O agora selecionador Jorge Jesus fez história esta noite em Alvalade. Aos 72 anos, orientou pela primeira vez a Seleção de Portugal e saiu do Estádio de Alvalade com uma vitória por 1-0 sobre o País de Gales, no primeiro jogo de mais uma edição da Liga das Nações. Num jogo em que o “mister” evitou grandes revoluções, fazendo apostas dentro do que lhe era esperado, com Diogo Costa na baliza, João Cancelo, Rúben Dias, Renato Veiga e Nuno Mendes como quarteto defensivo, ainda Rúben Neves, Vitinha, Bruno Fernandes, Pedro Neto, surgindo lá na frente João Félix e Ronaldo, o golo que fez o resultado final e o triundo de Portugal foi de João Félix, ele que foi, sem grande discussão, o melhor em campo.
Com a bola a rolar, Portugal teve alguma dificuldade em justificar o seu favoritismo para o triunfo final, encontrando dificuldades em impor o seu ritmo. O País de Gales, sem complexos, fechou-se bem e tentou explorar os espaços nas costas da defesa lusa, pelo que os primeiros dez, quinze minutos, foram de estudo, com a Turma das Quinas a trocar a bola sem grande velocidade à procura de encontrar uma brecha no conjunto britânico. Jesus apostou de início na dupla que já tinha treinado no Al-Nassr, e deu titularidade a Nuno Mendes e a Vitinha no meio-campo, apostas que faziam todo o sentido pelo momento de forma de ambos.









Quanto ao golo, este acabou por nascer de um lance algo fortuito. Corria o minuto 22 quando Nuno Mendes meteu a bola na área e João Félix, à entrada desta, rematou de primeira. A bola ainda desviou em Ben Davies e traiu Danny Ward, que nada pôde fazer. Foi um golo conseguido com alguma sorte pela forma como os ressaltos permitiram o caminho da bola, é verdade, mas merecido pelo que João Félix já tinha feito até aí.
Cristiano ainda festejou o golo,
mas… estava em fora de jogo
Encontrando-se em vantagem, Portugal controlou, mas nunca conseguiu matar o jogo. Cristiano Ronaldo teve várias oportunidades, algumas delas claras. Aos 40 minutos, Félix isolou-o na área, mas o remate saiu à figura de Ward. Logo a seguir ao intervalo, CR7 voltou a ter uma chance quase de baliza aberta e voltou a falhar. E aos 60 minutos, o momento mais discutido da noite: Ronaldo meteu a bola no fundo das redes, Alvalade explodiu, mas o VAR chamou o árbitro e o golo foi anulado por posição irregular do capitão.








As imagens do lance deixaram poucas dúvidas — o capitão de Portugal estava mesmo adiantado — e a celebração ainda feita por CR7 junto à bandeirola de canto acabou por ser infrutífera e sem significado. Sem golos para a sua conta pessoal e ainda a 21 Cristiano Ronaldo saiu aos 67 minutos para dar o seu lugar a Gonçalo Ramos, visivelmente frustrado, mas a merecer ainda o aplauso dos adeptos que encheram as bancadas do Estádio de Alvalade.
A propósito de substituições, na mesma altura em que Cristiano Ronaldo deu o seu lugar a Gonçalo Ramos, também Rúben Neves saiu para a entrada de Palhinha, permitindo um momento que ficou marcado pela negativa nas bancadas de Alvalade. À entrada de Palhinha, o recinto leonino encheu-se de assobios, com os adeptos do Sporting, em maioria na “sua” casa, fizeram questão de deixar bem claro o seu desagrado pelo ingresso do médio no Benfica na presente temporada, vindo do Bayern de Munique, ele que já foi jogador dos leões e que assim passou a representar o clube rival.







O certo é que Palhinha, de resto, não se deixou afetar e cumpriu sem sobressaltos a sua missão em campo com a camisola da Seleção vestida, ele que regressou assim à Turma das Quinas depois do anterior selecionador o ter mantido à margem dos trabalhos da formação de Portugal.
A perder pela diferença mínima, o País de Gales não se ficou e quis encontrar uma forma de equilibrar de novo a partida e o marcador. Essa intenção ficou ainda mais evidente por parte dos britânicos na segunda metade, sobretudo depois das substituições, altura em que os galeses subiram linhas e criaram algum perigo. Brennan Johnson e Daniel James deram trabalho aos laterais portugueses, e houve um ou outro cruzamento que passou perto da área de Diogo Costa sem que ninguém conseguisse desviar.









Rúben Dias de calcanhar
defendeu o golo galês
À passagem do minuto 74 aconteceu mesmo a grande perdida do País de Gales, quando a bola andou a passear dentro da área de Portugal, beijou mesmo a trave da baliza de Diogo Costa quando este estava fora do lance, ressaltou para um jogador galês que ainda procurou empurrar para dentro da baliza, com Rúben Dias a fazer uma enorme defesa com o calcanhar, acabando por surgir finalmente Diogo Costa a segurar o esférico dando o lance por concluído. De forma inacreditável, a bola não entrou na baliza de Portugal e a Turma das Quinas aguentou o momento de maior assédio galês às redes da baliza lusa.
No fim, Jorge Jesus somou a primeira vitória, cumprindo aquilo que era o essencial, permitindo que Portugal pudesse entrar com o pé direito visando o objectivo de repetir a conquista da Liga das Nações. Ainda assim, o marcador final a assinalar um tangencial 1-0 deixa claro que esta Seleção ainda tem muito para afinar, sabendo-se que já no próximo domingo terá que defrontar a seleção sensação do último Mundial dos EUA, a Noruega de Herling Haaland.










Ficha do jogo
Portugal 1-0 País de Gales
Competição: Liga das Nações
Estádio de Alvalade
Ao intervalo: 1-0
Árbitro: Donatas Rumšas (LIT)
VAR: S. Storks (ALE)
Portugal: Diogo Costa; João Cancelo, Rúben Dias, Renato Veiga e Nuno Mendes; Rúben Neves, Vitinha, Bruno Fernandes e Pedro Neto; João Félix e Cristiano Ronaldo
Selecionador: Jorge Jesus
País de Gales: Ward, Neco Williams, Ben Cabango, Ben Davies, Jay Dasilva, Jordan James, Joshua Sheehan, Ampadu, Koumas, Brooks e Brennan Johnson
Selecionador: Craig Bellamy
Golos:
- 1-0 João Félix
Ação disciplinar:
Cartão amarelo: Ben Cabango (71′)







A defesa de Portugal esteve segura frente ao País de Gales, o meio-campo teve momentos de qualidade, mas foi na frente de ataque que se sentiu a ausência de argumentos determinantes, ficando sempre a sensação de que por ali faltou aquele rasgo para “matar” o jogo. Ficou a ideia de que, com João Félix a manter este nível e com mais tempo de trabalho, as coisas podem fluir melhor para Portugal, sendo certo que foi possível somar três pontos e uma estreia ganha. Afinal, no fundo, era isso o que se pedia, mas a qualidade da exibição da Nossa Seleção, a ser apenas mantida no próximo jogo, pode ser pouca para permitir levar de vencida os noruegueses, sendo preciso esperar para ver que outros trunfos terá Jorge Jesus para tirar da manga.






