As últimas 24 horas em Portugal continental foram marcadas por um agravamento significativo da crise hidrológica, com a bacia do rio Mondego a atingir um ponto crítico que levou ao corte da principal autoestrada do país. O rebentamento de um dique na zona de Coimbra, provocado pela força das águas, resultou na rotura do piso da A1, interrompendo a ligação entre Lisboa e Porto num troço de nove quilómetros.
A situação na cidade de Coimbra é descrita pelas autoridades como “extremamente instável”, estando a população em alerta máximo perante o risco, agora mais afastado, de se assistir a uma “cheia centenária”. Desde o início da semana, cerca de 3.500 pessoas já foram desalojadas de zonas rurais, e a autarquia mantém-se atenta perante a possibilidade de ter que evacuar preventivamente mais 9.000 residentes na malha urbana, particularmente na Baixa da cidade e no Rossio de Santa Clara. Como medida de precaução, todas as escolas do concelho e a Universidade de Coimbra foram encerradas.
Refira-se a propósito da realidade em redor da cidade de Coimbra que os estragos não se limitam às habitações; a força da água danificou inclusive parte da antiga muralha da cidade, classificada como Património Mundial.




Bacias dos rios Tejo e Sado
mantém populações em alerta
A sul, a bacia do Tejo mantém uma situação de grande tensão, embora com sinais de estabilização. O Plano Especial de Emergência para Cheias permanece em alerta vermelho, com os caudais a manterem-se elevados, mas sem a dimensão do pico registado no dia 5 de fevereiro, que atingiu os 8.600 metros cúbicos por segundo em Almourol.
As autoridades mantêm a vigilância, pois vastas áreas ribeirinhas continuam submersas, afetando populações em concelhos como Santarém e Constância, onde dezenas de moradores estão desalojados e o comércio local sofre prejuízos avultados. As imagens de satélite do programa Copernicus revelam a extensão devastadora das cheias na região, com mais de 64.000 hectares inundados em Salvaterra de Magos.
No Sado, as cheias também continuam a fazer-se sentir, especialmente em Alcácer do Sal. A Avenida dos Aviadores voltou a ficar inundada devido à conjugação das descargas das barragens com o período de maré cheia, tendo as povoações de Santa Catarina, Casebres e Barrozinha ficado novamente isoladas.




Perante a dimensão da catástrofe, que já causou 15 vítimas mortais desde o final de janeiro, o Governo prolongou a situação de calamidade para 68 concelhos e anunciou um pacote de medidas de apoio que ascende aos 2,5 mil milhões de euros. Na resposta imediata à emergência na A1, a concessionária Brisa assumiu o custo da reparação da via, num processo que se prevê que possa demorar “semanas”, dependendo da descida do caudal do Mondego para que as obras possam avançar em segurança.









