conhecidas as escolhas do selecionador Jorge Jesus para o “onze” titular de Portugal, destacando-se desde logo a ausência de Cristiano Ronaldo deste lote. O capitão teve que passar a braçadeira para Rúben Dias, começando o jogo no banco de suplentes e dando o seu lugar a Gonçalo Ramos que jogou com o apoio de João Félix, aparecendo nos corredores Francisco Conceição e Pedro Neto. O miolo era preenchido por João Neves e Palhinha, ficando a defesa entregue ao quarteto já consolidado, com Cancelo, Rúben Dias, Renato Veiga e Nuno Valente, encarregues de fecharem os caminhos para a baliza à guarda de Diogo Costa.
Começando assim com Cristiano Ronaldo no banco, Portugal entrou em campo ainda assim afoito e veloz, colocando a seleção da Noruega em sentido, ignorando que esta formação nórdica foi há poucos meses a sensação do Mundial nos EUA, México e Canadá. Jorge Jesus tinha dito na antevisão que não ia ter medo nenhum da Noruega e cumpriu essa promessa, colocando em campo uma formação lusa ambiciosa, lutadora e confiante.












O golo de Félix acabou por chegar naturalmente. Pedro Neto, sempre a pedir o corredor, serviu o avançado do Milan numa combinação que a defesa norueguesa não conseguiu desfazer. Félix recebeu, olhou para a baliza e limitou-se a encostar. Às vezes o mais difícil é mesmo não partir a bola, como ele próprio explicou depois, dizendo que o mister lhe pede para “fazer um passe ao golo” naqueles momentos. Foi isso mesmo: um passe para dentro das redes.
O susto veio de Haaland
A resposta veio de Ramos
A Noruega não é uma equipa qualquer. Tem Haaland, tem Aursnes, tem Schjelderup, e tem a memória recente de ter sido uma das sensações do último Mundial. Quando o avançado do Manchester City apareceu na área portuguesa e empatou o jogo aos 51 minutos, o estádio Ullevaal veio abaixo. Era o que faltava para os noruegueses acreditarem que podiam virar aquilo. Mas Portugal respondeu de forma quase imediata. Três minutos depois, Nyland — o guarda-redes norueguês, que já leva uns anos disto — fez uma daquelas coisas que ficam para a história pelos piores motivos. Saiu a jogar curto, entregou a bola nos pés de Gonçalo Ramos, e o avançado português não pensou duas vezes. Viu o guarda-redes fora da baliza e limitou-se a fazer o chapéu. Uma execução de grande qualidade técnica, sim, mas acima de tudo uma leitura de jogo fria e inteligente.
O mesmo Nyland voltaria a errar pouco depois, e Ramos voltaria a marcar. Só que desta vez o VAR chamou a atenção do árbitro: posição irregular, golo anulado. Ficou 2-1, e ficou a sensação de que aquele jogo podia ter terminado com mais para Portugal, ainda que os noruegueses nunca entregaram a partida.




Ficha de jogo



O elefante na sala
Mas sejamos honestos: o jogo começou antes do jogo começar. Quando as escolhas de Jorge Jesus foram conhecidas, a notícia não foi quem jogava — foi quem não jogava. Cristiano Ronaldo ficou no banco. A braçadeira passou para Rúben Dias, e Gonçalo Ramos ocupou o lugar que, durante tantos anos, parecia ser propriedade privada do capitão.
Não é todos os dias que CR7 fica de fora de um jogo oficial de Portugal. Na verdade, não acontecia desde 2008, num Euro contra a Suíça, há dezoito anos. Dezoito. É uma eternidade no futebol. E Jorge Jesus, que tem a reputação de não se deixar intimidar por nomes, explicou depois que tinha combinado com Ronaldo colocá-lo na última meia hora, mas que o jogo “estava a pedir outras coisas”. Gonçalo Ramos estava bem, tinha marcado, tinha tido outro anulado. Mexer naquilo, na cabeça do treinador, não fazia sentido.
E depois, o vazio
O jogo terminou. Os jogadores portugueses, como é hábito, foram para junto dos cerca de 500 adeptos que fizeram a viagem até Oslo. Agradeceram o apoio, festejaram, aquela comunhão habitual entre equipa e bancada, mas… Cristiano Ronaldo não estava lá, recolheu diretamente ao balneário assim que o árbitro apitou. Não acompanhou os colegas no agradecimento.
Nas bancadas, houve quem filmasse o momento: CR7 de pé, um gesto com o braço, e rua. A imprensa internacional não deixou passar — o jornal suíço SPORT escreveu que ele já “não é intocável”, o Mundo Deportivo falou em “cara de poucos amigos”, e até a Ryanair se meteu na brincadeira nas redes sociais.
Jorge Jesus, questionado sobre o assunto, admitiu que só soube depois e que vai falar com o capitão. “A Seleção é de todos nós e ele como capitão… não sei responder concretamente ao pensamento dele. Só depois de falar com ele”.










O que fica…
Portugal venceu, lidera o grupo, e soma duas vitórias em dois jogos nesta Liga das Nações que quer voltar a conquistar. Gonçalo Ramos deu uma resposta que, em qualquer discussão sobre o ataque português, fica registada. João Félix, pela segunda vez consecutiva, marcou e jogou na posição que diz ser a sua.
Do outro lado, fica a imagem de um capitão que, num jogo em que não entrou, também não ficou. E fica a pergunta que Jorge Jesus vai ter de responder, primeiro a Ronaldo, depois a todos nós: o que significa, exatamente, que Cristiano Ronaldo já não é intocável na seleção portuguesa






