PALCOMUNDO_RODSTEWART_SABADO27_2243_DAVIDOLIVEIRA_DSC02505

Cidade do Rock revive clássicos com Cindy Lauper e Rod Stewart

A Cidade do Rock volta a abrir portas para mais um fim de semana de música, calor e muita animação. Este sábado, 27 de junho, dia do último jogo de Portugal na fase de grupos do Mundial 2026, o recinto do Parque Papa Francisco, ali bem encostado ao Tejo, foi invadido mais uma vez pela geração de Millennials e, não fosse este dia apelidado de ‘Legends Day’, também pela geração X, estes movidos por nomes como Cyndi Lauper, GNR, Xutos & Pontapés e, em destaque, o “eterno” Rod Stewart.

4 Non Blondes foi a banda feminina que abriu o Palco Mundo, numa altura em que a plateia ainda enchia de forma bastante tímida. De chapéu na cabeça, Linda Perry, vocalista de 61 anos, fez então ouvir a sua voz com “Train”, música com que iniciaram o espetáculo. O público, no entanto, mostrou-se bastante contido, tanto no início da atuação como nas músicas menos conhecidas, fazendo a atmosfera do recinto oscilar um tanto entre as partes do concerto. Entre músicas como “Spaceman” e “Drama Queen”, Linda ainda referiu a sua descendência luso-brasileira.

Só mais tarde o público se soltou por completo, já nos momentos finais do concerto, quando os primeiros acordes da última música, “What’s Up?”, começaram a tocar. A vocalista, com uma bandeira portuguesa, no meio de tantas repetições do refrão desta que foi a música que levou a banda ao sucesso mundial, trouxe a palco o seu filho, Rhode, para cantar. Posteriormente, ainda desceu do palco e, ao passar pelos fãs, passou o microfone a alguns para continuarem a cantar o tão repetido refrão.

Uma hora depois, já a plateia do Palco Mundo tinha esvaziado e preenchido de novo, foi a vez de ecoar pelo recinto os ritmos do reggae que Shaggy trouxe diretamente da Jamaica. O autor de temas como “Angel”, “It Wasn’t Me” e “I Need Your Love” apanhou também um público bastante tímido no que toca a responder às músicas que se iam ouvindo no concerto, mas ainda assim sempre com braços no ar. Só quando se escutou “Boombastic” foi possível sentir uma certa euforia, talvez por ser esta uma das músicas mais conhecidas do cantor.

Mais tarde, Shaggy, em “Go Down Deh”, música que tem em conjunto com Spice e Sean Paul, fez um apelo à valorização do estilo dancehall, um estilo mais recente que derivou do reggae, como forma de expressão social, celebração e libertação. “Esta música é cultura. Qualquer pessoa das Caraíbas, qualquer amante de reggae, qualquer amante de dancehall sabe. Esta música é cultura. Isto são vocês, Rock in Rio, e eu a representar a minha cultura”, proferiu mostrando a bandeira jamaicana.

Cindy Lauper enérgica aos 73 anos

Seguindo assim a line-up deste ‘Legends Day’ do Rock In Rio, Cyndi Lauper foi a terceira a passar pelo palco principal, ela que, por mais que na identificação apresente 73 anos de idade, mostrou que a energia dos anos 80 ainda continua presente na sua performance e também no seu visual, marcado pelo cabelo pintado de azul. A cantora entrou em palco a cumprimentar os fãs em português, seguindo então com os temas “Good Enough”, do filme ‘Goonies’, “When You Were Mine” e “I DroveAll Night”.

Também ela num espírito futebolístico, nesta noite em que viria a jogar mais tarde a Seleção de Portugal, segurou a camisola da Equipa das Quinas com o nome de Cristiano Ronaldo. “Viva Ronaldo, eu gosto dele”, disse.

Mais tarde, em “Time After Time”, o mar de gente que lá assistia o concerto transformou-se num mar de lanternas ligadas e, pensando-se que o concerto não podia ficar mais emotivo, foi possível verificar diversos rostos em lágrimas ao som de “TrueColors”. 

Para acabar em grande, tendo vestido um roupão colorido às bolas vermelhas, em referência a Yayoi Kusama, artista japonesa, terminou o seu espetáculo com a tão aguardada e animada música “Girls Just Wanna Have Fun”. Ao despedir-se, agradece aos fãs em japonês, causando um momento de risos quando percebe que se enganou na língua, deixando finalmente um “obrigado” lusitano entre sorrisos na despedida do público do Rock in Rio Lisboa.

Música portuguesa em grande
no palco secundário

Enquanto grande parte daqueles que tinham marcado presença na Cidade do Rock aguardavem a chegava de Rod Stewart, a animação de todo o recinto era feita também nos demais palcos para além do principal, isto porque já tinham passado pelo Palco Music Valley as bandas portuguesas mais cobiçadas de sempre, sendo estas Jáfu’Mega, UHF, GNR e, não podendo faltar neste quarteto, Xutos & Pontapés.

Jáfu’Mega foi quem abriu este palco, recebidos por um público que vibrou desde o início ao fim. Logo depois marcaram presença os UHF de António Manuel Ribeiro, estes que tocaram os seus tão conhecidos temas “Matas-me com o teu olhar”, “Cavalos de corrida” e “Menina estás à janela”, a penúltima música, antes de fechar com “Uma palavra tua”.

Quando os GNR subiram ao palco, o calor já não apertava tanto quanto na abertura de portas, mas ainda assim a energia da banda dos anos 80 fez os termómetros voltar a subir com os temas “Asas”, “Morte ao sol”, “Sexta feira” e, por fim, as famosas “Dunas” que fez o público cantar em uníssono.

A música portuguesa foi assim um ponto alto deste sábado no Rock in Rio, dia em que houve mesmo quem não saísse da frontline do Palco Music Valley optando por não comparecer ao concerto de Cyndi Lauper para segurar um bom lugar de visão para o espetáculo dos Xutos e Pontapés.

A chegada da banda de Tim e companhia rapidamente encheu aquela parte do recinto da Cidade do Rock para ali mesmo se formar um grande mar de gente, que acompanhou a banda desde a primeira à última música. “Contentores”, “A Minha Casinha” e “O Homem do Leme” foram os temas que o público mais esperou para ouvir durante todo o concerto.

Rod Stewart prova aos 81 anos
que continua a ser uma lenda viva

O último concerto, e o mais esperado da noite, foi o de Rod Stewart que, com 81 anos mas ainda com a mesma genica para as poses que sempre o caracterizaram, deu o concerto que tantos esperavam, fazendo o recinto viajar cerca de quarenta anos no tempo, altura do auge da sua carreira, provocando tamanha nostalgia aos que lá assistiam. Ele que há uma semana precisou de ser assistido em cima de palco e, posteriormente, cancelou um outro concerto nos Estados Unidos, apesar do receio por parte do público de que não pudesse comparecer este sábado na Cidade do Rock, deu um show que certamente irá ficar na memória de quem assistiu.

Após músicas como “Having a Party” e “Forever Young”, o cantor, que hoje conta a sua segunda vez a pisar um palco do Rock in Rio Lisboa — passou por este festival, então no parque da Bela Vista, em 2008 —, fez uma homenagem à Ucrânia, exibindo a bandeira ucraniana e uma fotografia do presidente Zelensky no ecrã gigante, proferindo logo de seguida um aplaudido “FuckPutin“.

Enérgico, Rod Stewart não esteve sozinho em palco, sendo de inteira justiça dar uma especial atenção à equipa que o acompanhava, esta que, entre instrumentos como harpas e violinos, mereceu fortes aplausos dos fãs. O espetáculo contou ainda com a presença da sua filha, Ruby Stewart, que não fez surpresa nenhuma, uma vez que a mesma costuma fazer aparições nas atuações do cantor britânico.

Quando o cronómetro acabou de contar a hora e meia que delimitava o tempo de show de Rod, o sentimento era de satisfação por parte dos festivaleiros, que aproveitaram temas como “Baby Jane”, “Love Train” e “Sailing”. No entanto a noite não acabou por ali e não foram assim tantas as pessoas que saíram do seu lugar quando o palco ficou finalmente vazio, uma vez que os ecrãs gigantes do Palco Mundo, Palco Music Valley e Palco SuperBock transmitiram o jogo Portugal x Colômbia.

Quem ficou para acompanhar a prestação da Seleção de Portugal a partir da Cidade do Rock adotou o seu lugar sentado no chão, assistindo àquela que foi a última partida da fase de grupos do Mundial 2026, jogo que acabou empatado a zeros e com uma prestação menos conseguida da Turma das Quinas.

Sem esquecer também os nomes que passaram pelo Palco SuperBock, como Syro, The Wailers, Joss Stone e Belo, a animação fez-se desses e outros nomes, como os que de Katrina & Waves, Melly, Bento Gil, Bia Caboz, Ulas e Bateu Matou que preencheram o cartaz do Palco Bacana Play Digital Stage.

Com animação e algum revivalismo e saudade que marcaram o cartaz deste sábado, chegou ao fim o Dia das Lendas, fazendo da nostalgia o sentimento comum aos festivaleiros que por ali passaram. Para o dia de hoje, domingo, o último desta 11.ª edição do Rock In Rio, esperamos um dia mais virado para a geração Z, à semelhança do primeiro dia de festival, com nomes como Central Cee, 21 Savage, Felipe Ret e Dennis a compor o cartaz de dia 28 de junho. Nós vamos, vocês vão?

texto: Patrícia Dias Martins
fotos: ©Rock in Rio

Sondagem

Qual a sua convicção pessoal relativamente ao curso da guerra na Ucrânia?

View Results

Loading ... Loading ...

Rádio LusoSaber

Facebook

Parcerias

Subscreva a nossa Newsletter

Inscreva-se para receber nossas últimas atualizações na sua caixa de entrada!

logo_lusonoticias2
logo_lusomotores
logo_lusogolo
logo_lusoturismo
logo_lusocultura