Duas pilastras atribuídas ao pintor Columbano Bordalo Pinheiro foram encontradas na casa de Abel de Lacerda, fundador do Museu do Caramulo, e vão passar a integrar a colecção de arte da instituição. A descoberta foi feita há cerca de dois meses por Miguel de Lacerda, filho do fundador, e vem acrescentar mais um capítulo ao legado artístico de quem esteve na origem do museu.
Segundo Madalena Reis, do Museu do Caramulo, o achado foi recebido com surpresa e entusiasmo. As pinturas que decoram as pilastras remetem para a ideia de baile, dança e festa, o que torna plausível que tenham pertencido a um salão de baile ou de festas, eventualmente num palácio — como seria o caso do palácio do Conde de Valenças. As peças mostram ainda uma afinidade estética com a obra do pintor italiano Giovanni Boldini, o que reforça o seu interesse artístico e histórico.
Para Madalena Reis, este é mais um sinal de que o legado de Abel de Lacerda continua a revelar-se. Passados 70 anos, continuam a aparecer peças que podem ser partilhadas com o público e com quem visita o museu. A descoberta está já a despertar curiosidade na comunidade académica e vem fortalecer uma colecção que tem no espólio de Abel de Lacerda uma das suas principais referências.
Abel de Lacerda foi reunindo ao longo da vida diversas obras de arte e peças de decoração, que começaram por integrar a sua própria casa e acabaram por passar para o património do museu. Viveu naquela casa até 1957, ano da sua morte. O edifício é da autoria do arquitecto Raul Lino, mas o projecto do jardim só seria encomendado a Gonçalo Ribeiro Telles na década de 1960, já sob a orientação da viúva, Madalena de Lacerda.
O Museu do Caramulo documentou a descoberta das peças em vídeo, que pode ser visto abaixo.









