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Rock in Rio Lisboa 2026 fecha com sabor agridoce

O último dia da 11ª edição do Rock In Rio Lisboa ficou marcado pelas desilusões dos últimos concertos e pelo vento desconfortável que se fez sentir no Parque Papa Francisco. Neste domingo, 28 de junho, pudemos contar com nomes mais jovens em palco, como 21 Savage, Central Cee, Felipe Ret, Matuê e Karetus, estes que, tal como no primeiro dia de festival, trouxeram um público mais jovem a passar pelas portas do recinto. 

Fosse pela brisa do Tejo que por ali passava, fosse pelo cartaz, a verdade é que este dia acabou por ser o que teve menos afluência de todos, embora esta tenha sido “a maior edição de sempre do festival”, segundo as palavras de Roberta Medina, vice-presidente executiva do Rock In Rio, proferidas em conferência de imprensa.

Segundo as declarações do rosto deste evento, ao longo dos quatro dias do Rock In Rio Lisboa terão passado pela Cidade do Rock qualquer coisa como 330.000 festivaleiros, tendo em conta que o primeiro fim de semana esteve completamente esgotado, contabilizando logo 200.000 indivíduos, diminuindo depois a afluência o que justificou os espaços vazios apresentados no segundo fim de semana.

Neste derradeiro dia do Rock in Rio tivemos a abrir o Palco Mundo a música de Matuê, ele que deu de caras com uma plateia bastante reduzida e, por sinal, pouco animada. Ainda assim, subiu ao palco ao som de “777-666” e logo de seguida cantou um dos seus temas mais virais, “Quer Voar”, melhorando o clima que por ali pairava.

Matuê, de 32 anos e com uma pala no olho direito, foi o primeiro rapper brasileiro a pisar o Palco Mundo do Rock In Rio Lisboa, onde “Conexões de Máfia”, “Kenny G”, “A Morte do Autotune” e “A Máquina do Tempo” foram alguns dos temas mais abraçados por aqueles que lá estavam. No entanto, só aqueles que estavam perto da frontline pareciam realmente estar a vibrar com o concerto, entre vários braços no ar e alguns mosh pits.

O cantor brasileiro teve ainda não uma, não duas, mas três participações especiais de Cashley em “Autobahn”, Brandão em “Japonês” e “Isso é Sério” e Kouth em “Ícone Fashion”, terminando de seguida a sua performance com a sua equipa a atirar garrafas de água para o público.

Afro beat diretamente da Nigéria

O relógio marcava as 19 horas quando Rema veio mostrar como é que se faz uma boa festa africana. O cantor apresentou as suas origens e prometeu um concerto com muito boa energia. “Eu venho da Nigéria e hoje vou representar o afro beat”, acrescentando ainda mais tarde que “Não importa se não sabem as minhas canções de cor, eu só quero que se divirtam.” 

A verdade é que foi exatamente isso que se verificou, uma vez que, por mais que as letras das suas canções não fossem conhecidas pelo público, este não conseguiu resistir à boa energia do som que saía pelas colunas do Palco Mundo, transformando o recinto numa autêntica pista de dança ao som de “Soundgasm”, “Soweto” e “Baby (It is a Crime)”.

Mais perto do final, tocaram os primeiros acordes de “Calm Down”, hit mundial que Rema tem juntamente com Selena Gomez e que foi bastante abraçado pelos fãs. Rema pediu ainda mais cinco minutos ao festival para cantar uma última música, “Ozeba”, terminando assim este concerto que nos mostrou que não é preciso conhecer as músicas para aproveitar e dançar sem parar, basta apenas a vontade de viver um bom momento de diversão.

Do kizomba ao hip-hop
na festa do Music Valley

Neste derradeiro dia do Rock in Rio Lisboa, a festa também se fazia pelo Palco Music Valley com Irina Barros e Carlão, nomes com grande presença na música lusófona. Irina, com os seus bailarinos, ao som de uma hora repleta de kizomba com temas como “Só Love” e “Viaja”, e Carlão, que trouxe a companhia de Carolina Deslandes para cantar “Precipícios” e “Os Tais”. Mais tarde, tivemos também a presença de Felipe Ret, que refere que sempre foi um sonho tocar no Rock in Rio Lisboa, apresentado os temas “Nós Combina” e “Van Cleef” e, para terminar a noite, como não podia deixar de ser neste festival, com uma afterparty, Dennis trouxe um show com bailarinos e um DJ set cheio de hits mundiais que fez os resistentes da noite, à uma da madrugada, saltar e dançar.

O terceiro concerto da noite no palco principal foi o de Central Cee, ele que foi recebido com um forte barulho do público e causou opiniões contrárias por parte dos fãs: houve quem tenha gostado, mas também houve quem tenha saído desiludido.

A abertura fez-se com “Doja”, seguindo-se de “GBP” e “Wagwan”. “Olá Lisboa, como estão? Acho que é a primeira vez que toco aqui, corrijam-me se estiver errado.”, disse o trapper britânico. Contudo, a resposta da multidão não foi tão alta quanto os gritos de euforia no início do concerto, o que se verificou durante toda a extensão do espetáculo. 

Momentos depois, Central Cee sentou-se na beira do palco para um dos seus temas mais conhecidos, “Commitment Issues”, mas nem aí se notou uma grande diferença no ambiente que se sentia no recinto do Parque Papa Francisco. Depois de uma vídeo chamada nos ecrãs gigantes com quem estava pela frontline, seguiu o alinhamento ao pedir para que ligassem as lanternas dos telemóveis para o tema que se seguia, “Now We’re Strangers”, que antecedeu “Let Go”, entrando já na reta final da sua estreia em Lisboa. Chegando à sua última música “Band4Band”, houve quem achasse a sua saída um tanto brusca, uma vez que não se despediu e limitou-se a terminar de cantar e sair do palco.

Recinto vazio e concerto sem chama
na prestação de 21 Savage

Quem fechou o Palco Mundo foi o cabeça de cartaz do último dia, 21 Savage. Aqui o mar de gente que se foi juntando já mostrava mais sinais de ânimo enquanto esperava que fossem finalmente 23h15. O recinto já nem parecia o mesmo de uma hora antes quando o DJ oficial de 21 Savage entrou em palco e fez a abertura do último show do palco principal desta 11ª edição de festival, uma abertura que se prolongou por, aproximadamente, meia hora e que fez o público saltar sem parar num autêntico clima de festa.

Só que bem mais esperado que o DJ era o próprio cantor (também ele) britânico, o que aconteceu pelas 23h45. Ora, por essa altura, qual não foi a surpresa quando, após apenas três músicas da performance de 21 Savage, uma quantidade considerável de gente começou a dirigir-se para a saída do recinto. Afinal, alguém que era apontado como cabeça de cartaz de um festival, e de quem o público esperava muito mais, permitiu um espetáculo sem vida, limitando-se a caminhar de um lado para o outro com o microfone na mão, sem interagir com a plateia e sem qualquer tipo de ânimo na voz. 

Os únicos momentos em que houve uma reação mais forte do público foram nos momentos do refrão de “Bank Account” e em “Rockstar”, este último tema que já foi ouvido, há quatro anos, no Parque da Bela Vista, também pelo cabeça de cartaz Post Malone.

O espetáculo chegou então ao fim, após passarem os temas “A Lot”, “Rich Flex” e “Knife Talk” com o recinto cada vez mais vazio, naquela que foi uma noite de desilusões para quem visitou o Rock In Rio Lisboa com o objetivo de ver o concerto de 21 Savage, que outrora já tinha cancelado um outro concerto previsto em Portugal, por motivos de saúde.

Valeram os palcos secundários
com Karetus e Dennis

O Palco Super Bock recebeu ainda artistas que deixaram o dia um pouco mais memorável, tais como Karetus, que deram uma grande festa de abertura do último dia de festival, com nada mais, nada menos, do que Wet Bed Gang como convidados especiais, levando o público à loucura. Logo depois subiu Valete, considerado um dos prodígios do rap em Portugal, que levou os mais fiéis a acompanhar cada tema em forma de coro.

Lola Índigo foi quem se seguiu, trazendo os ritmos do reggaeton a este dia cheio de hiphop. Por fim, Ceelo Green foi quem trouxe mais audiência a este palco terciário, que, com uma atuação inédita, foi acompanhado pelo público numa só voz nos temas “Crazy” e “Fuck You”. 

Já no Palco Bacana Play Digital Stage passaram os artistas Elyas, DJ Big e DJ Glue, King Bigs, Rima.pt e The Boys of the Bands. A noite viria a ser encerrada em grande com a prestação de Dennis, uma vez mais a partir do palco Music Valley.

Depois de quatro dias de boa música e melhores vibes, chegámos assim ao fim deste Rock In Rio Lisboa 2026 com a promessa de que, daqui a dois anos, o festival voltará, nos dias 17, 18, 24 e 25 de junho de 2028. Após quatro dias daquela que foi a maior edição deste festival com muita música, resta-nos despedir-nos e dizer… até 2028!

texto: Patrícia Dias Martins
fotos: @Rock in Rio

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