União de Leiria 2-0 Paços de Ferreira SC1624

União de Leiria vence em casa alheia e sonha mais alto

Ainda a jogar fora de casa, a União de Leiria venceu este domingo mais um jogo referente ao calendário do campeonato da II Liga, partida em atraso da 20ª jornada que se resumiu num jogo de resiliência. Assim foi, de facto, não apenas pela exibição segura da União de Leiria, que venceu o Paços de Ferreira por 2-0, mas pelo contexto invulgar em que o jogo se realizou. No Estádio José Gomes, na Reboleira, Amadora, os leirienses actuaram como visitados, numa espécie de “casa emprestada” que, mais do que uma curiosidade estatística, serve de crónica de uma tragédia que ainda agora se começa a contabilizar.

O Estádio Municipal de Leiria, palco natural dos encontros da equipa da cidade do Lis, continua incapaz de receber eventos desportivos depois de ter sido uma das muitas vítimas da tempestade Kristin que, a 28 de Janeiro, assolou Portugal Continental com uma violência rara, tendo os ventos ultrapassado os 200 km/h na região. Mais de dois meses depois, o recinto permanece em obras, num concelho onde os prejuízos municipais ascendem já a 243 milhões de euros e onde ainda há estradas intransitáveis. O futebol, por estas bandas, tem sido um exercício de adaptação. Jogou-se na Amadora, mas o coração bateu em Leiria.

Controlo absoluto
e expulsões nos bancos

A partida, referente à 20.ª jornada da II Liga, colocou frente a frente duas realidades distintas na tabela. De um lado, o Paços de Ferreira, a olhar com preocupação para os lugares de despromoção; do outro, a União de Leiria, firme na perseguição ao pelotão da frente. E foi essa diferença de ambição que se traduziu no relvado.

A equipa de Fábio Pereira entrou concentrada e, depois de um susto inicial aos oito minutos, quando Miguel Falé obrigou João Bravim a uma boa defesa, tomou conta do jogo. Aos 21 minutos, Juan Muñoz foi pisado na grande área por João Pinto. Num primeiro momento, o árbitro José Rodrigues nada assinalou, mas o VAR chamou a atenção para a infracção e o avançado espanhol converteu a grande penalidade com frieza. Seria o primeiro de muitos momentos de tensão.

Aos 42 minutos, os dois treinadores, Fábio Pereira e Nuno Braga, viram os cartões vermelhos e foram expulsos dos bancos de suplentes. A troca de “mimos” entre as duas equipas técnicas ditou que ambos assistissem ao resto do encontro de camarote. Uma imagem invulgar e pouco agradável, permitida por dois treinadores que não conseguiram manter a cabeça fria que se exige a quem desempenha as suas funções, e que reflectiu o nervosismo de um jogo onde os pacenses, inoperantes no ataque, viam o tempo escapar.

Na segunda parte, a toada manteve-se. Dieu-Merci Michel, avançado canadiano que tem dado que falar pela sua eficácia, recebeu um cruzamento perfeito de Marc Baró pela esquerda e, com um desvio de primeira, aumentou a vantagem aos 50 minutos. A dupla de ataque leiriense voltaria a estar perto do golo, mas o guarda-redes Rafa Oliveira impediu que o resultado tomasse contornos mais pesados com defesas de grande mérito aos 59 e aos 90+2.

A actuação do árbitro
e os melhores em campo

O árbitro José Rodrigues, da Associação de Futebol de Lisboa, teve uma noite de trabalho complexa. A sua decisão inicial de não assinalar a grande penalidade sobre Muñoz poderia ter mudado o rumo do jogo, mas a correcção via VAR acabou por fazer justiça.

Mais complicado foi gerir os ânimos nos bancos, que resultaram na dupla expulsão, um momento que evidenciou a dificuldade em controlar os protagonistas fora das quatro linhas. Em campo, o critério disciplinar foi claro, com apenas três cartões amarelos, dois deles para suplentes do Paços de Ferreira.

No capítulo individual, destacou-se naturalmente Dieu-Merci Michel. Além do golo, foi uma presença constante na área contrária, com várias jogadas de perigo e um envolvimento notável na construção ofensiva. Juan Muñoz provou, mais uma vez, ser o “homem do momento” para os leirienses, assumindo a responsabilidade na marcação da grande penalidade e servindo de referência no ataque. Pelo lado do Paços, pouco ou nada a registar para além das intervenções de Rafa Oliveira, que evitou uma derrota mais pesada, e do corte decisivo de Gonçalo Cardoso já perto do intervalo.

Olhos no futuro

Com esta vitória, a segunda consecutiva, a União de Leiria chegou aos 44 pontos, igualando o Vizela no quarto lugar, a apenas um ponto do play-off de subida. O Paços de Ferreira, pelo contrário, estacionou nos 30 pontos, apenas três acima da zona de despromoção, somando já dois jogos sem vencer.

No final, os 782 espectadores presentes no Estádio José Gomes puderam testemunhar uma equipa leiriense sólida, que controlou o jogo do princípio ao fim e que provou que, mesmo longe de casa, é candidata firme ao regresso à elite. Enquanto isso, na cidade de Leiria, os estragos da tempestade Kristin continuam a ser reparados.

O castelo, as escolas e o próprio estádio esperam por dias melhores. Até lá, a União vai levando o nome da cidade por onde pode, acumulando pontos e alimentando o sonho. Em tempos de tempestade, vencer em casa alheia soube a porto de abrigo.

texto: Inês Aires
fotos: Luís Moreira Duarte

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