Frente à Noruega, a quem Portugal já tinha vencido em Oslo no passado fim-de-semana por 2-1, a Seleção lusa repetiu o resultado, garantindo novo triunfo conseguido com uma cambalhota no resultado. Curiosamente, o primeiro golo até foi conseguido por Kristoffer Ajer para a Noruega, com o jogador do Brentford a armar um bonito pontapé de trivela com o qual enviou a bola ao segundo poste, assinando um golo de belo efeito, mas mais importante do que como começa um jogo é como o mesmo acaba.
A Seleção de Portugal não se atemorizou com o golo noruegês, e rapidamente repôs a igualdade, dois minutos depois, com um golaço de João Cancelo, iniciado a partir de um lançamento desde a linha lateral por Nuno Mendes. O defesa lateral colocou a bola junto à meia-lua da área norueguesa e aí apareceu Cancelo para um remate de primeira, forte, a garantir um golo que se revelou capaz de levantar o Estádio do Dragão. Depois, já no segundo tempo, um lance tricotado pelos avançados de Portugal permitiu à Turma das Quinas confirmar a vitória. João Félix, uma vez mais o melhor elemento em campo, fez a assistência para o segundo de Portugal, desta feita assinado por Gonçalo Ramos, num lance de enorme qualidade e inspiração dos jogadores de Portugal.
Portugal venceu deste modo a Noruega e selou desde já o apuramento para a fase seguinte da Liga das Nações, isto quando ainda faltam dois jogos a cada seleção para ficar concluída a fase de grupos desta competição. No Estádio do Dragão, recinto que voltou a ser palco de uma noite segura para a Seleção Nacional, Jorge Jesus somou a quarta vitória em quatro jogos ao leme de Portugal, em uma partida em que desde o início ficou claro que a equipa lusa entrou determinada a resolver cedo a questão do apuramento. A posse de bola foi maioritariamente portuguesa desde os primeiros minutos, com a equipa a circular a bola com paciência, à procura de espaços numa defesa norueguesa bem organizada. O problema da finalização ainda permaneceu durante boa parte do primeiro tempo, ainda que o domínio do jogo foi permitindo que surgissem algumas oportunidades claras.
A Noruega, que mudou de guarda-redes para este jogo depois dos “frangos” de Nyland no jogo de Oslo, aparecendo agora Selvik entre os postes, não se limitou a defender. Sempre que recuperava a bola, tentava explorar a velocidade nos corredores, sobretudo pelo lado direito, e foi por aí que começou a criar algum perigo. Diogo Costa teve trabalho a resolver duas situações complicadas, uma delas após remate de Antonio Nusa, que obrigou o guarda-redes português a aplicar-se a sério. Houve também um momento de apreensão quando Nuno Mendes e Schjelderup chocaram. O lateral português ficou alguns instantes no relvado, foi socorrido pelos seus companheiros que o colocaram de lado sobre o relvado, mas o lateral do Paris Saint-Germain viria a levantar-se sem aparentes consequências, saiu das quatro linhas por um minuto como mandam os regulamentos, mas regressou ao jogo para manter a qualidade de sempre.
A partir da meia hora, Portugal subiu de rendimento. Bruno Fernandes testou Selvik com um remate que o guardião norueguês desviou com alguma dificuldade, e Gonçalo Ramos, pouco depois, também obrigou o guarda-redes a uma defesa apertada. Aos 33 minutos, uma combinação bem trabalhada terminou em canto, e a sensação de que o golo estava para breve crescia nas bancadas.
O golo que surgiu na baliza errada
Foi então que aconteceu o impensável. Contra a corrente do jogo, a Noruega inaugurou o marcador aos 35 minutos. O golo nasceu de um lance em que o defesa norueguês Ajer surgiu à entrada da área, pelo corredor direito do ataque do conjunto nórdico, e finalizou com um remate de trivela forte e colocado, sem grandes hipóteses para Diogo Costa, com este a ver a bola descrever um arco à sua frente para ir entrar na baliza junto ao poste mais distante.
A resposta portuguesa, no entanto, foi quase imediata, e de uma qualidade que merece ser destacada. Dois minutos depois, aos 38, Nuno Mendes executou um lançamento lateral longo, a bola chegou à entrada da área norueguesa sem que ninguém travasse a sua marcha, surgindo João Cancelo que, sem pensar duas vezes, atirou de primeira. O remate saiu perfeito, direto ao ângulo, e Selvik limitou-se a ver a bola entrar para um golo que colocava finalmente Portugal em vantagem nesta partida.
Foi um daqueles golos que mudam o estado de espírito de um jogo. Portugal, que estava a perder sem merecer, chegava assim ao empate com um lance de execução individual irrepreensível.
Segundo tempo de controlo e gestão
Ao intervalo, o empate a uma bola parecia justo pelo que se tinha visto. Portugal tinha mais posse, mais iniciativa, mais remates, mas a Noruega tinha sido eficaz na única verdadeira oportunidade que criou.
O segundo tempo começou com a Noruega mais pressionante, a tentar aproveitar algum espaço na zona intermédia do meio-campo português. Aos 60 minutos, Haaland teve a melhor oportunidade da noite para os visitantes, mas o remate do avançado do Manchester City saiu pela linha de fundo. Foi, de resto, uma noite discreta para Haaland, que acabou substituído por Strand Larsen pouco depois.
Portugal foi recuperando o controlo à medida que o jogo avançava. Francisco Conceição, que tinha estado pouco interventivo na primeira parte, voltou ao jogo para justificar o cognome de ‘espalha-brasas’ na segunda metade da partida, e Vitinha esteve mesmo perto de marcar, com um remate que um defesa norueguês desviou para canto. João Félix, entretanto, ia fazendo a diferença na ligação entre o meio-campo e o ataque, com toques de qualidade que davam fluidez ao jogo português.
Gonçalo Ramos resolve com nota artística
O golo da vitória chegou aos 79 minutos, e foi precedido de uma jogada coletiva bem construída merecedora de elevada nota artística. Vitinha encontra João Félix, este inventa espaço por entre a defesa nórdica e, com maestria, serve Gonçalo Ramos, que apenas tem de encostar para fazer o 2-1, um golo em que todo o mérito tem que ser endereçado para João Félix, sendo de apontar o bom sentido de colocação de Ramos. O lance foi revisto pelo VAR, acabando o golo por ser validado sem problemas.
A partir daí, Portugal geriu. Jorge Jesus mexeu na equipa para proteger o resultado: Dalot entrou para o lugar de Cancelo, que tinha visto já um cartão amarelo, e Rúben Neves substituiu Palhinha. Mais tarde, entraram também Bernardo Silva, Pedro Neto, Nuno Tavares e Trincão.
O momento mais delicado da noite surgiu já perto do fim, quando Francisco Conceição recebeu o segundo cartão amarelo por protestos, depois de reclamar uma possível grande penalidade. Portugal ficou reduzido a dez jogadores. Pouco depois, Bruno Fernandes assinou uma entrada mais dura sobre Schjelderup e o árbitro chegou a mostrar o cartão vermelho ao camisola 8 de Portugal. O internacional luso do United começou por ficar confuso ao ver o cartão vermelho exibido com tamanha velocidade pelo árbitro italiano Maurizio Mariani, mas este rapidamente assumiu que se tratou de um erro, sorriu e corrigiu a decisão, mostrando tão só um cartão amarelo para Bruno Fernandes.
A jogar com apenas 10 jogadores em campo após a expulsão de Francisco Conceição, a Noruega ainda tentou aproveitar a superioridade numérica nos minutos finais, mas Portugal defendeu a vantagem com organização e algum sofrimento. João Félix saiu sob uma grande ovação, depois de uma das melhores exibições da noite, tal como aconteceu com Gonçalo Ramos, Vitinha, Palhinha e Rúben Dias, destacando apenas aqueles que estiveram em melhor nível.
Ficha do jogo
Portugal 2-1 Noruega
Competição: Liga das Nações
Estádio do Dragão
Ao intervalo: 1-1
Árbitro: Maurízio Mariani (ITA)
Portugal: Diogo Costa; João Cancelo, Rúben Dias, Renato Veiga e Nuno Mendes; Bruno Fernandes, Palhinha e Vitinha; Francisco Conceição, Gonçalo Ramos e João Félix
Selecionador: Jorge Jesus
Noruega: Egil Selvik, Fredrik Aursnes, Kristoffer Ajer, Leo Ostigard e Moller Wolfe; Martin Odegaard, Sander Berge e Patrick Berg; Andreas Schjelderup, Erling Haaland e Antonio Nusa
Selecionador: Stale Solbakken
Golos:
- 0-1 Kristoffer Ajer (36′)
- 1-1 João Cancelo (38′)
- 2-1 Gonçalo Ramos (79′)
Ação disciplinar:
Cartão amarelo: João Cancelo (12′); Francisco Conceição (86′ e 86′); Bruno Fernandes (89′)
Cartão vermelho: Kristian Thorstvedt (85′); Francisco Conceição (86′ por acumulação de amarelos)
O que fica deste jogo
Com este triunfo, Portugal soma 12 pontos em quatro jogos e garante matematicamente a presença nos quartos de final da Liga das Nações, competição que a Turmas Quinas quer vencer de novo. Para já fica para o conjunto luso o melhor registo de sempre nas primeiras quatro jornadas da Liga das Nações, superando os 10 pontos alcançados em edições anteriores.
Para Jorge Jesus, esta passa por ser a quarta vitória consecutiva desde que assumiu o comando da equipa, e a terceira sem Cristiano Ronaldo em campo. O tema da ausência do capitão CR7 continua a pairar sobre a Seleção, e viria mesmo ser tema dominante na conferência de Imprensa após este jogo no Dragão, mas os resultados têm dado razão às escolhas do treinador e, mesmo sem Ronaldo, Portugal tem conseguido ser eficaz, tendo apontado oito golos nos últimos três jogos disputados contra quatro sofridos.
Os dois jogos restantes da fase de grupos servirão agora apenas para cumprir calendário, embora ainda esteja em jogo o primeiro lugar do grupo. Portugal volta a jogar em novembro, frente à Dinamarca, em Braga, num jogo em que Jorge Jesus não poderá contar com João Cancelo nem Francisco Conceição, ambos suspensos depois da partida deste domingo no Dragão.









