LaLiga EA SPORTS 2026/2027 game between teams of Real Betis Balompie and Real Madrid

Bétis impõe primeira derrota ao Real de José Mourinho

O regresso de José Mourinho a Madrid tinha sido, até esta sexta-feira, um passeio triunfal. Três jogos, três vitórias e a sensação de que o velho leão tinha recuperado o faro. Mas o futebol, como ele bem sabe, tem destas ironias e frente ao Betis, num jogo em que o favoritismo assentava ainda assim aos merengues a quem as odds indicavam a vitória quase certa, as contas saíram furadas e o Real Madrid consentiu a primeira derrota no presente campeonato da La Liga.

Foi assim em Sevilha, diante de um Betis faminto, que a máquina perfeita às ordens de José Mourinho, com Vini Jr., Mbappé, Bellingham e todos os demais, engasgou e perdeu o embalo. O Estádio de La Cartuja assistiu ao primeiro tropeço do “Special One” nesta sua nova era, um 1-0 particularmente saboroso para o Betis, que soube a pouco para os merengues e a muito para o conjunto andaluz.

O que se viu em campo foi um Real Madrid dominador, mas ineficaz. Mourinho acusou a falta de sorte, classificando os seus jogadores como “ingénuos” por não saberem gerir a pressão e as “artimanhas” do adversário. A equipa de Madrid, curiosamente nesta partida a jogar com um equipamento rubro, bem próximo ao da anterior formação às ordens de Mourinho, até criou ocasiões, mas a bola teimou em não entrar, acabando a cereja no topo do bolo, mas aqui pela negativa, por surgir para Mbappé. Para o francês, aliás, a noite foi um resumo perfeito do drama merengue: o avançado que até parecia ter o golo nos pés, viu-se encalhar na muralha defensiva do Betis e nem na transformação de uma grande penalidade conseguiu bater o guarda-redes do Betis.

Antes porém, e apesar de todo o domínio do Real Madrid ao longo do jogo, a primeira parte terminou com um empate a zero que já anunciava problemas. Depois da pausa para a reposição de baterias, acabou mesmo por ser o Betis, mais pragmático e guiado pelo engenheiro Manuel Pellegrini, quem encontrou a fórmula para ferir o gigante.

A segunda parte foi um teste de nervos. Com o calor a pesar e o ritmo a cair, Pellegrini lançou as suas armas secretas do banco. Aos 81 minutos, num lance de alívio mal sucedido da defesa madrilena, o avançado irlandês Troy Parrott, recém-entrado, aproveitou um rebote de Courtois para desferir o golpe fatal. A partir daí, foi um assalto ao castelo do Betis. O Real Madrid atirou-se para a frente, e quase empatou com um golo de bicicleta de Espí, anulado por fora de jogo. O drama culminou com o penálti já aqui referido, assinalado nos descontos, e convertido em redenção para Valles, o guarda-redes do Betis, que defendeu a cobrança de Mbappé e se tornou no herói da noite.

Foi a primeira prova de fogo para este Real Madrid, e Mourinho saiu com a sensação de que merecia mais. No final, a análise do português foi de frustração, elogiando a atitude dos seus jogadores mas lamentando a falta de eficácia. Do outro lado, Pellegrini celebrou a inteligência tática do seu Betis, um triunfo da resiliência que soube esperar pelo momento certo para castigar o adversário mais forte. Para o Betis, três pontos de ouro que os colocam no topo da tabela; para o Real Madrid e para José Mourinho, a primeira lição da temporada, uma chamada de atenção para os desafios que aí vêm.

texto: Jorge Reis
foto: Maciej Rogowski

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