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Benfica bate St. Gallen com poker de Pavlidis e exibição suficiente

Bastou uma semana para o Benfica transformar um susto na Suíça numa noite tranquila na Luz. Depois da derrota por 2-1 em St. Gallen, os encarnados impuseram-se por 5-0 na segunda mão da segunda pré-eliminatória da Liga Europa, carimbando o passaporte para a ronda seguinte com a assinatura de Vangelis Pavlidis.

O avançado grego fez questão de deixar a sua marca – quatro golos, um poker que resolveu a eliminatória ainda antes do intervalo da segunda parte. Mas nem tudo foi brilhante no jogo que antecede o duelo com os escoceses do Hearts, já na próxima semana, no Estádio da Luz, tendo ficado a convicção clara para quem assistiu a este jogo de que Marco Silva, o novo treinador dos encarnados, ainda tem muito trabalho pela frente, e de preferência com um ou outro reforço que ainda possa surgir no plante para desequilibrar as contas a favor das pretensões das águias.

Poucas mexidas, mesma responsabilidade

O certo é que Marco Silva surpreendeu ao não revolucionar o onze. Depois de uma exibição paupérrima na primeira mão, o treinador optou por dar nova oportunidade aos mesmos jogadores, com uma única alteração: Leandro Barreiro recuperou a titularidade no meio-campo, ocupando o lugar do jovem Miguel Figueiredo, que ficou no banco. O luxemburguês tinha falhado o jogo na Suíça devido a um problema físico e regressou para dar mais consistência ao sector.

Aliás, e falando em problemas físicos, quem ficou de fora neste jogo foi o norueguês Aursnes, devido a uma sobrecarga muscular na coxa esquerda que o impediu de ser opção para Marco Silva.

Apontado inicialmente como um dos jogadores que poderiam fazer subir a qualidade do jogo do Benfica, a verdade é que Aursnes nem sequer se pôde sentar no banco de suplentes, ficando agora por esclarecer quanto tempo mais é que irá passar até que o norueguês possa regressar em pleno ao trabalho dos encarnados.

Assim, com a repetição de 10 jogadores em onze na equipa titular face ao joogo na Suíça, a aposta para esta segunda mão da pré-eliminatória era clara: dar aos mesmos jogadores a responsabilidade de, perante quase 60 mil adeptos na bancadas do Estádio da Luz (59.563), mostrarem ser capazes de produzir mais do que tinham mostrado. Fizeram-no, mas só parcialmente – e o resultado acabou por ser mais generoso do que a exibição, sobretudo na primeira parte.

Trubin e os sustos que podiam ter mudado tudo

A baliza benfiquista continua a dar sinais de nervosismo. Anatolyi Trubin, o guarda-redes ucraniano, voltou a mostrar hesitações que, contra um adversário mais qualificado, poderiam ter custado caro. O St. Gallen chegou-se à frente com algum atrevimento e criou alguns momentos de perigo. Primeiro, Aliou Baldé, uma vez mais o elemento mais esclarecido na turma helvética, rematou forte ao poste direito da baliza de Trubin.

O mesmo Baldé, ainda no primeiro tempo, quando o resultado da eliminatória estava igualado, só não fez o golo para os suíços aproveitando uma saída sem nexo de Trubin porque o central Lenglet cortou de cabeça dentro da área tirando a bola do avançado do St. Gallen.

Mais tarde, quando a eliminatória já estava decidida, ao minuto 88′, com a defesa do Benfica completamente adormecida, Frokaj teve tempo para se isolar, ultrapassar Trubin quando este saiu da grande área sem qualquer cabimento, e só não fez golo porque não teve qualidade para tanto. O avançado do St. Gallen, que entrara já depois do intervalo, desperdiçou a saída precipitada do guarda-redes ucraniano acabando por falhar um lance em que poderia ter feito o golo da turma suíça em Lisboa.

Ficou assim a sensação clara de que, perante um opositor mais assertivo, nem o Benfica teria marcado cinco golos nem, lá atrás, teria mantido a baliza inviolada. Ainda assim, Trubin fez o suficiente – e o St. Gallen, sem qualquer dúvida, não tinha qualidade para castigar.

A segunda parte e a expulsão que facilitou tudo

Certo é que depois de uma primeira parte sofrida, que permitiu ao Benfica igualar a eliminatória depois da desvantagem trazida da Suíça de 1-2, a segunda metade desta partida trouxe para o relvado da Luz outro Benfica. Mais tranquilo na construção, mais eficaz no ataque e com um denominador comum no que diz respeito à finalização: Pavlidis. Depois de já ter assinado o primeiro golo bem cedo na partida, aos 11 minutos, marcou o segundo aos 55′, após boa combinação com Kaminski, com o polaco a fazer a assistência para o grego.

A partir daí, o jogo desmoronou para o St. Gallen. A expulsão de Stanic, aos 57 minutos, por acumulação de amarelos, deixou os suíços com dez. O Benfica aproveitou a superioridade numérica para acelerar o marcador. Pavlidis fez o terceiro aos 66′, o quarto de penálti aos 74′, e Lenglet, o central francês, estreou-se a marcar com a camisola encarnada aos 82′, num cabeceamento em resposta a uma assistência de Lukebakio.

Os trunfos do banco e o futuro que se anuncia

Marco Silva recorreu aos jogadores que estiveram no Mundial e que, na primeira mão, não puderam ajudar. Richard Ríos, Lukebakio, Schjelderup, Dedic e Jhon Durán entraram na segunda parte e mostraram argumentos, para um jogo em que, no banco, também estavam Tomás Araújo, Manu Silva e os jovens José Neto, Miguel Figueiredo e Anísio Cabral – todo um lote de opções que pode ser a base da equipa para 2026-27.

Richard Ríos, por exemplo, sofreu a falta que originou o penálti do quarto golo. Lukebakio entrou bem e deu profundidade, ainda que a determinada altura tenha preferido ficar deitado no relvado do que vir atrás ajudar a sua equipa a fechar os caminhos aos homens do St. Gallen. Jhon Durán ainda não teve tempo para mostrar tudo, mas a concorrência no ataque promete ser saudável.

Despedida com aplauso: António Silva rumo a Inglaterra

Com os adeptos satisfeitos com o triunfo expressivo, houve um momento especial já depois do final do jogo. António Silva, que viaja esta sexta-feira para Inglaterra onde deverá assinar contrato com o Bournemouth, da Premier League, jogou o seu último jogo com a camisola do Benfica. E que jogo: com a braçadeira de capitão, cumpriu com segurança no centro da defesa.

Após o apito final, foi literalmente empurrado por Tomás Araújo e por Pavlidis para a frente do grupo dos jogadores encarnados, onde agradeceu aos adeptos. Os mais de 59 mil presentes responderam com um enorme aplauso, permitndo assim uma despedida digna para um capitão que veio desde a formação do Seixal até à equipa principal dos encarnados, passou pela condição de titular absoluto e apontado como de grande valor financeiro, e acaba agora por deixar os encarnados a troca de 20 milhões de euros. Os adeptos aplaudiram e António Silva, de modo compreensível, não escondeu a emoção no momento do adeus ao relvado da Luz.


Ficha de Jogo

Benfica 5-0 St. Gallen
Liga Europa – 2.ª mão da 2.ª pré-eliminatória
Estádio da Luz, Lisboa

Data: 30 de julho de 2026

Árbitro: Florian Badstübner (Alemanha)

Onze do Benfica: Trubin; Bah (Dedic, 78′), António Silva, Lenglet, Dahl; Enzo Barrenechea, Leandro Barreiro (Richard Ríos, 66′); Rafa Silva, Sudakov, Kaminski (Lukebakio, 76′); Pavlidis (Jhon Durán, 78′)
Suplentes não utilizados: Samuel Soares, Manu Silva, Tomás Araújo, José Neto, Anísio Cabral e Miguel Figueiredo
Treinador: Marco Silva

Onze do St. Gallen: Watkowiak; Gaal (Ruiz, 33′), Stanic, Okoroji, Vandermersch; Gortler, Daschner, Boukhalfa (Frokaj, 57′); Stevanovic, Balde (Owusu, 72′), Witzig (Hunziker, 57′)
Suplentes não utilizados: Dumrath, Bujard, Fazliji, Besio, Konietzke, Heydari 
Treinador: Enrico Maassen

Golos: Pavlidis (11′, 55′, 66′, 74′ g.p.), Lenglet (82′) 

Expulsão: Stanic (58′, St. Gallen, duplo amarelo) 


O que aí vem: Hearts na terceira pré-eliminatória

O Benfica segue agora para a terceira pré-eliminatória da Liga Europa, onde vai defrontar os escoceses do Hearts. O primeiro jogo está marcado para a próxima semana, no Estádio da Luz, e o segundo na Escócia, e se é verdade que a exibição desta quinta-feira deixou ainda algumas dúvidas, também é um facto que a goleada imposta ao St. Gallen transporta outra confiança. Contra os escoceses, será preciso que o Benfica consiga mostrar mais, mesmo que o faça até com menos golos do que conseguiu desta-vez.

texto: Jorge Reis
fotos: Diogo Faria Reis

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