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Portas debate ordem mundial no Janus Summer Summit 2026

O encontro na Porto Business School reuniu especialistas, líderes empresariais e decisores para analisar a transformação da economia e geopolítica internacionais”

Sob o tema ‘An Unstable and Changing World: Building a New International Order’, o encontro ficou marcado pela intervenção do antigo vice-primeiro-ministro e ministro da Defesa e dos Negócios Estrangeiros, Paulo Portas, para quem a economia portuguesa continua exposta a fatores externos que influenciam o crescimento, o investimento e a competitividade.

Paulo Portas questionou o que é considerado de ‘nova ordem internacional’, defendendo que vivemos atualmente uma desconstrução da ordem anterior, evidenciada pelo bloqueio de instituições fundamentais como o Conselho de Segurança da ONU e a Organização Mundial do Comércio.

Paulo Portas considerou que “não estamos num tempo de mudança de ordem internacional, estamos em plena desordem internacional. (…) Há uma esperança na rearrumação do mundo e ela pode já chegar com as eleições ‘midterms’ nos Estados Unidos em novembro próximo”.

O antigo vice-primeiro-ministro alertou para a transição perigosa de um sistema de alianças, baseado em regras e tratados, para um sistema de potências focado exclusivamente na força militar e no armamento nuclear, uma mudança que, na sua visão, ocorre em grande parte à custa dos interesses da Europa.

Relativamente ao conflito no Médio Oriente, Paulo Portas destacou o embate entre a “astúcia” de forças assimétricas e a força convencional norte-americana, sublinhando como a instabilidade no Estreito de Ormuz impacta severamente os custos globais de transporte e seguros marítimos.

Choque energético

Num outro painel, Filipe Grilo, docente da Porto Business School e investigador do Innovation X Hub (IXH), defendeu que não vivemos necessariamente o pior choque energético de sempre, comparando os preços atuais do petróleo e do gás com os observados no início do conflito na Ucrânia. Alertou, contudo, para o impacto do ‘bloqueio de Schrödinger’ no Estreito de Ormuz, que gera uma incerteza crítica nas previsões de crescimento do PIB – estimado entre 1,7% e 1,9% – e na evolução da inflação, que deverá abrandar até ao final do ano.

O economista alertou que “o mercado está a comportar-se como se o bloqueio fosse temporário, mas essa leitura depende de uma condição essencial – que os inventários e a produção alternativa continuem a ganhar tempo. Se essa almofada se esgotar antes de haver uma normalização estável, o choque deixa de ser apenas um risco de preços e passa a ser um risco de escassez física. É por isso que as previsões económicas para o segundo semestre devem ser lidas com prudência: poucas semanas de diferença na resolução do bloqueio podem alterar significativamente o cenário para a inflação e para o crescimento”.

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