Com uma equipa formada com aquilo que os próprios adeptos do Benfica classificaram de imediato como as segundas linhas, com nove jogadores que este época têm começado os jogos no banco de suplentes, o Benfica enfrentou o AC Milan no estádio Giuseppe Meazza, em Milão, em jogo da primeira jornada da fase de liga da Liga Europa, e venceu por 2-0, um resultado justo e limpinho que reflecte a forma como os encarnados dominaram e garantiram a primeira vitória do Benfica frente ao mítico AC Milan.
À entrada para este jogo em San Siro o Benfica surgiu com uma equipa irreconhecível. Para dentro das quatro linhas, Marco Silva lançava Banjaqui, de 18 anos, na direita da defesa, devolvia Anatoly Trubin à baliza, dava a Circatti o lugar de Lenglet permitindo que o italiano aparecesse como titular neste relvado icónico do futebol transalpino que o jogador tão bem conhece e apostou em Kaminski, Sudakov e Lukebakio no ataque, no apoio ao colombiano Jhon Durán.
De fora, no banco de suplentes, ficavam jogadores como Samuel Soares, Lenglet, Rafa, Prestianni, Schjelderup ou Pavlidis, provando o técnico benfiquista que o seu plantel é bem mais “largo” do que muitos poderão pensar, tendo ainda a capacidade de gerir a disponibilidade física de uma equipa que irá jogar já no domingo um dos jogos mais importnates do campeonato da I Liga em Portugal, frente ao rival FC Porto.
Operando um total de nove mudanças em relação ao último jogo, com o clássico do Dragão já a pairar no horizonte, Marco Silva conseguia assim cumprir o objectivo de rodar os seus jogadores, mas fazendo-o sem perder identidade nem tão pouco capacidade.




Ramos remou sozinho
contra a maré encarnada
Do lado do AC Milan, porventura surpreendido com algumas mudanças impostas por Marco Silva, o técnico Rúben Amorim apostou numa equipa com uma ou outra alteração mas ainda assim bem mais fiel ao que tem sido a estrutura deste conjunto. Entrando em campo procurando mandar no jogo, a formação napolitana rapidamente somou mais posse de bola, mas raramente conseguiu ser consequente com a bola nos seus jogadores. Gonçalo Ramos, sozinho na frente, andou perdido entre os centrais encarnados e nunca conseguiu criar perigo real, respondendo o Benfica, do outro lado, com um bloco compacto que sabia esperar e sair para o meio campo contrário em transições rápidas.
Aos 16 minutos, Lukebakio recebeu à entrada da área, cortou para dentro e colocou a bola no canto inferior esquerdo da baliza contrária. Maignan ainda mergulhou para evitar o golo, mas não chegou a tempo, conseguindo o Benfica abrir a contagem para enorme felicidade dos cerca de dois milhares de benfiquistas que estavam nas bancadas. Pouco depois, Sudakov ainda acertou no poste da baliza da equipa da casa, causando mais um calafrio aos adeptos milaneses, deixando claro afinal que era mesmo o Benfica quem dominava o jogo e causava os lances de maior perigo.




Do lado do AC Milan a posse de bola revelava-se inconsequente, e nas poucas vezes em que enviou a bola à baliza encarnada encontrou sempre um Trubin atento e bem colocado. Isso mesmo aconteceu quando Terraciano tentou um remate de longe, defendido pelo guardião ucraniano que se revelou atento e assertivo nas poucas vezes em que efectivamente teve que se aplicar.
Sentença foi dada cedo
por Kaminsky na segunda parte
O AC Milan entrou melhor depois do intervalo, procurando condicionar mais o jogo do Benfica, ocupando mais os espaços e saindo de forma mais consequente para o meio-campo contrário. De Winter teve o empate nos pés, cara a cara com a baliza, mas atirou por cima da trave, perdendo assim a turma da casa a oportunidade em que esteve mais perto do empate.
O lance protagonizado por De Winter acabaria por ser, aliás, o momento que definiu a noite, fazendo justiça à célebre máxima segundo a qual, no futebol, quem não marca sofre. Consciente de que precisava de colocar gelo sobre a tentativa do AC Milan em equilibrar o jogo, o Benfica impôs alguma velocidade, El Karouani apareceu rápido sobre o corredor esquerdo ao minuto 53, cruzou para o interior da área da equipa da casa e o polaco e Kaminski, de primeira com um remate seco, fez o 2-0, deixando Maignan colado ao relvado. O Estádio Giuseppe Meazza ficava em silêncio e a festa era feita em português pelos adeptos do Benfica que pintavam um pequeno sector das bancadas daquele recinto.




Rúben Amorim mexeu, lançou Pulisic, mas o AC Milan nunca encontrou uma forma de partir a linha defensiva benfiquista. Marco Silva respondeu com as apostas em jogadores como Prestianni, Leandro Barreiro e Pavlidis, o guarda-redes Anatoly Trubin ainda fez uma grande defesa a um remate do americano que entrou na turma milanesa, mas o jogo já estava decidido e o 0-2 acabou mesmo por ser o resultado final naquela que foi uma entrada brilhante do Benfica na presente edição da Liga Europa.
Ficha do jogo
AC Milan 0-2 Benfica
Estádio Giuseppe Meazza, Milão. Primeira jornada da fase de liga da Liga Europa.
Árbitro:
AC Milan: Maignan; Terracciano (Gila, 46′), De Winter, Pavlovic, Bartesaghi (Diego Moreira, 57′); Musah, Jashari (Rabiot, 74′), Chukwueze; Cissè (Saelemaekers, 57′), Hutchinson (Pulisic, 46′); Gonçalo Ramos.
Benfica: Trubin; Banjaqui, Circatti, Tomás Araújo, El Karouani (Dahl, 88′); Palhinha, Aursnes (Prestianni, 70′), Sudakov (Leandro Barreiro, 70′); Kaminski (Schjelderup, 80′), Lukebakio, Durán (Pavlidis, 80′).
Golos: Lukebakio (16′), Kaminski (53′).
Cartões amarelos: Pavlovic (12′), El Karouani (26′), Durán (38′).
O Benfica que Marco Silva construiu
No final, Kaminski foi o melhor em campo, ele que admitiu que não começou a temporada da melhor forma o que deu espaço a críticas dos adeptos e de alguma comunicação social. Um golo e uma assistência, movimentações constantes entre linhas, a mostrar que pode ser muito mais do que um suplente de luxo, mostraram um médio ofensivo polaco que ainda não se tinha mostrado com a camisola do Benfica.




O marroquino El Karouani, na esquerda, fez um cruzamento para golo, mas, mais do que isso, apareceu a defender bem, travando as subidas de Chukwueze que nunca teve tempo nem espaço para definir o jogo do AC Milan. Banjaqui, com 18 anos, não tremeu em San Siro, e o central Circatti, com sobriedade no lugar de Lenglet, simplesmente cumpriu de forma assertiva o que dele se esperava. Por último, Trubin, de volta à baliza, respondeu quando foi chamado, deixando claro que está pronto a lutar pela titularidade com Samuel Soares conforme seja a opção de Marco Silva para o elemento a colocar entre os postes.
Depois deste jogo em Milão, fica agora uma grande questão: se o Benfica consegue isto em Itália com uma equipa quase toda nova, o que poderá fazer no Dragão no domingo? A moral está em alta, os jogadores que entraram mostraram que podem contar, e Marco Silva provou que a rotina de rotação não tem de significar quebra de rendimento.

Já do lado do Milan, fica a imagem de uma equipa sem ideias, incapaz de criar perigo com bola e dependente de rasgos individuais que nunca apareceram. Rúben Amorim, vindo de uma experiência negativa à frente do Manchester United, tem agora muito trabalho pela frente para cumprir aquilo que dele se espera em Milão, e o cartão de visita que deixou neste primeiro embate na Liga Europa não foi propriamente auspicioso.









