O setor agroalimentar português enfrenta um desafio paradoxal: apesar de vender os seus produtos para 193 países, continua profundamente dependente do mercado europeu. Em 2025, as exportações do setor atingiram um valor recorde de 10,6 mil milhões de euros, representando 13,3% do total de bens vendidos por Portugal ao exterior.
A análise dos dados, no entanto, revela uma forte concentração geográfica, com Espanha a absorver cerca de 41,5% das vendas, seguindo-se França, Itália, Alemanha e Países Baixos como destinos dominantes. Esta dependência, embora vantajosa pela proximidade, expõe as empresas nacionais a uma concorrência intensa em segmentos de mercado semelhantes, obrigando-as a competir cada vez mais pelo valor e diferenciação, e não apenas pelo preço.
A dimensão do tecido empresarial nacional, composto por cerca de 124 mil empresas e mais de 327 mil trabalhadores, é um fator que dificulta a expansão para mercados mais distantes e exigentes. Muitos operadores, de pequena e média dimensão, enfrentam barreiras significativas no acesso direto a novos mercados.
É neste contexto que a SAGALEXPO – Feira de Exportação dos Sabores de Portugal – ganha particular relevância. A realizar-se de 13 a 15 de abril de 2026, na FIL, em Lisboa, esta é a única feira nacional exclusivamente vocacionada para a exportação do setor agroalimentar. O certame, que chega à sua 5ª edição, tem como objetivo primordial promover a internacionalização das marcas e produtos nacionais, reunindo produtores de marcas exclusivamente portuguesas com compradores internacionais.

A feira procura dinamizar o mercado e implementar os produtos tradicionais portugueses em novos territórios, destacando especialmente os mercados da “diáspora” para encurtar distâncias entre fornecedores e consumidores portugueses espalhados pelo mundo. Este esforço de diversificação parece estar a dar frutos.
Nos últimos anos, tem-se verificado um aumento gradual da presença de produtos agroalimentares portugueses em destinos extracomunitários, como os Estados Unidos, o Brasil e o Reino Unido, sobretudo em segmentos de maior valor acrescentado. Este movimento indica uma tentativa de reposicionamento da oferta nacional, aproveitando acordos comerciais como o da União Europeia com o Mercosul, que abre portas a um mercado de 270 milhões de consumidores, e o futuro acordo com a Índia, como estratégia para reduzir a dependência europeia e consolidar a marca Portugal no mundo.







